Bjork – Volta « Pop up!

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É preciso sempre ter muita paciência com Björk. Seu novo disco ganhou status de aguardado quando foram anunciadas novas parcerias – uma penca delas, pelo menos 15 pessoas diferentes tiveram um dedo nas músicas – como a do novo querido da vez, o produtor Timbaland. Status que só cresceu quando sua gravadora, a One Little Indian, confirmou que este seria o trabalho mais comercial da artista. Tudo um surto. Björk apareceu como esperado: dentro de uma maçã alienígena, cheia de cor e com dois pés enormes na arte da capa. É preciso ter paciência, porque ela está de Volta.

O fã mais xiita pode ficar tranqüilo. Este está longe – bem longe – de ser um trabalho comercial de Björk. Ela continua esquisita, numa experiência sonora que parece começar por todas as sinapses do corpo, menos pelo ouvido. Timbaland veio apenas para mascarar o single e enganar a todos. Earth Intruders, sua contribuição, é uma música poderosa, batidas mínimas e contagiantes, lembrando algo dessa fase ao vivo do Cansei de Ser Sexy. Moderna, mas só durante quatro minutos.

Segue então a trilha sonora exótica que se espera ouvir numa comédia de terceira categoria sobre um desbravador de floresta tropical. Algo como Ace Ventura, com Jim Carrey perseguindo elefantes na Amazônia. Fica a dúvida se ainda resta paciência para a Björk tribal. Sua versão National Geographic vem em faixas que testam a paciência em longos oito minutos de duração. Está tudo lá, o som dos pássaros, a ressonância do eco da floresta, com Björk em seu traje de maça-pé-grande. Roupa que ela já está usando nos shows.

Essa é a parte que Volta faz uma boa diferença. Com o papo de ser o mais comercial, o disco está fazendo Björk voltar a fazer turnês depois de longos quatro anos de recesso. Por enquanto, só tem agendado grandes festivais – nada de Brasil – como o Coachella, onde começou sua peregrinação. Na primeira aparição, ela deu um baita assusto com tal roupa da maçã e trancinhas, que lembravam uma versão sinistra de Carlinhos Brown da Islândia. O resultado já pode ser encontrado no YouTube.

Em suas 10 faixas, “Volta” está longe de ser acessível. Nas letras, referências a poemas de Fedor Tyetchev, Yeats e do conterrâneo Sjon. Excesso de informação quase proibida num disco que se propõe pop. Em Pneumonia, sua voz segue quase em silêncio, sozinha, inaudível e bastante triste. Esse é o tom em quase todo disco, que além da primeira música, tem como único ponto alto a mais agitada Declare Independence. Longe dos formatos clássicos – não parece ter qualquer instrumento convencional nas melodias – Björk está distante das massas.

Nessa velocidade divertida que tudo acontece, Volta foi lançado a poucos dias, mas já se mostrou um bom disco de remixes. Procure pelos de Mark Stent. Usando bases sampleadas, ele consegue espantar todos os animais da floresta de Björk. Dá vida (seria nova vida, mas a ausência dela permeia todas as músicas) às canções. É esperar o azar de outro desastre natural, para que assim como Army of Remixes, em 2004, a cantora tente salvar o mundo oferecendo suas faixas para quem quiser apresentar a própria versão.

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