Na estante do novo rock « Pop up!

yyy-1653391

Bata as palmas e diga “yeah”, aliás, diga “Yeah, Yeah, Yeah”. Três vezes seguidas, porque chegou o segundo round das bandas que estouram na Internet pelo menos três meses antes de você começar a ouvir falar nelas. Cinco discos, todos lançados de uma só leva, para um público alvo que já sabe o que esperar (aliás, que já tem todos em MP3). Foram as melhores bandas da semana que vazaram na rede e agora, nas lojas, voltam ao posto de prestígio. Pelo menos dois meses de vida-útil certa, até que o próximo round vier com mais deste “novo rock”. É o método peneira digital dando certo.

No topo da lista, está “Show Your Bones”, da banda Yeah, Yeah, Yeahs. Perigoso, de tão viciante. A banda, formada em 2000, começou fazendo shows de abertura para as bandas The Strokes e White Stripes; origem inconfundível das influências. Eles só ganharam o mainstream indie (se é que isso existe) em 2003, com o hit “Maps”, do primeiro disco “Fever to Feel”. Com execução garantida nas rádios alternativas, eles só precisaram de um clipe dirigido pelo cultuado Spike Jonze (que assina, entre outros, os vídeos do Fatboy Slim) para entre em 10, de cada 10 posts dos blogs sobre música.

Em dois anos eles conquistaram quase tudo, inclusive um elogiado DVD com cenas de dois shows; sinais de uma banda com ritmo “fast food” de vida. Mas em “Show Your Bones”, lançado aqui pela Universal, o YYY volta mais limpo e direto, sem firulas, muito mais legal. “Honeybear” é a prova de fogo. Quem resistir a vocalista Karen O nos refrões “runaway, runaway, you want it”, pode parar por aqui. Aliás, como ela mesmo abre na música “turn yourself around, you weren’t invited” (vire-se, você não foi convidado).

Na sequência, chega também edição nacional do homônimo Clap Your Hands Say Yeah. Disco de estréia da banda, lançado ano passado nos Estados Unidos, conquistou logo de cara um prêmio do site exageradamente criterioso Pitchfork Media (que conta nos dedos a quantidade de notas 10 dadas para discos e bandas). A banda mais hypada do ano vêm de Nova York e tem na lista de fãs o nomes dos David’s Bowie e Byrne; e o segredo do sucesso na música “In This Home on Ice” . “Agora que estou tão triste e não muito bem / eu podia dançar a noite inteira”, são os versos para a pior noite nas melhores festas.

Depois dessas duas, não estranhe quando começar a surgir bandas com nomes longos e divertidos. Mas aquelas com nomes curtos e incomprrensíveis ainda cantam novidades. Dessas, The Brakes é a mais legal. Filha da Rough Trade, cultuada gravadora indie, eles chegam no Brasil via Trama, com “Give Blood”. O disco tem todas as introduções, meios e fins que alguém gostaria de ouvir numa festa decente. Aliás, ele dá a dica disso na ótima “All Night Disco Party”, música feita para ecoar em casas lotadas e abafadas de calor humano.

Quem encerra a lista é o The Rakes, com “Capture / Release” e escalação confirmada no Sonora Festival (ex- Curitiba Pop Festival). A banda queridinha da crítica faminta por criar modas começou abrindo shows do Franz Ferdinand e faz um rock na linha Bloc Party. É produzida, aliás, pelo mesmo Paul Epworth. Se eles são ou não “a salvação do rock” como escrevem por ai, só o tempo vai dizer. Quem quiser esperar, são recomendadas “Retreat” e “22 Grand Job” de trilha sonora para criar um clima mais que ótimista para a resposta final.

Do mesmo saco
Tem muito mais banda de onde essas vieram. Se lançar na Internet, hoje, já é muito mais lucrativo que um contrato com qualquer gravadora. Quem quiser se adiantar, vale uma visita por semana no site MySpace. Estão lá a página do super novo “Be Your Own Pet”, que antes de completar cinco músicas já era capa das principais revistas especializadas dos Estados Unidos e Europa. É obrigatório também fazer o download de “Crazy”, do Gnals Barkley. Parece, mas não é nome de cantor. É como foi batizado o projeto de fim de semana entre os rappers Danger Mouse e Cee-Lo.

Random Posts