Eta Carinae – Mirando a Estrela « Pop up!

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A música mais alternativa do Recife se divide em dois blocos bem distintos. O primeiro procura atingir uma estética própria, um tipo de música que cause dor de cabeça quando o dono da loja tiver que escolher em que seção vai entrar o disco. O segundo não se importa em assumir referências, fazendo música que é fácil de se associar a outras bandas. “Mirando a Estrela”, disco novo do Eta Carinae, está no primeiro grupo, misturando batidas eletrônicas com melodias regionais. Música urbana, contemporânea e cheia de fôlego, daquelas que são “tipo exportação”.

As batidas do Eta Carinae são convidativas. A banda assume um risco de misturar sotaques com canções orgânicas, que são preguiçosamente associadas ao genérico World Music. Mas faz essas misturas com segurança e supera pré-conceitos que possam surgir no caminho. Tem groove, com dub, samba e samplers e algo que parece guitarra. Parece, porque tantas texturas convidam até o ouvinte mais desatento a confabular leituras de cada instante da canção.

Dirceu Melo, ex-Jorge Cabeleira, vocalista e dono da idéia da banda, e sua trupe foram espertos. Esse é o som das contradições. Excessivamente urbano e moderno, mas que só encontra liberdade criativa em terras áridas do Nordeste. Como DJ Dolores e Silvério, ele faz uma música boa que vende como água onde quem tem a cabeça aberta para melodias. Pode não ser o tipo de música que lote uma festa no Recife, mas quando entra na ponte aérea São Paulo – França, vira sucesso. A mão dupla do pré-conceito não deixa os modernos daqui aceitarem essa música, mas deixa quem é de fora aceitar, porque nos vê então modernos.

O disco tem 15 músicas. No geral, elas falam do cotidiano, de amores e a constante necessidade do movimento. “As minhas pernas já estão coçando” e “Lua minha, me apresente ao sol / para não ficar só eu e você” estão entre os versos mais espertos de Dirceu. Eles são entoados por Karina Falcão, dona da voz que dá o resgate orgânico e regional para as músicas. Tem ainda trompete, teclado (Andrét Oliveira), bateria (Fabio Xucurú) e baixo (Kennedy Costa), que somam na programação dos samplers (Dirceu).

E a medida que as músicas se reinventam, permitem que “Mirando a Estrela” seja um disco longo, mas sem ser cansativo. A banda se programa para lançar um single virtual, com músicas de graça na Internet, através do selo RecifeRock discos ( www.reciferock.com.br). Também foram escalados para participar do Bananada, festival de bandas independentes em Goiânia. É uma maratona com 15 bandas por dia, durante três dias. O Eta Carinae é a única representante de Pernambuco no evento.

Eta Carinae – Mirando a Estrela
Preço médio: R$ 20

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