Coquetel Molotov 2009. Primeiro dia, parte um « Pop up!

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

Tanta coisa mudou nessa nova edição do No Ar Coquetel Molotov. É como se um ciclo novo começasse agora, tanto para o evento quanto para a cidade. Quase todas as principais características das primeiras edições mudaram. A salinha apertada e fervendo de quente com os pocket-shows virou o espaçoso Auditório Tabocas, um dos lugares mais legais para se fazer shows no Recife e que pouca gente tinha percebido até então. Climatizado, com pufes da Vivo espalhados e um grande palco.

O pequeno público das primeiras edições também mudou. Antes parecia aquela reunião definitiva de um grande grupo de amigos. Agora, circulava no Centro de Convenções muito mais gente que a lotação do teatro Guararapes permitia. Pessoas que estava lá para conhecer o evento, assistir as atrações de graça, passear na feira de moda ou conhecer gente nova. Tinha muita coisa para se fazer no Coquetel Molotov que não envolvia assistir os shows principais. Algo importante, mas que se vê cada vez menos nos festivais.

Outra coisa rara e boa de se ver: a pontualidade não fez os primeiros shows começarem com pouco público. Já tinha uma boa quantidade de pessoas presentes quando os Ex-Exus subiram no palco. Apesar de serem uma dissidência da antiga Comuna – que tocava acompanhada do poeta e escritor Jomard Muniz de Brito – a banda não se apoia tanto no experimentalismo e na literatura. Fazem um som pesado e bem redondinho, divertido de assistir.

Mas apesar de terem se rendido a um formato mais pop de canção, não desistiram ainda de tentar chocar o público e convidaram uma mulher nua e uma galinha preta para a performance. O pouco tempo que tocaram já garantiu a eles lugar entre as novas bandas a se observar no Recife. O tipo de aposta que fez o Dead Lovers Twisted Heart sair de Belo Horizonte e ser a segunda a se apresentar no festival. Primeira vez dele no Nordeste, no que depender da resposta do público, deve garantir ainda muitos retornos deles para a região.

Apesar do jeitão de música folk, a banda é mais espirituosa e bem humorada que o nome sugere. Fizeram um show mais simples e, inevitávelmente, chamou atenção que a única mulher na formação era a baterista da banda. Talvez em um formato clássico de festival, com 30 ou 40 bandas na escalação, os mineiros ficassem mais ofuscados. Uma das vantagens da programação enxuta do Coquetel é que sobra tempo para apreciar cada atração. E o Dead Lovers soube aproveitar essa vantagem.

Depois veio a invasão sueca. Britta Persson chegou em Recife ansiosa pelo que os amigos do Suburban Kids with Biblical Names falaram da edição de 2007 do Coquetel Molotov. Ela era claramente desconhecida por praticamente todo o público presente, que não usou isso como dificuldade para se divertir no show. Ali era virava diva-indie e tinha gente colado no palco com a ansiedade de quem ia ver uma Madonna. Com bem menos exagero no palco e uma música que é divertida de dançar, apesar de mais tranquila.

Magrinha, Britta quase se escondia por trás do violão. Demorou para ela fazer o que os Suecos fazem de melhor quando tocam no festival: festa. Se comparar o frenesi das últimas músicas com o começo tímido do show, talvez ela podesse até passar por duas artistas diferentes. A troca foi mútua. O público no começo era apenas curioso, mas no final já era cumplice de tudo que acontecia no Tabocas. O clima ideal para o Those Dancing Days, banda das garotas suecas que encerraram a programação gratuita do festival.

Quando elas começaram a tocar, parte do público começava a formar fila para entrar no Teatro Guararapes. Esse foi um dos melhores momentos para ter uma idéia da proporção de todo o Coquetel Molotov. Muita gente circulando nas áreas de comuns, muita gente no show das suecas e uma fila consideravelmente grande. Fora todas as outras coisas que tinha para se fazer no espaço. Tinha gente tendo aula de DJ’s no stand da Vivo, gravando música em um estúdio improvisado no lugar, enquanto mais pessoas chegavam no Centro de Convenções.

E a trilha sonora disso tudo tinha um cheiro de anos 80, mas a energia daquelas raves mais nervosas, no show da Those Dancing Days. Parecia uma disputa para quem se divertia mais, a banda ou o público. O ar condicionado forte da sala não foi suficiente para conter as grandes marcas de suor que a versão de Toxic, de Britney Spears, cantado por elas deixou nas camisas de todo mundo. Teve quem saisse de lá já esgotado para os próximos quatro shows. As suecas garantiram algo ao Coquetel que todo festival almeija: uma programação inteira só com bons shows.

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