Bonsucesso de volta ao sudeste « Pop up!

Durante uma entrevista para este jornal, quando precisou responder que novos sons do Recife estavam chamando atenção, o guitarrista da banda Nação Zumbi, Lúcio Maia, nem demorou em responder: “o novo do Bonsucesso tá bom de chorar”. Ele falava de “Tem Arte na Barbearia”, segundo na carreira da banda de Olinda, lançado no fim de 2005 e que agora vai partir para distribuição no sudeste do país. Eles vão tocar em Maceió, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Goiana. Mal passou o Carnaval, o Bonsucesso já é a banda local com a melhor agenda do semestre.

É a nova fase “negócios” da banda. Com produção bem cronometrada, eles foram um dos poucos que se apresentaram no Porto Musical para um público internacional que já sabia o que esperar da banda. “Nossa produtora esteve na Womex, distribuindo nosso CD para outros produtores que estariam aqui conferindo o evento”, comenta André Édipo, guitarra e vocais do Bonsucesso. As datas no sudeste começaram a ser fechadas ainda em outubro. “Timing” de banda de grande alcance de público.

Apesar da pré-produção, a banda leva para o sudeste uma experiência bem nova. “Tem Arte na Barbearia” apresenta uma banda completamente diferente da que ficou conhecida por hinos como “O Samba Chegou” e “Carimbó Ladrão”. Mudança que, segundo André “foi bem natural”. Com a saida do baterista Carranca, que foi tocar com o grupo belga Think of One, a banda foi gradativamente tirando as batidas nas novas composições. O resultado é quase um tapa na orelha, com o clima de festa dando espaço para músicas que são quase bossa nova.

Apresentação que pode ser complicada, já que o público de São Paulo e Rio, diferente do Recife, não tem contato constante com a banda através de shows. E André Édipo não esconde que a banda não está preocupada. “Sempre foi uma preocupação nossa não repetir o disco anterior”, diz o guitarrista. Decisão de uma banda que tem a liberdade independente de não seguir um formato de sucesso fácil.

O clima de profissionalização do Bonsucesso já vai longe. “Vamos chegar lá em São Paulo não só com disco, mas também com um clipe pronto, feito com imagens do show no Porto Musical e um novo show já formatado”, adianta Édipo. Até a grande distância entre os dois CDs já virou mote para uma outra postura profissional. “Podemos formatar dois perfis de show agora. Um mais agitado e outro mais calmo, para um teatro por exemplo”, planeja.

Disco
“Tem Arte na Barbearia” não é o melhor cartão de visitas para conhecer o Bonsucesso. A banda criou sua história em músicas de festas, dando voz a um vazio que teve entre a Nação Zumbi de Chico Sciencie e o sucesso apressado do Mombojó, tanto em melodia quanto em letras. Agora, no passo seguinte, procuram uma identidade mais firme. Na primeira impressão, pode sair uma banda mais séria e, em algumas faixas, até mais velha.

ps: por um erro de diagramação, a matéria não saiu assinada no jornal…

Random Posts