Cabaret « Pop up!

O rock é pura pose. Kurt Cobain de cabelos assanhados quebrando a guitarra, Angus Young sem camisa descendo no sino do AC/DC. Iggy Pop sem roupa, o Kiss de cara pintada. Tudo pose, afeto, performance. A tropicália era rock, cheio de pose como os Titãs, Raul Seixas e Chico Science, que fazia pose até de carangueijo. E se fosse uma disputa, esses ai seriam todos os mais novos perdedores. Por trás da banda Cabaret, que chega do Rio de Janeiro com toda pose necessária para salvar o rock mais uma vez, por mais um fim de semana.

Quando Marvel sobe no palco, lembra uma mistura de David Bowie com Jim Carrey e Freddie Mercury. Sorriso enorme, com dentes enormes. Cheio de maquiagem e glitter – purpurina mesmo – ele convida o público para uma orgia de rock. Faz isso acompanhado de Peter Glitter, Sid Licious e Myself Deluxe. Personagens – sim, mais pose – que dão a cara da banda. Essa explosão de perfomance e rock rápido e agressivo eles lançam agora, com um pé flertando com o freio, no primeiro disco. Homônimo, ele é lançado pelo selo independente Rastropop e anunciado como “A última grande farsa do rock”.

“É uma banda feminina formada por homens, que alia uma sensualidade e uma sexualidade ao rock”, debocha Marvel – codinome do original Márvio dos Anjos. Ele acha que essa história de CD é uma coisa brega, sem graça, que ficou no passado. “Em uma das músicas eu canto ‘ela só levou roupas e CDs’, já preciso trocar a letra para MP3s”, confessa. Mas ser brega é uma coisa que ele já faz muito bem. “O rock maquiado é a coisa mais velha do mundo”, lembra. O Cabaret não abriu suas portas para a novidade, apenas para o bom gosto.

O Cabaret usa a feminilidade para deixar a frescura de lado no rock. Desperta para o metrossexual de ônibus lotado no centro da cidade, fala do desejo e do despejo, sai dessa história cansativa da vontade e vai direto para a ação. Faz isso em 12 faixas, com frases do calibre de “o rock não pode ser pouco”, “um milagre na horizontal” e a mais posuda de todas, “meio metro acima do bem e do mal”. O mais divertido é como eles se encaixam dentro disso tudo, cantando sobre como uma menina deixou a vida para trás, “por um rockstar, ela se foi”.

E piadinhas a parte, Marvel e companhia fazem tudo isso muito bem. A banda faz uma música de plástico, mas o som que sai daqueles instrumentos e, principalmente, a voz que embala os versos, é bem real. As cordas vocais de Márvio dos Anjos são o maior tesouro do Cabaret. Viciantes. No disco parecem um pouco escondidas. Desmeceridas até, do que aparece quando eles estão se apresentando ao vivo.

O disco está nas lojas e também na Internet. Pode ser comprado no endereço (também super posudo) www.radiocabaret.com.br além das lojas. Eles passaram pelo Nordeste este ano, quando se apresentaram festival Musica Alimento da Alma (o MADA, em Natal). E ficam como um nome mais que recomendado para entrar na programação de algum futuro Abril pro Rock.

Escuta ai: Cabaret – Rockstar Baby

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