Page 171 — Pop up!

  • No Abril pro Rock do ano passado, parte da imprensa que circulava no pavilhão do Centro de Convenções fazendo cobertura do evento tentava decretar, frente atrações modesteas, a falência do festival. Avaliação bem precipitada. A 14á edição do festival deu a volta por cima no que parecia ser o pior contexto deles: um ano sem patrocínio privado. Mas, com a aprovação da Lei Rouanet e, pela primeira vez, um patrocínio grande da Petrobrás, o evento faz sua edição com o maior número de atrações internacionais. De quebra, volta ao posto entre os eventos de rock independente mais importante do País.

    As novidades da edição 2006 começam na sexta-feira, que não terá mais a estrutura de dois palcos grandes. “Serão dois palcos menores, com outro jogo de iluminação e fumaça”, adianta o produtor do evento, Paulo André Pires. “De todo esse cenário pop, a música eletrônica foi o que mais cresceu nos últimos anos”, explica o produtor, para justificar a programação deste dia, que será toda com música eletrônica.

    Os já divulgados Diplo (EUA), Stereo Total e Kook and Roxxy (ambos da Alemanha), se juntam a estranha presença dos DJs Igor Cavaleira (Sepultura) e João Gordo (Ratos de Porão). Não é a primeira vez que eles aparecem de DJs. O primeiro com set eletrônico, o segundo na onda rock anos 80. A noite vai servir para começar a empolgar o público para uma nova casa noturna que será inaugurada até o fim do ano. Tudo ainda em segredo.

    Nos outros dois dias, o formato de shows normais voltam com Angra (SP) e a Orquestra Imperial (RJ) sendo as atrações principais. Ainda terá espaço para estréia da Maquinado, nova banda de Lúcio Maia (Nação Zumbi), e do também coletivo Lafayette e os Tremendões (RJ), com bandas cariocas fazendo cover de sucessos da década de 60 da Jovem Guarda. O Mutantes, que circulava como boato, realmente vai voltar. Mas os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista se recusaram a fazer apresentações no Brasil em 2006.

    Debute
    O Abril pro Rock já está se programando para o aniversário de 15 anos, em 2007. “Estamos organizando um livro com a história do festival e também um DVD. Vamos querer ouvir todas as boas histórias que aconteceram no Abril pro Rock”, planeja Paulo André.

    :: PROGRAMAÇÃO

    Sexta: Diplo (EUA), Stereo Total (Alemanha), Kook and Roxxy (alemanha), Dj João Gordo (SP), DJ Igor Cavalera (SP), Montage (CE) e Bloco Mega Hits (PE)

    Sábado: Angra (SP), Atrocity (Alemanha) Leaves Eyes (Alemanha), Forgotten Boys (SP), Cólera (SP), Lou (BA), Terraprima (PE), Ungodly (BA) e Medulla (RJ)

    Domingo: Cachorro Grande (RS), Frank Jorge e Volver, Orquestra Imperial (RJ), Cidadão Instigado (CE), Lafayte os Tremendões (RJ), Camille (França), Parafusa (PE), Carfax (PE) Iupi (PE) e Maquinado (PE)

    :: Leia também

    • Abril pro Rock 2005

    :: Cobertura Abril pro Rock 2005

    • Primeiro dia
    • Segundo dia
    • Terceiro dia

    Seção – Reportagens

  • No meio da década de 90, uma parceria entre o produtor Paulo André e o músico e produtor Zé da Flauta rendeu um disco-homenagem a Reginaldo Rossi. Na época, a banda Cascabulho participou com uma versão de Borogodá cheia de referências ao rock inglês dos anos 80 nos arranjos. Na ocasião da apresentação do trabalho para o rei do brega, Silvério prometeu “meu próximo projeto vai ser um disco com suas músicas”, para a alegria imediata do músico. A promessa ele começa a cumprir essa semana, quando entre em estúdio com a Sir.Rossi.

    “Ele toma um whisky com coca que é uma beleza”, brinca Silvério sobre o trocadilho no nome. A banda é formada pelos músicos Yuri Queiroga (baixo), Tostã Queiroga (bateria) e Renato Bandeira (guitarra), além de Silvério cantando e tocando escaleta e violão. A banda vai receber um reforço de um quarteto de metais montado pelo maestro Spok. “[Reginaldo Rossi] marcou muito minha pós adolescência, eu morava perto dele no Cabanga e minha mãe tem todos os discos, ela é fã mesmo”, diz Silvério.

