Coquetel Molotov 2009. Segundo dia, parte um « Pop up!

Cobertura feita para o portal Conexão Vivo, publicada nos dias do festival

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Quando a segunda noite do No Ar Coquetel Molotov começou, para as poucas pessoas que decidiram chegar mais cedo no Centro de Convenções, ainda não era possível suspeitar a principal característica dessa noite. Pela primeira vez, em seis anos, ao escalar o encontro entre Lô Borges e Milton Nascimento para celebrar os 35 anos do álbum Clube da Esquina, o festival conseguiu atrair um perfil totalmente inédito de público, que já havia passado dos 40 anos de idade e era totalmente despreocupado em desfilar o visual mais moderno do pavilhão.

Antes deles chegarem, o público mais jovem teve a chance de conferir a verdadeira revelação do festival esse ano. Radistae, banda instrumental que embala Kraftwerk e Luiz Gonzaga em ritmo de surf music. Foi a estréia deles, que sairam do palco criando ansiedade para algum registro das músicas. Poucos eventos tem a coragem de apostar em uma atração que ainda nem saiu do campo das idéias em estúdios de ensaios. E, de fato, raramente se consegue um retorno como tiveram com essa banda.

Depois foi a hora do No Ar fazer justiça. A Sweet Fanny Adams é a banda em atividade na cidade que mais fazia o perfil do festival, mas nunca havia tocado no mesmo. Uma espera que compensou, porque eles fizeram a estréia no evento já com público formado, cantando cada uma das músicas no repertório. Inclusive a nova “The Last Sunny Day of the Year”, recém lançada apenas em MySpace, gravada para a trilha da série Descolados da MTV. O quarteto cresceu um clima de festa para dançar que a Radistae começou, e que seria impulsionado ainda mais com a próxima atração.

Zombie Zombie veio da França. É um tipo de banda que ainda é bem incomum entre o público brasileiro. Uma bateria e um teclado, acompanhados por vários efeitos sintetizados, construindo uma longa textura dançante. Chegar perto do palco era uma intimação a não ficar parado. De todo o festival, talvez eles tenham sido o que mais conseguiram uma resposta positiva do público. Chegaram lá desconhecidos, sairam sem nenhum CD, vinil ou camisa que levaram para vender após o show.

Essa é uma cumplicidade que parece ser exclusiva do No Ar Coquetel Molotov. Poucos festivais conseguem atrair pessoas que vão sem medo de conhecer profundamente as atrações, ou sem apostar em nomes que estejam sequer num patar médio do pop brasileiro. Uma experiências sem compromissos. Tanto público quanto a banda não parecem estar atrás da fidelização de um fã clube, mas sim de uma boa noite de diversão.

Os shows no Auditório Tabocas foram um pouco mais longos dessa vez. Mesmo assim, o Teatro Guararapes abriu as portas antes das 20h, em tons tranquilos, avisando que todo esse clima de festa ficaria apenas para os shows gratuitos.

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