Page 160 — Pop up!

  • Outro fim de semana sem nenhuma programação na cidade. Uma vista rápida na agenda e são dois shows cover e um de tributo. No MSN, as janelas pulam com a mesma pergunta sobre o que fazer na noite da sexta e do sábado. Nada para fazer, todo mundo em casa. Do vazio, uma outra janela faz a pergunta se vale a pena mesmo trazer uma famosa banda de Curitiba para a cidade. “Será que vai dar gente?”. Esse mesmo medo, Silvério sente até de lá da Europa, num e-mail que fala “é sempre difícil marcar algo com essa insegurança”.

    O que aconteceu, ou quando aconteceu, ninguém consegue mais delimitar. A turnê da MTV que passa pelo Recife próximo mês já veio perguntando se vai dar gente mesmo, receosos pela última cobertura que fizeram de um Abril pro Rock que recebeu apenas mil pessoas. No meio desse marasmo, duas boas notícias, ambas na improvável quinta-feira. A banda Parafusa desbancou o tabu de bandas de rock e o Downtown Pub, que já tem shows marcados em julho. Até o fim do mês, toda semana vai ter festa no Boratcho, com Schneider Carpeggiani e Daniela Arrais discotecando.

    Os que não foram
    As bandas que agitaram o cenário rock de Pernambuco no passado – leia Devotos, Via Sat e bandas vizinhas – estão planejando um retorno unificado, com força total. Apesar de não terem realmente ido para lugar nenhum, elas acabaram perdendo destaque nas programações do fim de semana. Fique atento para notícias em breve, aqui mesmo na Folha.

    Coquetel Molotov
    Semana passada foram divulgados três nomes para o festival que acontece em setembro. São as internacionais Tortoise, Coco Rosie e Giant Drag. A organização diz que nada está confirmado. Quem está, e essa é exclusiva aqui da coluna, é o jornalista e músico Everett True. O cara descobriu, entre outras coisas, o Nirvana. Se não conhece, vale a pena pesquisar. A boa novidade de bastidores é que, também em setembro, o coletivo planeja lançar seu próprio bar na cidade.

    Microfonia
    Próxima semana será divulgado o cronograma de datas do festival Microfonia. Para quem não lembra, ele estreou ano passado, idéia da faculdade Aeso. A banda vencedora, a Volver, fechou contrato com a gravadora Senhor F, tocou em quase todos os festivais independentes do País, foi convidada para uma coletânea com bandas de grande porte e, para fechar, entrou na revista Rolling Stone Latina.

    Curtas
    O próximo livro da ótima série Iê Iê Iê – que já lançou os fundamentais “Reações Psicóticas”, de Lester Bangs; e “A Última Transmissão”, de Greil Marcus – será o “Origens Obscuras do Rock”, de Nick Tosches. n O portal Música de Pernambuco tem estréia marcada para próxima terça (27) n Até o fim da copa, não tem projeto Seis e Meia no Teatro do Parque.

    Seção – Coluna

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    “Homem Inimigo do Homem”, o novo disco do Ratos de Porão que as lojas recebem nesta segunda (19/06), deve ser o maior “mais do mesmo” por minuto do rock nacional já lançado nos últimos dois anos. E está é a melhor notícia que você vai ter do novo trabalho. Fazer o mesmo punk gritado e rápido – cada dia mais sujo e agressivo – por 25 anos é uma vitória que coloca outros embates, como a pirataria, no patamar da bobagem. Sem contar ainda o mérito de um gênero que bebe de uma fonte quase inesgotável de conflitos políticos e, mesmo assim, consegue fazer 12 músicas em 30 minutos.Ter acompanhado esses 25 anos de carreira do Ratos de Porão continua sem ajudar na compreensão do que é dito. É preciso entrar em sintonia completa com a banda, com o som, com o momento. Uma espécie de transe, que envolvido pela voz de João Gordo, se transforma no protesto “catequese de ódio dentro de mim / inquisição de merda bem bindo ai” ou “hei, moleque equivocado / insensato, sem futuro / de bobera a vida passa na sarjeta / e vai para o esgoto”. Das crises pedófilas da igreja à geração do ser-triste-é-legal, os tais “emo”, o RDP dispara contra todos.

