Mada 2007 – Considerações finais « Pop up!

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NATAL – Festivais independentes estão assumindo, cada vez mais, a função de peneira para a nova música brasileira. É um formato que se repete. Cerca de 30 bandas são jogadas para uma avaliação em três etapas distintas. A primeira pelo público, a segunda pela imprensa especializada e a terceira pelas outras bandas que estão se apresentando. E, por enquanto, essa parece ser a melhor maneira encontrada para uma seleção natural apontar novidades em tempos que qualquer um consegue ter um disco prensado. Neste último fim de semana, o festival Mada, em Natal, tentou cumprir sua parte nessa história.

Foram três dias de apresentações. As atrações principais, para atrair o público a cumprir sua parte eram Nação Zumbi, Mombojó, Paralamas do Sucesso, Detonautas e Skank. Elas não desempenharam um papel muito bom. Com exceção da pernambucana Mombojó e da mineira Skank, que reuniram maior número de público, no geral pouca gente estava disposta a ver o Mada este ano. Nos últimos três anos, o evento perdeu cerca de 40% de seu público.

Estive no evento a convite do patrocinador oficial Tim, para conferir que nomes chamaram atenção nesse vestibular do rock. Tarefa complicada, considerando que muitas das apresentações ainda deixam a desejar. Fica muito claro, nessa nova etapa da música que vivemos, que ter uma boa presença no palco é muito mais importante que ter um disco próprio. Mesmo assim, a maioria das bandas se apresentou como se estivessem dentro de um estúdio, sem público e com pouca motivação.

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Sorte de quem soube aproveitar a vantagem visual. De cada noite do evento, pelo menos dois nomes podem ser guardados. Madame Saatan, do Pará, tem um domínio de público de fazer inveja. A vocalista Sammliz, 32 anos, tem carisma e voz para desbancar qualquer ídolo adolescente. A banda também tem hits, bons o suficiente para sair da apresentação já com alguns bem presos na memória. De todas, essa foi a melhor surpresa do evento. Na mesma noite, Neguedmundo, atração local, dá sinais que a música negra é muito mais forte em Natal que o próprio rock.

Essa preocupação com o palco também foi fundamental para a brasilense Lucy and the Popsonics mostrar que tem muito mais potencial que o apresentado por um show prejudicado pela técnica. Começaram sem os instrumentos funcionando, terminaram com um pequeno número de novos fãs. Tocam rock cheio de programação eletrônica, desse que já é moda, o que tem ajudado eles a fazer quase todo o circuito de festivais independentes esse ano.

Rockassetes (SE), Cabaret (RJ) e a pernambucana Mellotrons são nomes que também sabem a importância que é mostrar algo diferente ao vivo. Ganharam o público que ainda não os conhecia fácil, já nas primeiras músicas. Boas músicas, seus discos já mostraram que eles já tinham, presença e carisma dão o passo adiante. O mesmo para a Superguidis, de Porto Alegre, que tocou na última noite. Tirar oito, de 33 atrações, parece um saldo positivo para o festival, que recebeu respectivamente cinco, dois e oito mil pessoas por noite.

O oitavo nome dessa lista merece atenção especial. Moveis Coloniais de Acaju, de Brasília, é a banda independente com o maior potencial hoje no Brasil, sem sombras de dúvida. São reis no palco, na música – um ska mais pop, divertido de ouvir e de ver – e na simpatia que nunca dá trégua. Fizeram cerca de três mil pessoas resistirem a chuva forte apenas para fazer parte daquele momento. Algo que algumas atrações principais, como o Detonautas, não conseguiu. Se o fim do Los Hermanos deixar uma lacuna para uma próxima grande banda nacional, Moveis Coloniais já é vencedor desse cargo.

Infelizmente, o Mada ainda é carente dos jogadores intermediários dessa partida. A única banda que ainda não está na última fase, mas já acumula muita experiência de estrada presente na programação foi a MQN, de Goiânia. Resultado: jogaram sozinhos e fizeram um show que está longe da performance insana que eles costumam ter sempre no palco. E mesmo numa noite de astral mais baixo, o vocalista Fabrício Nobre, continua como melhor exemplo do que é sempre ter presença no palco. Hard rock com cerveja e palavrão voando para o público, difícil de não se contagiar.

Formatos
O “se” na frase sobre o Móveis Coloniais é o novo ponto fundamental a cada passagem de festivais. O Mada, assim como o Abril pro Rock, reforçaram este ano que o formato clássico, com mais de 10 mil pessoas circulando nos shows, mudou. A tendência parece ser realmente diminuir, perdendo o público que quer apenas balada, para o que se interessa mesmo por música. Reflexão que veio no fim da noite do evento, num papo entre jornalistas e músicos, ao som das últimas músicas do Skank e os primeiros raios do sol.

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