    “Este ano eu diminui minha agenda na Europa, então, apesar de estar com mais trabalho, quis dar sentido ao tempo aqui”, explica. Um amigo da banda digitalizou toda a obra de Rossi em MP3 e, apartir dai, eles estão escolhendo o repertório. “A gente quer fazer o óbvio da história mesmo, dar arranjos novos para Garçon, Borogodá e os sucessos”, adianta. O disco, que deverá ter 12 faixas, sai apenas no fim do ano. Até lá, a banda vai programar shows em bares e casas menores, no melhor estilo Del Rey, o projeto da banda Mombojó para músicas de Roberto Carlos.

    Uma prévia do disco poderá ser conferida em breve. O selo Allegro, que lançou o recente tributo a Odair José, programa para o primeiro semestre a compilação “Eu sou Cachorro Também”, com bandas tocando clássicos do brega. A nova versão de “Borogodá”, pelo Sir.Rossi já vai ser entregue este mês. Para o projeto final, Silvério ainda precisa acertar questões legais com Reginaldo Rossi, já que seus discos são distribuidos pela Sony/BMG.

    Sobre o Rei do Brega, Silvério já tem o que deve ser a melhor análise de sua carreira. “Ele é classudo, com essa pose de cafajeste romântico. Ele não precisa estar em evidência, que o Brasil inteiro canta o cara. Quando ele quer estar em evidência, ele vai e fica. Coisa de rei”.

    Seção – Reportagens

  • A articulação virtual Nordeste Independente é uma das poucas boas idéias nacionais que envolvem Internet e música. Uma idéia que, por sinal, ainda tem poucos, mas significativos, participantes do Recife. Em poucas palavras, é um espaço para músicos, produtores, jornalistas e interessados em geral trocarem idéias, fecharem shows e festivais, montarem novos sites, etc.

    Um exemplo prático, bandas do mesmo gênero costumam fechar turnês entre as cidades vizinhas, descolando as vezes até hospedagem. Ou, o que é mais importante, dividindo o cachê de uma atração de peso nacional para dar força aos shows. Conseguem também distribuição e parcerias para vender discos em outras cidades.

    No momento, o coletivo está se organizando para transformar o site num ponto de encontro para notícias sobre tudo que acontece de música na região. Para participar, acesse o site www.nordesteindependente.com.br ou mande um email para nordeste-independente-subscribe@yahoogroups.com

    Emos
    Quem curte hardcore vai gostar da notícia. A banda gringa MxPx confirmou um show no Recife para o dia 05 de maio. Os californianos são uma das principais conexões entre a velha guarda do NOFX e essa confusão adolescente que aparece hoje nas reportagens do Fantástico.

    Abril
    A programação oficial do Abril pro Rock sai hoje. Então, para adiantar um pouco: Carfax, Parafusa, Terra Prima e Iupi confirmados entre as atrações locais. Também a dobradinha Volver e Frank Jorge. De Salvador, Lou, uma banda bem parecida com a Pitty. Ainda as bandas Medulla (RJ) e Montage (CE). E tudo promete que a Fernanda Takai esteja no palco, mas talvez não seja com o Pato Fu.

    Online
    Desde o Porto Musical, representantes de vários Estados estão reunidos virtualmente para lançar, ainda este mês, um novo site de música. Será uma espécie de ponto de encontro, onde poderá ser encontrado tudo que é publicado de interessante sobre rock independente nos jornais, sites e blogs pelo Brasil. Nome e endereço, por enquanto, ainda são segredos 😉

    Seção – Coluna

  • Helder Aragão, o DJ Dolores, foi convidado para assinar a trilha sonora do filme Narradores de Javé. Preste atenção em quantos padrões do óbvio vão ser quebrados nas próximas linhas. Ele só está fazendo o lançamento agora, três anos depois da estréia filme. No lugar de usar seu nome, deu ao CD a assinatura de um coletivo de músicos e DJs de peso nacional. Fez tudo usando uma modelo de licença Creative Commons (CC), onde os artistas convidados tinham direito de fazer o que quiser com as composições. Até mesmo ganhar dinheiro com elas.

    Não é apenas um disco é ousado. É também o primeiro, depois de muito tempo, em apostar na moral da própria música, e isso é muito legal. “Entreguei as faixas abertas para todo mundo”, explica Helder. “Alguns usaram só as baterias, outros usaram todos os instrumentos, dei liberdade total para cada um fazer o que quiser”, completa. No time, estão presenças de responsabilidade, como o paulista M.Takara (do Hurtmold), a banda Cidadão Instigado, o rapper BNegão e outros artistas do coletivo Instituto.

    O convite veio do próprio Helder. “Acho bacana você ter sua música trabalhada por outros artistas dessa maneira”, diz o DJ, que não esconde ser tambem fã do Creative Commons. Uma licença que permite o autor dar a liberdade que acha necessária sobre sua obra.

    Essa distância entre filme e disco é exemplo da utilidade da licença CC. “Tive alguns problemas para legalizar a participação de todo mundo”, explica Helder. Se todos já trabalhassem neste formato, o processo teria sido praticamente automático.

