Jason numa odisséia pela Europa « Pop up!

O título é pouco original, mas bem eficiente. “2001: Uma Odisséia na Europa”, lançado pelo Jason é, sem dúvidas, a melhor novidade sobre música escrita no Brasil que as prateleiras das livrarias devem receber em 2005. Uma compilação dos diários de viagem que o vocalista (e, por acaso, também jornalista) Leonardo Panço fez quando a banda esteve em turnê no velho continente. De quebra, também as passagens que o grupo fez pelo Nordeste e sudeste do Brasil.

Muito mais que interessante, o livro é necessário. Não se resume a um item de fã (aliás, longe da pretensão de uma banda independente que sempre se pautou pela modéstia), mas sim as respostas para todas as perguntas importantes e bobas que alguém gostaria de saber antes de embalar as guitarras e pratos de bateria para uma viagem em território desconhecido. Se pagam bem, os shows lotam ou, até mesmo, se a cerveja é boa.

De vilas com 10 mil habitantes a grandes centros urbanos como Berlim, Panço (apelido de Leonardo Fernandes Cardoso), explica tudo em detalhes e com muito bom humor. Não tem nenhuma unidade estrutural dentro do texto, que ora aparece com datas, ora sem, mas o autor se mostra sempre consciente disso. Afinal, foram escritos todos em ocasião diferente de viagem, na época ainda sem a intenção de ser publicado em livro, já que os anteriores saíram em versão de fanzine, mais simples e barato.

O Jason descobriu na Europa um paraíso para as bandas de hardcore que conseguem se manter na independência. Mesmo nas cidades menores existem prédios onde em cada andar funcionam estúdios, lojas de cds, selos, espaço para shows e refeitórios. Em algumas, quem decide o valor do show é o público, que paga quanto quer. Em outras, a banda ficava não só com o dinheiro da entrada, mas até mesmo com o do bar. Em todos os lugares, uma sensação de união que vencia obstáculos de idioma, situação que ele até brinca falando “por aqui, essa história de que todos falam inglês é lenda”.

Mostra também que nada é perfeito como se imagina. A banda passou por momentos complicados como 12 horas sem banho, complicação para comprar comida e até mesmo descobrir que tiveram 10 shows cancelados no dia que chegaram na Alemanha. No fim, é um registro que vale a pena ler, tanto pelo bom humor que as histórias são contadas (é difícil encontrar alguém que não adore um “causo”) como pela experiência que a banda ganhou nas terras gringas.

Publicada originalmente em 14.06.05 

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