Page 191 — Pop up!

  • Uma curiosidade em se falar do novo disco do New Order é que a associação da banda com os anos 80 é tanta, que parece que eles estão realmente a 20 anos sem gravar nada depois de sucessos como “Bizarre Love Triangle”. Longe da verdade, o grupo inglês é o único sobrevivente daquela safra que tem boa parte da discografia lançada na década de 90. Por isso, “espanto” está longe de ser o melhor adjetivo para associar a enorme qualidade do novo “Waiting for the Siren’s Call”, que só chega agora no Brasil com o atraso de praxe.

    O disco abre com “Who’s Joe”, quase uma sequência do que se ouvia no disco anterior “Get Ready”. Nas dez faixas que seguem, mostram uma evolução bem clara no trabalho das músicas, que conseguem manter o mesmo clima da década de 80 sem soar saudosista. Boa parte disso se dá aos esforços de Phil Cunningham, novo tecladista que faz sua estréia no disco. Seu instrumento é não menos que fundamental numa banda como o New Order, e é ele mesmo que coloca um pé moderno no som.

    Para os fãs, basta dizer que este é o melhor trabalho do grupo desde Republic, albúm de 93 que foi responsável pela maior estouro da banda. Para quem não conhece, cabe explicar então que “…Siren’s Call” mostra a evolução que bandas mais jovens, como o Strokes, White Stripes e Libertines, devem se apoiar. Façanha exclusiva do New Order, que com 24 anos de estrada, consegue continuar ditanto regra tanto para o velho, quanto para o novo.

    Publicado originalmente em 10.05.05

    Seção – Discos

  • Presa entre uma festa da Trashdance e o Dia das Mães, a expectativa para o show de Ja Rule, sábado passado na Chevrolett Hall, era pequena. Sensação que foi reforçada quando a primeira atração da noite, o DJ pernambucano Elias Cabuzz, começou a tocar às 22h para um público de cerca de 80 pessoas, todos com faixa etária entre 15 e 18 anos. Mas era tudo parte da péssima herança cultural do Recife de sempre chegar mais tarde no show, já prevendo qualquer atraso.

    Perto de terminar seu set (extenso, porque Ja Rule também decidiu comprar a idéia da cidade e demorar a subir no palco), Elias já enxergava poucos espaços entre os grupos de pessoas. A casa não ficou lotada, mas estava ao menos com o “miolo” cheio quando um segundo DJ precisou entrar para fazer transição entre as atrações – vale lembrar que, em termos de Chevrolett Hall, a casa estar cheia significa que ela pode chegar perto das 10 mil pessoas. Para ninguém ficar cansado, músicas paradonas e luzes apagadas até que os Sacramentos MC, de São Paulo, fizessem sua entrada.

    Apesar do preço relativamente acessível (R$ 20 com carteira de estudante), o show de Ja Rule levou à Chevrolet Hall um público classe média alta. A dança “complexa” do hip hop teve todos seus movimentos encenados: aquela levantadinha de mão para cima e para baixo e um passinho de boneco de Olinda (corpo para direita, corpo para esquerda), numa cena de fazer medo a qualquer b-boy mais autêntico.

    Quando começava a surgir à dúvida se aquele pessoal estava ali simplesmente pelo social ou se era realmente para ver o rapper americano, o próprio trouxe a confirmação. Durante todo o show do Sacramento, Ja Rule começou a circular entre o público junto com dois amigos, sendo completamente ignorado em plena pista de dança por pessoas que simplesmente não faziam idéia de como ele aparentava.

    Ja Rule só subiu no palco às duas da manhã. Usou camisa branca, calça jeans, tênis daquele mais comum, bem distante do que se vê, por exemplo, num videoclipe de rap americano (a estética do carrão, das jóias e das mulheres rebolativas). Foi essa pose modesta que criou o momento mais engraçado do show, quando as pessoas, ainda sem saber quem era quem, ficaram olhando para um companheiro de palco que estava de touca achando que ele era o astro da noite.

