Page 150 — Pop up!

  • Recife é uma cidade que tem talento para as coisas “quase acontecerem”. Semana passada, um importante produtor me contou uma história de um bar que ele estava nos Estados Unidos. Na mesa do lado, a figura desproporcional e desconfortável do Joey Ramone, junto com seus parceiros de banda. Na mesa dele, um produtor tentando fechar datas. A banda acabou meses depois e Recife ficou fora do mapa.

    Em outro bar, agora na Europa, um amigo apontou. “Viu o Frank Black saindo ali?”. O cara correu, mas não alcançou. Foi um quase mais distante. E talvez essa história de Iron Maiden em janeiro também vire quase. Leitores alertaram para entrevistas em que a banda afirmava que as turnês vão encerrar em dezembro. E que num papo mais específico, o vocalista Bruce Dickson teria afirmado que “Brasil só em 2008”.

    Fica a esperança…
    E já que o assunto é “quase”, vale lembrar que o Interpol está “quase” vindo para o Brasil em janeiro. Fechando datas, etc. A banda é uma hors concours indie – fecham a trindade com o Franz Ferdinand e Strokes – e certamente repetiria o efeito do Placebo, que teve no Recife o maior público do Brasil.

    … e falta de esperança também
    A banda mais legal que eu vi no primeiro dia da semifinal do Microfonia era a desconhecida Sweet Funny Adams. Daquelas que se tiver um empurrãozinho, um polimento aqui e tempero ali, fica pronta para dar certo. Mas, falei com eles depois, e já estão armando malas para descolar shows em São Paulo. E estão mais que certos.

    Música para vestir
    Uma ótima para quem gosta de camisas de bandas é o novo site punkstein (www.punkstein.com). Tem do Franz Ferdinand, Strokes, Arctic Monkeys, Panic at The Disco e mais um monte. Além de bottons, cintos e munhequeiras. Para quem curte indie rock, emo ou só rock do mais básico e cru mesmo.

    Saia de casa
    Hoje de noite tem a etapa final do Microfonia. Aparece lá no Downtown e faça sua aposta. Sexta-feira é dia de pânico nas ruas do Recife com o show do Cordel do Fogo Encantado. Eles lançam o excelente “Transfiguração” na versão palco lá no Clube Português.

    Seção – Coluna

  • Próximo fim de semana são as eleições. Quem acompanha a Folha de Pernambuco, teve oportunidade conferir as propostas que cada um dos candidatos ao Governo tinha em relação à cultura. Nenhum com nada específico para a música. Na verdade, a grande maioria entrou no discurso genérico de que “é preciso dar força as manifestações culturais”, sem algo de realmente concreto. Como, por exemplo, a aprovação da lei da disciplina de música no ensino básico.

    Isso significa que, pelos próximos quatro anos, devemos continuar vendo pólos fundamentais, como o Recife Antigo, completamente vazios. Shows sazonais (um Carnaval aqui, um Sandy & Júnior ali, etc) e mais artistas tendo que se basear em patrocínio público para conseguir fazer um único show. Nem o mais básico, que é super comum em estados vizinhos, fizeram. Que é reaproveitar os espaços de comícios como centros culturais depois do período eleitoral. Uma pena.

    Iron Maiden
    Se você tem mais de 15 anos, já deve ter ouvido essa história pelo menos umas cinco vezes. Talvez mais, se considerar nomes de bandas similares. Mas acontece que, dessa vez, o boato do show do Iron Maiden – agora no Chevrolet Hall, em janeiro – tem um fundo de verdade. Uma fonte garantiu que, inclusive, a banda já teria recebido 50% do cachê. É esperar para ver.

