Chico Buarque no Recife « Pop up!

Cobertura do primeiro, dos quatro shows apresentados no Recife

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Recife parecia diferente na noite de 19 de abril. Uma chuva que não caia há tempos, impressionantemente, não causou transtorno no tráfego, nem os exagerados alagamentos que costumam parar a cidade. Tudo parecia em sintonia para uma estréia de sucesso do cantor e compositor Chico Buarque na temporada de Carioca, que segueria até domingo no Teatro Guararapes. 2.405 cadeiras todas ocupadas durante mais de duas horas de uma apresentação que não precisou de esforços para ficar na memória.

Chico estava num cenário simples, mas montado de maneira inteligente. Era uma armação de ferro no contorno dos morros do Rio de Janeiro, como que visto da praia do Flamengo (o Pão de Açúcar no horizonte). Uma leitura sutil, dava ao público a sensação de que o carioca havia colocado seu banquinho ali mesmo e tocado durante um dia inteiro sem parar. O jogo de luz fazia noite e dia, enquanto ele era acompanhado por seus sete músicos, cada um variando sempre entre dois ou três instrumentos diferentes.

Essa mesma noção cronológica passada no palco, Chico Buarque traduziu no repertório. Abriu com Mambembe, cantando “Vou fazer meu festival / Mambembe, Cigano / Debaixo da ponte / Cantando“. Ele ficaria tímido até as próximas duas horas. Sempre parado, firme, sem hesitar uma tremida de perna, ele também é o único que arrisca tonalidades. Está de blusa em degrade cinza, calça verde escura, sapato de couro preto. Enquanto toda sua banda quase não chama atenção em ternos escuros.

As músicas do novo disco, que conduz essa turnê, ainda tem pouco efeito no público. Eles acompanham – gritam, aplaudem, gritam de novo, cantam junto e acompanham em palmas, gritam mais uma vez – apenas nas que antecedem Cidades. Mil Perdões é um desses momentos em que ele quase não precisara cantar. Toda essa troca que ele recebeu conseguiu romper essa barreira tímida. Chico Buarque arrisca uma breve conversa, elogiando, “vocês estão bem afinados no coro, parabéns“, sorri e segue.

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Além de mais a vontade no palco, Chico Buarque canta melhor do que aparece em seus DVDs. Mas essa postura de múmia – piada meio sem graça, reconheço, para alguém que está na idade dele – ainda incomoda horrores. Além de não sequer tremer a perna, também não levanta o braço e nem olha para os lados. Nem ao menos relaxa o joelho, trocando o apoio entre as pernas. E não parece fazer nenhum esforço para essa concentração. É puro, completo e honesto desinteresse em esboçar algo a mais que suas músicas.

Com uma hora de show é encenado um amanhecer. Entra a reta final da apresentação e, a partir, daí Chico canta de pé. Futuros Amantes antecede o melhor momento, quando o sambista Wilson das Neves entra para cantar Grande Hotel. O público se assusta quando o ídolo parece que vai arriscar alguns passos de samba. Mas só parece, ele sorri, e passa para Ode aos Ratos. A noite encerraria em Sem Compromisso, com ele pedindo na letra “Quando o samba pára / bate palma e pede bis“.

Mas o público pediu tanto que ele ainda fez dois retornos. Dessa vez, arriscou sucessos maiores. Quem te viu, quem te vê quase toda em coro. Teria continuado, se em João e Maria não tivesse instaurado a catarse final em forma de choros e soluços. Enquanto dizia a todos que “pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz“, as fãs não resistiram e invadiram o palco. No total, 12 meninas, com felicidade difícil de traduzir enquanto desciam do palco. Sempre simpático, Chico Buarque se despediu com sorrisos.

Fotos de Maria Carolina Santos

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