    Num contexto onde as bandas precisam sobreviver cada vez mais com um único single, é o disco inteiro que conta no caso do Ratos. Cada música é uma peça do quebra-cabeça que constrói esse momento aqui-agora de protesto. E a experiência deixa que eles façam isso sem soar cansados (como um velho gordo que aponta o dedo para o adolescente dizendo como ele deve viver). E o mais importante, essa mesma experiência oferece um repertório enorme de palavrões bem encaixados que conseguem deixar um tema sério engraçado, mas sem cair no bobo (de novo, como um velho gordo que aponta o dedo para o adolescente dizendo como ele deve viver).

    Meia hora parece pouco para um disco com tantas músicas, mas é suficiente para entender o recado do Ratos de Porão. E o recado é que eles continuam sem dar a mínima para muita coisa. Estão agora numa gravadora que lança, igualmente, pagodes e rock de MTV, mas mesmo assim continuam fazendo o seu, falando da única maneira que sabem. Uma que nunca vai se tornar um sucesso de vendas, mas que tem competência para sobreviver mais 25 anos.

    Escute aqui: Otário Involuntário

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    Entrevista com Boca, baterista do Ratos de Porão

    * O Ratos de Porão muda muito o discurso de seu protesto. Ao contrário de bandas companheiras, como o Replicantes, que continuam pedindo a paz na terra. Porque esse abandono dos temas com tanta velocidade?

    Cara, tanto o som como as letras refletem um momento que a gente tá vivendo. Quem faz a letra no caso é mais o gordo, mas a gente lê jornal, tá sempre mais antenado com um assunto num determinado momento. Quando esse assunto tá na cabeça ele reflete mais. Disco passado a gente falou da política americana, agora a gente tá falando do papa novo, da escravidão, da molecadinha emo.

    * Esse disco também marca 25 anos da banda. Como é para vocês hoje pensar em novidade para fazer um disco?

    Cara, é difícil. A gente tem uma preocupação em ter uma fidelidade com o estilo de som que a gente gosta e aprendeu a tocar. E continuar fazendo algo relevante, sem fazer uma paródia dos discos anterioreos. Como a gente é viciado em som, tá sempre ouvindo coisa nova, a gente consegue atingir esse resultado. Tem essa sonoridade oitentista, mas tem arranjos atuais.Como a gente nao fica parado no tempo em termo de música, tem cabeça aberta, a gente consegue.

    * E como é sobreviver no Brasil com uma banda punk durante 25 anos? Vocês já pensaram em acabar tudo?

    Cara, isso ai acima de tudo é camaradagem e ter amor ao que faz. Todo mundo adora ter a banda, gosta de tocar e a gente não pode negar que o Ratos proporciona momentos para gente que nao teriamos fora da banda. Fora o convívio que é saudável e legal, todo mundo é camarada, se encontrar para fazer o show no fim de semana sempre é aquela festa.

    A gente nao pensou ainda em acabar, cara. Em 2002 tiveram dois fatores para nos deixar parados por um ano… e acho que isso só veio a favor, foi super benéfico para renovar, refletir. Discutir os interesses que tinhamos com a banda, chegar num denominador comum.

    * Como surgiu o convite para a produção de Ganjamen?

    Cara, o Ganja é camarada nosso a 500 anos. A gente ensaiava num estúdio que era da família dele, do pai e dos irmãos. Como a gente teve problema com o produtor gringo, a gente chamou ele. Ele é um p*** profissional e com a camaradagem a gente confia mesmo trabalhar com ele, porque sabe que ele gosta da banda e vai querer colocar nossos interesses sempre a frente. A escolha do Ganja partiu disso, da amizade, da certeza que ele ia conseguir trabalhar com uma maneria relaxada.

    * Vocês estão lançando agora pela Deckdisc. Já passaram pela Roadrunner e várias gravadoras. Muda alguma coisa? Vocês já pensaram em voltar a um esquema 100% independente?

    Aqui no Brasil isso é um pouco complicado. A gente precisa ter uma gravadora para dar uma estrutura. Ter uma assessoria de impernsa, uma distribuição boa, uma logística. Totalmente independente é uma coisa que não dá para conseguir tirar tudo que um disco pode render. Principalmente o potencial máximo de distribuir e vender um disco novo.

    O que você tem que pensar é que todo mundo vende menos, com mp3 e download. Como você mesmo falou é tanto tempo de banda que faz a gente ser bem realista com mercado, com mudança de cena, não ficar viajando e fazer as coisas certas, sem criar expectativas para nao dar desânimo. A gente tira de letra.