    Porto Musical
    Vai até dia 14 de outubro o prazo para inscrições de palestras e showcases na terceira edição do Porto Musical. Em 2007, o evento será realizado nos dias 7 a 11 de fevereiro, novamente no Recife Antigo. Uma novidade é que esta edição será integrada a Feira Música Brasil. O regulamento para propostas está no endereço www.portomusical.com.br

    Microfonia
    Mudaram as datas e o lugar das semifinais do concurso de bandas. Agora será no palco do Downtown, nesta quinta-feira e na próxima. A ordem das bandas continua. Mudança boa – nada contra o Red Lounge – mas o espaço central deve garantir um público que tem mais a cara do evento.

    Seção – Coluna

  • Para dar conta da entressafra de lançamentos, a gravadora Trama bolou a idéia de colocar nas lojas a versão CD de alguns DVDs lançados em 2005. O primeiro deles é o “Ao Vivo” do Ed Motta (wiki), gravado no palco Directv Music Hall, casa de shows no bairro da Moema, São Paulo. Registro na integra, em disco duplo, onde o músico literalmente “tira onda” com seu talento refinado, intercalando entre as posições de voz, teclado e guitarra, acompanhado por um quarteto.

    Este “Ao Vivo” é da turnê do disco “Poptical“, com direito a alguns sucessos pontuais de Motta. É divertido por causa da fase que representa, ante do super cabeça “Aystelum“, último trabalho dele, também lançado pela Trama. São músicas com mais refrão, mais dançantes e simpáticas. Identificam ele num lugar de classe na música brasileira, longe de qualquer estigma “sobrinho de Tim Maia”, como um multi-artista de qualidade.

    Do pop fácil, quase farofa, de “Tem Espaço na Van”, ele passa pela “Fora da Lei”, “Vendaval” e “Colombina”. Como é um show grande, tem espaço para todas as variações que Ed Motta gosta de fazer em sua música. Reprocessa o funk, o soul e principalmente o jazz. Nas letras, se escondem também uma característica quase exclusive de sua carreira, que são as parcerias com medalhões da MPB. Seu Jorge, Rita Lee e Nelson Motta estão todos presentes aqui na forma de versos.

    Uma coisa legal do disco duplo é que, mesmo sendo um único show, existe uma divisão. O segundo CD é mais dançante e agitado. É o momento realmente funk do show, com direito a uma pequena disputa de jam entre os instrumentistas. E quando chega nesse ponto, se encontra também o único porém de não ter esse material em DVD. Que é a justa graça de poder ver Ed Motta junto com Paulinho Guitarra (que também tocou com Tim Maia), no palco.

    Ed Motta – Ao Vivo
    Gravadora: Trama
    Preço: R$ 28 no Submarino

    Seção – Discos

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    Nos Estados Unidos, os grandes festivais de música têm uma função muito bem resolvida, que é a de criar moda. A programação é feita com mais de um ano de antecedência, tempo que eles têm para transformar aquela curiosa banda escocesa no gigantesco Franz Ferdinand. No Brasil, o Tim Festival cumpre esse papel, ainda que numa proporção muito menor. Depois de passar pela edição 2004 do evento, a Cansei de Ser Sexy entrou no vocabulário de todo antenado de música. O mesmo com Vanessa da Mata, na edição anterior. Este ano, a atenção deveria estar voltada para a curitibana Bonde do Rolê, se eles não tivessem invertido o processo e se transformado em “banda da vez” há já alguns meses.

    “A gente andava conversando exatamente sobre isso, como foi tudo muito mais rápido que para o Cansei de Ser Sexy”, lembra Rodrigo Gorky, DJ do Bonde. O grupo é formado por três pessoas, o outro DJ Pedro D’Eyrot e a vocalista Mariana Ribatski. A música deles começou – e, segundo eles, continua – como uma brincadeira. Uma maneira de misturar o rock mais velho com o funk pancadão. Depois de colocar remixes do Alice in Chains e AC/DC no site MySpace, foram descobertos pelo sempre fissurado pela cultura periférica Diplo (que se apresentou no Abril pro Rock deste ano). Disso para um contrato e o nome na lista das 10 maiores promessas da música publicada pela cultuada revista Rolling Stone, foi um pulo.