    Sem suas divas (Ja Rule gravou músicas com Jennifer Lopez, Ashanti, etc), Ja Rule foi acompanhado por um playback com a voz das mesmas. Fez um show com sucessos intercalados em músicas que, mesmo desconhecidas do público, eram boas para dançar. Conseguiu manter a platéia nova (em todos os sentidos) disposta durante a apresentação, mas dificilmente vai cativar algum interessado para comprar algum disco dele. Mas este já é outro problema cultural do Recife, que sinceramente não chega a pesar para o astro americano.

    Publicado originalmente em 09.05.05

    Seção – Reportagens

  • SÃO PAULO – Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, explica: “Não só em relação ao Recife, mas aqui mesmo em São Paulo existem grandes diferenças de público. O astral aqui é um, em outro bairro mais distante é completamente diferente”. Explicação fundamental para compreender a relação público-banda na primeira edição do projeto Palco Pernambuco, que começou por um dos bairros mais ricos da cidade, com Lenine convidando dois artistas da terra, fora um grande nome da música nacional.

    A ironia dessa mistura sudeste-nordeste é enorme, porque São Paulo tem o tamanho necessário para praticar a política multicultural que o Recife tanto defende. Num mesmo dia, Roberto Carlos, Sandy (em seu projeto solo de Jazz e MPB) e o internacional Ja Rule fizeram apresentações na cidade e isso não comprometeu o Direct TV Music Hall de ficar lotado, com fila de gente para entrar muito depois de começado os shows. Diferenças que começam a distanciar o nome do evento do estado que o inspirou.

    A noite abriu com Cordel mostrando uma empolgação de palco imensamente maior que a última apresentação no Recife, que aconteceu no Clube Português junto a DJ Dolores. Lirinha, que mora hoje num bairro vizinho onde aconteceu o show, jogava corpo e voz para todos os lados, num nevoeiro enorme de gelo seco que cegava o público. Melhor assim, porque quando a fumaça dissipava, mostrava uma platéia paulista extremamente respeitosa. Todos parados, com olhar fixo no palco, sem o menor sinal de dança.

    O show, que teve seis músicas inéditas (duas instrumentais), encerrou já em clima maior de cumplicidade com os presentes. Vantagem de Lenine que, mesmo cantando apenas músicas do ainda muito recente trabalho In Cité, conseguiu arrancar uns pulinhos do público. A empolgação ia aumentando com as pessoas cantando em coro, contagiando um pouco o vizinho e, aos poucos, dando animação à noite. A banda se prepara para gravar um DVD “MTV Apresenta” em junho e promete essas inéditas para um disco em agosto.

    O anfitrião da noite apresentou sua grande aposta da música pernambucana, Junio Barreto. “O mérito é dele, o talento é dele”, comenta mais tarde sobre sua escolha. Compositor de primeira linha, a voz de Junio hipnotiza o público, que ai sim pega fôlego para fazer uma troca de energia mais intensa com os músicos. Nessa hora já tem gente dançando em cada esquina da casa de shows. Quando encerra sua passagem e Lenine fala quem está chegando, os paulistas mostraram realmente porque vieram.

    Maria Rita é a dona da noite. Aparece e o povo grita histérico (tipo de reação que o Cordel costuma ter no Recife), entra em êxtase. Assim como Junio Barreto, canta só duas músicas e uma outra acompanhada por Lenine. Faltando ainda 20 minutos para o Palco Pernambuco encerrar, o público se confessa pouco interessado no restante. Várias pessoas já começam a deixar o local junto com Rita.

    Mas ela volta, para um momento de encerramento final. Junto também com Otto, que toca na edição do Rio de Janeiro e estava acompanhando os shows. Com cinco horas de duração, o Palco Pernambuco termina as duas da manhã mostrando uma realidade bem distante do Recife. Organização impecável e bem despretensiosa que escolheu um espaço pequeno, mas com lotação garantida. * O jornalista viajou a convite do evento.