    Seção – Discos

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    É estranho pensar que “Um pé na meia, outro de fora” é o primeiro disco de Tiago Andrade, o Zé Cafofinho. Quem for no show de lançamento amanhã, no Burburinho, vai entender o motivo. O rosto de Tiago já é um dos maiores lugar-comum (sem sentido pejorativo) da música pernambucana. Ele esteve na banda Songo, que ganhou palco e público em São Paulo e na França; na Variant, Originais do Sample, Punk Reggae Parque; nos discos do Eddie, Bonsucesso, Mombojó e mais numa série de outros projetos menores. Os contrastes entre experiência e começo se misturam num discho charmoso, de capa de fosco e tons vermelhos.

    Esse passeio do Zé Cafofinho (e suas Correntes, pelo próposito do disco) traz o primeiro óbvio das músicas. Não tem nada fácil de identificar como sendo samba – a primeira impressão mais forte – ou ska, new-jazz ou um termo que o valha. É uma estética própria, que tem cara de música brasileira e não incomoda em nada por lembrar bastante os sons mais refinados de uma periferia cultural. A melhor maneira de colocar isso em palavras é lembrar que tem lá a rabeca de Zé Cafofinho com uma mistura de baixo de sete cordas, banjo, trompete e bateria. E que é bom de dançar.

    Zé Cafofinho é ao mesmo tempo o que tem de fácil e de difícil no próprio disco. Fácil porque ele trouxe para gravação nomes que funcionam de selo de qualidade máxima do som pernambucano. China, Bacteria (Mundo Livre), Pupilo (Nação Zumbi), Chiquinho e Marcelo Machado (Mombojó) e até a Orquestra Sinfônica representada pelo nome João Carlos. Dificil porque o resultado final, a música, é uma que não remete muito a voz grave de Cafofinho, mas sim uma mais suave. Por isso a primeira impressão pode ser estranha – mas não equivocada). É questão de costume. Pela terceira audição, tudo já parece estar no lugar.

    Nos detalhes, “Pé na meia…” é um disco muito bem montado. “Mucica”, faixa que abre, já mostra o potêncial máximo da banda, em letras que são ao mesmo tempo texto, imagem e som, “O sol prateado da manhã / Vai reluzindo / O tilindim da capela”. Assim como a caixinha que envolve o disco, as músicas de Zé Cafofinho tem um certo charme. Amadurecimento é um processo sempre constante, mas passeando pelas faixas, se percebe que a banda escolheu o momento certo para se lançar para o público, já que até então eles também não estão se apresentando na cidade.

    Escute aqui: Mucica

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    Seção – Discos

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    O Festival DoSol, de Natal, divulgou ontem a programação da segunda edição do evento que, com dois anos, já é o segundo maior de música independente no Rio Grande do Norte e um dos mais importantes no Nordeste. São 39 bandas, num perfil que favorece a produção local de rock com 19 grupos potiguares. Seis pernambucanos foram escalados na programação: Astronautas, Parafusa, Bonsucesso Samba Clube, Mundo Livre S/A, Carfax e Devotos. Os shows serão entre os dias 4 e 6 de agosto.

    Este ano, o Festival DoSol começa a se configurar também como uma plataforma de profissionalização da música em Natal. A programação incluiu um ciclo de palestras, além da presença de imprensa e selos independentes de todo país, para proporcionar a troca de contatos e idéias. O evento vai ter uma festa de lançamento no dia 23 de julho com a gravação de um programa “Banda Antes” MTV, com shows de Zefirina Bomba (PB), Vanguart (MT), Daniel Beleza e Corações em Fúria (SP), Feicheclers (PR), Rock Rocket (SP) e Allface (RN).

    Programação:

    • Sexta, dia 04 de agosto
      POETAS ELÉTRICOS (RN), SIMONA TALMA (RN), PARAFUSA (PE), MAD DOGS (RN), SEU ZÉ (RN), BONSUCESSO SAMBA CLUBE (PE), DUSOLTO (RN), EXPERIÊNCIA ÁPYUS (RN), LUDOV (SP), MUNDO LIVRE (PE)
    • Sábado, dia 05 de agosto
      DRUNK DRIVER (RN), DISTRO (RN), DORIS (RN), DEADFUNNYDAYS (RN), 2FUZZ (CE), CARFAX (PE), AUTOMATA (BA), BUGS (RN), BOIS DE GERIÃO (DF), WALVERDES (RS), REVOLVER (RN), MEMÓRIA ROM (RN), MQN (GO), ZERO8QUATRO (RN), AUTORAMAS (RJ), FORGOTTEN BOYS (SP)
    • Domingo, dia 06 de agosto
      FLIPERAMA (RN), RAVANEZ (RN), POTS (RN) ,DEAD NOMADS (PB), KARPUS (RN) , ASTRONAUTAS (PE), ALLFACE (RN), ADITIVE (SP), JANE FONDA (RN), DEVOTOS (PE), DEAD FISH (ES)

