O mundo é na Paraiba « Pop up!

Cobertura feita para o jornal A Tarde, de Salvador

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João Pessoa (PB) – É bastante comum aos festivais – sejam independentes ou de grandes corporações – concentraem o evento em torno dos próprios artistas. O que significa um público que vai para assistir aos shows e sem muitas opções além disso. Em sua quinta edição, o Festival Mundo, que encerrou no último fim de semana na Paraiba, conseguiu re-pensar seu modelo e dobrar a frequência em relação aos anos anteriores concentrando o formato não nas bandas, mas no próprio público.

Essa era a primeira impressão ao caminhar pelo espaçoso centro cultural da Usina Energisa, no centro da cidade. Existia muitas opções de circulação e socialização que não envolviam assistir aos shows. A música se transformou no fio condutor para as pessoas se encontrarem e se conhecerem, sem a obrigação dos fãs de algum gênero terem que assistir obrigados a outras atrações. Uma opção acertada, considerando que o festival reuniu samba rock, hip hop, heavy metal, música regional e jazz durante as duas noites que aconteceu.

Entre as atrações, o Festival Mundo conseguiu apresentar novos nomes locais que já tem uma apresentação coerente o suficiente para levar a música da cidade para novos destinos. Cerva Grátis e Nublado chamam atenção em melodias simples e presença espirituosa de palco. A mais nova de todas, Blue Sheep, conquistou pela curiosidade de ver três garotas na faixa dos 18 anos fazendo rock que puxava referências de Jimmy Hendrix a Juliette and the Licks. Viraram a revelação do festival.

A segunda noite teve um encontro incendiário dos dois nomes mais promissores atualmente no rock independente. Black Drawing Chalks (GO) e Amp (PE), decidiram juntar o peso das guitarras em uma apresentação conjunta, com tanta energia que a técnica de som não se sentiu segura em continuar o show após a quinta música. Problema que o festival contornou oferecendo um segundo show das duas, horas mais tarde, no Espaço Mundo, que eles mantem no centro cultural da cidade. Boa parte do público seguiu para lá, sem se preocupar que o sol anunciava a chegada da segunda-feira.

Apesar da diversidade na programação, foi possível ver que as bandas que carregam uma brasilidade no som ainda são as que conquistam melhor o público. O local Chico Côrrea, junto com Guizado (SP) e o Mundo Livre S/A (PE), fizeram os melhores shows do evento. A primeira é quase uma versão eletrônica para o que se escuta na música do Cabruêra, que tem ex-integrantes em sua formação. Já o Guizado, projeto jazzistico de Guilherme Mendonça, despertou mais curiosidade que dança entre o público.

O Mundo Livre S/A quase não deixou perceber o desfalque de um tecladista a menos no palco. Fizeram um show que mostra que o fervor político que marcava as apresentações de Fred 04 estão dando cada vez mais lugar as melodias dançantes. O repertório foi todo com base na coletânea “Combat Samba”, então foi do início ao fim, uma apresentação só dos principais sucessos dos representantes do manguebeat. Nas inéditas, que segundo a banda estarão em um disco a ser lançado em breve sob produção do Dudu Marote, a amor imperava.

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