    Publicado originalmente em 07.05.05

    Seção – Reportagens

  • Monteiro, Paraíba. Jotinha, ao comemorar 10 anos, ganha do pai uma sanfona de 60 baixos. Com sonho de ser artista, trabalha para conseguir fazer do instrumento a porta de entrada para o mundo música. Chama amigos, faz algumas apresentações, monta uma banda. Em 1995 lançam um disco independente, distribuído apenas pelas rádios da região. Modéstia que acabou já no segundo, com 200 mil cópias vendidas em todo o país, garantia certa de um contrato com a Sony Music.

    Recife, Pernambuco. Dez anos depois daquele primeiro lançamento, a banda de Jotinha, o Magníficos, é o maior fenômeno do forró eletrônico no Brasil. Para comemorar, eles lotaram o Chevrolett Hall para a gravação do CD e DVD de aniversário que chegam juntos nas lojas. “É o sonho de qualquer banda ter seu DVD, também é o nosso que se concretiza agora”, responde Josivan (irmão de Jotinha, que hoje apenas produz o grupo), apressado entre uma foto e outra. Eles fizeram uma passagem rápida no Recife para um show no Internacional e apresentações na televisão.

    Décimo segundo disco da carreira, “Uma história de sucesso” reúne 14 faixas. Na grande maioria, sucessos que continuam vencendo barreiras do tempo, como “Me Usa”, de 97, à músicas do último CD de estúdio, como “É chamego ou Xaveco?” e também inéditas. Como não podia deixar de ser diferente num show do Magníficos, a participação do público é total. A vocalista Sâmya Maia conversa com os 16 mil presentes, brinca e chama para cantar em coro, passando todo o clima do lugar para quem escuta o CD.

    O trabalho visual não ficou só no figurino, mas também numa coreografia entre iluminação, gelo seco e vários jogos de imagens num telão por trás dos dançarinos. Apesar de ter sido gravado em apenas uma noite (a maioria das bandas fazem duas ou três, para terem muitas imagens de palco), a edição do disco é bem criativa. Consegue usar várias câmeras diferentes sem comprometer a seqüência dos shows, erro comum quando um artista aparece cantando um trecho da música que já passou.

    Os extras do DVD, apesar de poucos, são bem eficientes na proposta de contar a história da banda. Além da opção de escolher momentos específicos no show, o disco chega recheado de depoimentos e entrevistas inéditas com várias pessoas que acompanharam a trajetória do Magníficos, sempre dividindo espaço com imagens de apresentações.

    Depois da divulgação em Recife, a banda partiu direto para o Rio de Janeiro, com agenda lotada para o fim de semana. Eles tocam nos dias 6, 7 e 8 na quadra da Grande Rio, estádio do Geraldão e RP 1000, respectivamente. De lá, continuam turnê de divulgação pelo país, com datas ainda não confirmadas.

    Publicado originalmente em 05.05.06

    Seção – Reportagens

  • Domingo, 24 de abril, fim de semana sem agito na cidade, os cadernos de cultura em Pernambuco não destacam nada de novo nas capas. Como no Brasil não existe prática de colocar assuntos culturais na primeira página do jornal, todos também deram suas chamadas aos resumos esportivos e policiais da cidade. Já bem longe daqui, em New Orleans, nos Estados Unidos, quem acordou cedo para comprar o principal jornal da cidade, viu na capa a foto de um show. No palco, um recifense, Charles Teony.

    O jornal mostra a atração de maior destaque no maior festival de jazz do planeta. Rotulado de “jazz percussivo brasileiro”, o recifense que tocava no Maracatu Nação Pernambuco traz, na verdade, o que ele chama de “MPB na perspectiva de quem rodou o mundo”. Apesar da agenda recheada na cidade, ele confessa que nem esperava o sucesso na crítica. “Um amigo me ligou falando do jornal. Foi um presente enorme”.

    O primeiro disco de Charles já está em fase de pós-produção. “As apresentações lá ajudaram a chamar atenção de algumas gravadoras. Com o material pronto vou avaliar qual a melhor maneira de lançamento”. O CD foi todo gravado no estúdio Baixo Leblon, de Alceu Valença. Até lá, ele está com malas prontas e shows marca para uma temporada na Europa.

    Publicado originalmente em 04.05.2005

    Seção – Reportagens

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