    O próximo passo de Dolores é colocar as faixas originais na Internet, com a licença especial, para que todos possam fazer seus próprios remixes. É uma ação inédita para um artista de Pernambuco, a primeira no Brasil que atinge um disco inteiro de um artista que é referência no mercado. Antes disso, Gilberto Gil havia liberado apenas uma faixa em CC, a Oslodum.

    Todas essa idéias nem passavam pela cabeça da diretora do filme, Eliane Caffé. Mas conseguiu casar em 100% com a decisão dela pela escolha de Dolores na trilha sonora. Em entrevista para a revista Época, ela disse que “[na cidade onde o filme foi feito] Algumas casas não tem nem banheiro, mas a população está ligada no mundo. DJ Dolores tem essa nordestinidade contaminada pela sonoridade externa ao sertão”. Comentário exagerado, mas que cabe bem na descrição do CD.

    Disco
    Falar em samplers é sempre complicado. Ainda mais num disco de compilações, que são fomosas por serem sempre tão irregulares. Não é o caso da trilha de Narradores de Javé. A cumplicidade do coletivo Instituto é a primeira coisa que chama atenção no disco. As batidas e remixes tem um carga forte de experimentação, sempre recheada com muita influência hip hop. Vantagem de quem não vai precisar circular com um show deste trabalho. Sempre puxando a próxima faixa, o disco prende o ouvido pela curiosidade.

    jave_cd-4916789DJ Dolores – Narradores de Javé Remix Gravadora: Independente / Distribuição Tratore Preço: R$ 23,90

    Para comprar: Submarino
    Escute aqui:

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Seção – Discos

  • mamelo-8924099

    A música eletrônica se cansa num ritmo impressionante. Só não é mais impressionante que o ritmo, ainda mais rápido, que ela se renova. Características de trabalhos que, na pista, tem uma vída útil bem curta. Esse mês, as lojas receberam representantes desses dois extremos. O primeiro, o cansado, é o remix do remix feito pelo Mamelo Sound System, parte do coletivo Instituto. O segundo, o renovado, é o “Everything Ecstatic”, disco de número quatro na carreira solo do guitarrista Kierram Hebden, que prefere ser apresentado como Four Tet.

    O disco legal, o de Hebden, tem uma sensação de “big band” de jazz nas músicas que saem direto de um laptop. As colagens, envolvidas por remixes e samples, somam numa experiência dançante, divertida e com uma textura bem organica. É boa música eletrônica, que não se vende pela batida, mas sim pelo conjunto, como se os acordes e notas funcionassem como timbres. Você escuta, volta a música e consegue encontrar sempre novos detalhes.

    fourtet-4891794Algumas músicas, sozinhas, já rendem uma boa festa. Outras, no todo do material, acabam estregando um pouco o disco. São lentas demais, reflexivas demais e deixam pesado um um som que já tem muitas referências. Acaba deixando o CD irregular demais. Ainda mais considerando que “Everything Ecstatic” tem apenas 10 faixas. Tirando essas mais tercinadas, faixas como “Sleep, eat food, have visions” e “and then paterns” são viagem pura.

    Já a experiência do Mamelo… é uma coleção de excessos. A começar pela proposta de remixar um disco que já tinha samplers próprios. “Mega-Montagem Urbália”, remix assinado por Tejo, surpreende. Dá a impressão que o restante da faixas vão ser mesmo um bom negócio para o ouvinte. Mas para quem chega com a proposta de fazer uma compilação de mixes, “Operação: parcel ou remixália”, como é chamado o disco, tem muito mais hip hop que o esperado.

    O contexto do disco é complicado. Aa “remixália” é também uma homenagem as referências sonoras da cidade de São Paulo. Mas um lugar de tantos ritmos merecia batidas diferentes. Mas, uma verdade a considerar é que, talvez com apenas o hip hop, o disco consiga comunicar para mais pessoas.Afinal, as ditas “músicas paulistas” sempre são alvo de xenofobia fácil.

    Bom mesmo, é juntar esses dois discos. Selecionar faixas é fácil, mesmo numa audição de 30 segundos de cada. Você anota as mais interessantes, vasculha a Internet e compila sua própria “festa-em-cd”. Afinal, trabalhos com distribuição independente sempre permitem – e agradecem – poder fazer parte desse contexto livre.

    Four Tet – Everything Ecstatic
    Gravadora: Slag Records Preço: R$ 31

    Para comprar: Submarino

    Escute aqui: A Joy

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    Mamelo Sound System – Operação Parcel ou remixália
    Gravadora: YB Music
    Preço: R$ 20
    Para comprar: Submarino

    Escute: Mega Montagem – Urbanália

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    Seção – Discos

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