Cloverfield « Pop up!

Sim, domingo passado assisti finalmente a Cloverfield. Eu não assisto Lost, então não é como se eu estivesse morrendo desesperadamente de vontade para ver o que o tal JJ Abrams fez no cinema. Eu sei que é uma piada velha, mas eu também sou um daqueles retardados de cinema que passa parte do filme perguntando “porque ele está fazendo isso, eles não eram amigos?” ou “quem é esse mesmo?”. E talvez por isso eu não tenha captado a mis-en-cene do Cloverfield. Tipo, fui ver achando que era só o filme mesmo e pronto.

De um modo geral, é um filme OK. Me incomodou muito como o personagem – para mim principal – do cara que está filmando parece ser muito mais retardado que o permitido para uma pessoa retardada. Na maioria das vezes,  ele registra as coisas apenas por ser um idiota – repetindo “to gravando tudo” – do que por medo. Também me lembrei de todas as minhas câmeras que as baterias terminavam antes de conseguir filmar uma hora inteira seguida, mas pensei “estamos em 2008, nos Estados Unidos o cara deve encontrar boas baterias a preços mais acessíveis”.

Para quem estava enterrado nos últimos seis meses, Cloverfield narra a história de um monstro que está destruindo a ilha de Manhattan sob o ponto de vista de três pessoas. É todo exibido através da filmadora pessoal de uma delas. Sim, é um remix da Bruxa de Blair. Com uma parcela enorme de qualidade a mais. Já no trailer e previews, fiquei com a impressão de que esse seria um remake do japonês O Hospedeiro. Não é, mas de fato ambos os filmes tem coisas demais em comum na história. A diferença é que aqui tem ainda um leve toque de Call of Cthullu de Lovercraft na tensão toda que conduz o filme. E preciso dizer: fazia tempo que não fica tão apreensivo no cinema.

Por trás desse mix de horror pop, está também uma história de amor. O conflito não é o monstro destruindo tudo e ninguém fazendo a menor idéia do que aconteceu, mas sim um cara (Rob Hawkins) que resolve atravessar toda a cidade no caminho contrário para resgatar a gatinha (Odette Yustman) que ele deu um fora durante uma festa minutos antes da merda virar boné em Nova York. Três amigos acompanham, segundo um deles, porque “cara, nos estamos nessa juntos”. O cara ia trabalhar no Japão e, nesse simples detalhe, tem todo a parte escondida da trama.

Poderia morrer ai, no tédio, mas Matias fez um super dossiê Cloverfield, explicando toda a parte da história que não está no cinema e que dá uma graça totalmente nova ao filme. Depois de ler, fiquei com vontade de assistir de novo.

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