    Do momento
    Em tempos de MySpace, quase não dá mais para dizer que existe uma banda da vez. Gnals Barkley já ficou na semana passada com seu one-hit “Crazy”. Pelo menos até o fim da tarde de hoje, o Bonde das Impostoras vai bater o recorde de downloads de MP3s na rede. Eles são de Curitiba – mesma terra do Bonde do Rolê – e também misturam funk com rock, cantando sobre as pessoas que moram na mesma rua que eles.

    Bagunça
    A Livraria Saraiva cancelou todos os shows de rock que aconteceriam este mês no auditório dentro da loja. O motivo foi uma bagunça que teve no espaço durante uma apresentação da Iupi, a banda emocore – mas que não aceita o rótulo – que se mudou para São Paulo e fez show este ano no Abril pro Rock. A banda tocou na Saraiva a convite da livraria.

    Quase Famosos
    A banda Volver está perto de completar a marca de todos os festivais independentes do Brasil. Depois de se apresentar no Porão do Rock, em Brasília, eles foram citados na revista Rolling Stones. Tudo bem, na edição latina, mas mesmo assim é uma conquista que merece comemorar.

    Lançamentos
    Vale a pena conferir na prateleira mais próxima: Hard-Fi, banda indie mainstream (se é que isso existe) na linha Franz Ferdinand, com lançamento nacional pela Warner. Até o final deste mês deve sair também o aguardado disco de estréia da banda pernambucana Mellotrons.

    Curtas
    A banda Pullovers, de São Paulo, está cotada pra ser a próxima contratada da gravadora Trama, pelo selo Trama Virtual / Parafusa lança o clipe da música “A História do Boi Tatau” na quinta-feira, no Downtown / O festival Do Sol, de Natal, divulga sua programação completa amanhã. Pelo menos cinco bandas de Pernambuco estão cotadas.

    Seção – Coluna

  • Notícias de Silvério

    Por email:
    “A tour foi maravilhosa, o CD novo já está lançado na Europa, e fico pensando em como estamos estáveis por lá! Ainda dei uma esticada no RJ e também foi ótimo a recepcão dos cariocas ve as fotos da Tour http://bateomanca.fotos.uol.com.br/silverio. Divertido”

    O DVD do disco “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” vai ser lançado antes do que você imagina. Nele vai ter esse clipe aqui, da música “Nas Terras da Gente”:

    http://www.youtube.com/watch?v=Us29BzIPAKI

    Take me out

    Queria uma boa desculpa para dar outra fugida da sua cidade? Franz Ferdinand confirmado no Motomix, 13 a 16 de setembro em São Paulo. Até então, o evento só tinha tido DJs meia-boca e projetos curiosos, tipo o de Bid (o cara que produziu a Nação Zumbi). Não é sucifiente? Ladytron e Bloc Party em Curitiba.

    Coquetel

    Depois de dar em primeira mão aqui duas atrações do festival No Ar: Coquetel Molotov (Cansei de Ser Sexy e Jupiter Maçã), as meninas acabaram me falando em outros, até maiores. Pelo tom de deboche, melhor nem espalhar. Mas se você é curioso, pesquise por Nirvana, não pense grande (não é o Foo Fighters), e tente adivinhar.

    Hellcife

    Sábado passado teve um assassinato em uma das poucas ruas movimentadas da cidade. Aquela onde ficava o comércio de “Loló e a Massa” e a encruzilhada entre o reggae e o rap no Recife Antigo. Se prepare então para mais noites vazias.

    Nas lojas

    Se a solução, então, é ficar em casa, as bandas daqui aceleram os lançamentos. Sábado passado foram os Dead Superstars, este fim de semana é o Zé Cafofinho. Na próxima, ou até o fim do mês, é o Mellotrons. Julho também aguarda o lançamento de “Transfiguração”, do Cordel do Fogo Encantado. Agora que o Diversitrônica descobriu que tem fãs, podia começar a pensar na idéia.

    MP3

    Madrugada é também para catar coisa nova. Então escute ai 1990s , Repolho (Escuta a Feio deApé e Sem Dinheiro), a nova do Pullovers e a Orquestra Atari. Melhor foto, a desses últimos.

    • • Feliz dia dos namorados…

    Seção – Blog

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