Entrevista: Bonde do Rolê « Pop up!

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Nos Estados Unidos, os grandes festivais de música têm uma função muito bem resolvida, que é a de criar moda. A programação é feita com mais de um ano de antecedência, tempo que eles têm para transformar aquela curiosa banda escocesa no gigantesco Franz Ferdinand. No Brasil, o Tim Festival cumpre esse papel, ainda que numa proporção muito menor. Depois de passar pela edição 2004 do evento, a Cansei de Ser Sexy entrou no vocabulário de todo antenado de música. O mesmo com Vanessa da Mata, na edição anterior. Este ano, a atenção deveria estar voltada para a curitibana Bonde do Rolê, se eles não tivessem invertido o processo e se transformado em “banda da vez” há já alguns meses.

“A gente andava conversando exatamente sobre isso, como foi tudo muito mais rápido que para o Cansei de Ser Sexy”, lembra Rodrigo Gorky, DJ do Bonde. O grupo é formado por três pessoas, o outro DJ Pedro D’Eyrot e a vocalista Mariana Ribatski. A música deles começou – e, segundo eles, continua – como uma brincadeira. Uma maneira de misturar o rock mais velho com o funk pancadão. Depois de colocar remixes do Alice in Chains e AC/DC no site MySpace, foram descobertos pelo sempre fissurado pela cultura periférica Diplo (que se apresentou no Abril pro Rock deste ano). Disso para um contrato e o nome na lista das 10 maiores promessas da música publicada pela cultuada revista Rolling Stone, foi um pulo.

Por isso, ser chamado para o Tim não chegou a ser uma surpresa para eles. “Faz tudo parte de um processo, é resultado do trabalho que a gente fez”, explica Rodrigo, sempre com um tom de nervosismo na voz trêmula. O receio se justifica porque, agora com o festival, eles tem uma fila de jornalistas esperando para entrevistá-los. O sucesso já ficou legitimado. “Mais do que esses jornalistas, a gente está preocupado até com nossa família. É a primeira vez que nossos pais vão ver um show nosso”, comenta, sem esconder o riso da graça da situação. “Eles sabem que eu tenho uma banda que só fala bobagem, quando eu dei o CD para minha mãe de Natal, ela perguntou porque eu fazia aquilo!”.

De resto, eles estão bem tranqüilos. Rodrigo Gorki explica que entre o rock e o funk, é o público do primeiro que curte mais o que eles fazem. “Nossa, o pessoal do funk acha nojento o que a gente faz, principalmente no Rio de Janeiro”, comenta. Outro motivo, para o DJ, é que o público de rock identifica muito mais fácil as referências nas músicas. “Uma vez um produtor de funk escutou nosso disco e quando falamos que era uma música do The Clash ele falou que nunca tinha ouvido falar nessa banda”, completa.

Agora, que está com a carreira encaminhada, o Bonde do Rolê começa a preparar o primeiro disco de verdade. “Vai ser todo com composições nossas, porque vimos que fica muito caro conseguir licença de todas as músicas que remixamos”, comenta Gorki. O disco vai ter produção do DJ Diplo, que virou padrinho definitivo deles. Rodrigo promete: “pretendemos lançar em fevereiro, mas antes disso vamos colocar um EP e um 7 Polegadas para vender lá fora e talvez também no Brasil, ainda estamos decidindo como vai ser”.

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