    Por isso, ser chamado para o Tim não chegou a ser uma surpresa para eles. “Faz tudo parte de um processo, é resultado do trabalho que a gente fez”, explica Rodrigo, sempre com um tom de nervosismo na voz trêmula. O receio se justifica porque, agora com o festival, eles tem uma fila de jornalistas esperando para entrevistá-los. O sucesso já ficou legitimado. “Mais do que esses jornalistas, a gente está preocupado até com nossa família. É a primeira vez que nossos pais vão ver um show nosso”, comenta, sem esconder o riso da graça da situação. “Eles sabem que eu tenho uma banda que só fala bobagem, quando eu dei o CD para minha mãe de Natal, ela perguntou porque eu fazia aquilo!”.

    De resto, eles estão bem tranqüilos. Rodrigo Gorki explica que entre o rock e o funk, é o público do primeiro que curte mais o que eles fazem. “Nossa, o pessoal do funk acha nojento o que a gente faz, principalmente no Rio de Janeiro”, comenta. Outro motivo, para o DJ, é que o público de rock identifica muito mais fácil as referências nas músicas. “Uma vez um produtor de funk escutou nosso disco e quando falamos que era uma música do The Clash ele falou que nunca tinha ouvido falar nessa banda”, completa.

    Agora, que está com a carreira encaminhada, o Bonde do Rolê começa a preparar o primeiro disco de verdade. “Vai ser todo com composições nossas, porque vimos que fica muito caro conseguir licença de todas as músicas que remixamos”, comenta Gorki. O disco vai ter produção do DJ Diplo, que virou padrinho definitivo deles. Rodrigo promete: “pretendemos lançar em fevereiro, mas antes disso vamos colocar um EP e um 7 Polegadas para vender lá fora e talvez também no Brasil, ainda estamos decidindo como vai ser”.

    Seção – Reportagens

  • Pato Fu volta finalmente para o Recife, já está confirmado. Será para uma apresentação no Clube Internacional junto com a Cachorro Grande, em outubro. Eles vêm para a final do concurso Microfonia, que vai escolher uma nova banda para se apresentar no festival Abril pro Rock, além de 20 horas de estúdio, R$ 4 mil, foto e videoclipe. Antes disso, as seletivas definem dias 27 deste e 4 do próximo mês quem são os sortudos que vão ter a oportunidade de tocar com eles. Uma curiosidade que o Microfonia deixou em evidência foi a falta de maturidade de muitas das novas bandas em não aceitar o resultado final, entupindo o site da Aeso de ofensas pessoais a curadoria do concurso.

    Moda no sul, morte no norte
    Os shows emos andam de mal a pior no Recife. Aditive foi cancelado, a ótima A-OK tocou para apenas 70 pessoas. No último fim de semana, a potiguar Allface também foi cancelada. Esta semana tem o Dance of Days, que está sempre na moda. Se este também furar, podem decretar o fim dessa história aqui na cidade.

    Mundo Livre nas lojas
    Lembram de uma coluna onde falei de um café da manhã entre Fabrício Nobre (Monstro) e Fred 04 (Mundo Livre)? O resultado disso chegou. “Bebadogroove” agora também nas lojas de todo Brasil com prensagem da Monstro Discos e distribuição feita pela Tratore.

    Celular carioca
    O bom fã é sempre obsessivo com o ídolo. Se você não agüenta mais contar os dias para o show que Chico Buarque fará no Recife, já pode passar o tempo baixando clipes, vídeos, músicas e fotos diretos para o celular. O serviço está disponível no site da Tim.

    Oficina
    Zé Brown, do Faces do Suburbio, viaja amanhã para o Rio de Janeiro. Ele vai participar do evento Rio Hip Hop Contemporâneo, ministrando um dos workshops de embolada no rap que já faz aqui na cidade. A pausa não deve interferir no lançamento dos projetos do futuro de Brown, que são um disco solo e o novo do Faces.

    Seção – Coluna

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