Começa o NoAr: Coquetel Molotov « Pop up!

Rubin Steiner

Durante as duas últimas semanas, o coletivo Coquetel Molotov, formado por Ana Garcia, Jarmeson de Lima, Tathiana Nunnes e Viviane Menezes, recebeu vários e-mails. Um deles dizia algo do tipo “sou estudante, mas faço questão de pagar entrada inteira para assistir a este festival!”. O No Ar começa hoje, no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, sua terceira edição que encerra amanhã. E nos últimos três anos, ele sempre traz essa sensação de que o Recife ainda tem solução para um dos públicos mais complicados de música.

Apesar do preço acessível, R$ 20 para cinco shows (sendo dois internacionais), o Coquetel Molotov traz a cara de um novo Recife segmentado. É um festival para um grupo seleto que tem acesso à informação privilegiada. Hoje, a música não chega mais pela rádio ou televisão. Ela aparece raramente nos jornais e revistas especializadas, enquanto trafega em abundância na Internet. Os produtores perderam os termômetros do que o público quer. O Coquetel fez a seguinte equação: se colocou no lugar do público e trouxe quem quis. Uma parcela significativa de pessoas já aprovou.

Este ano, o festival apresenta o Tortoise, Cocoroise, Spleen e Rubin Steiner de atrações internacionais. Talvez com a exceção do primeiro da lista, são todos nomes novos, ainda com quase nenhuma representatividade no universo hype-fast-food onde eles existem. É uma oportunidade de participar da formação da moda. Opção melhor que simplesmente seguir o rastro da mesma. É um evento para deixar a pose de lado, sentar numa cadeira de teatro e conhecer música nova e boa.

Mesmo tendo pouco tempo de estrada, as bandas do Coquetel Molotov representam, cada uma, uma revolução própria dentro da música pop. A começar pelo Tortoise, que, em meados dos anos 90, fez uma mistura louca de quase todos os gêneros que eram tocados na Inglaterra na época de uma estética que hoje praticamente carrega o nome deles como assinatura. Esse som “experimental” tem um pouco de dub, jazz, eletrônico e krautrock, com um toque exagerado de minimalismo. Os americanos são o bom motivo para ir até lá este ano.

De atrações nacionais, o Coquetel Molotov afirma ter feito enquetes no problemático site de relacionamentos Orkut sobre o que seria legal de trazer para o festival. Do Rio Grande do Sul chegam o divertido Júpiter Maçã e o esquisito Tony da Gatorra. Também as bandas Valv (MG), Debate (SP) e Móveis Coloniais de Acaju (DF). A música deles é bem mais convidativa que os nomes que escolheram, isso é garantido.

Nessa linha das experimentações, vale a pena conferir a apresentação da paulista Debate. Eles misturam uma pegada forte do rock pós-punk com um pouco de jazz e outras sonoridades brasileiras. O resultado é curioso e deve repetir o que aconteceu no último Coquetel Molotov com a também paulista Hurtmold; que chegou lá desconhecida e saiu cheia de fãs. O melhor é que eles estão na sala Cine UFPE, onde todas as apresentações são gratuitas.

SERVIÇO No Ar: Coquetel Molotov Hoje e Amanhã Teatro da Universidade Federal de Pernambuco Ingressos: R$ 20 inteira e R$ 10 meia. R$ 15 como ingresso cidadão (+1 kg de alimento)

Clientes Tim e alunos da Aeso tem meia entrada.

Leia também: Entrevista com o Coquetel Molotov

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