Page 192 — Pop up!

  • Atenção: Isso aqui não é nem resenha, nem crítica, nem nada. É um texto velho do meu blog antigo, que postei aqui apenas de teste. Não tomem o que está escrito como uma opinião crítica minha. Foram só coisas que escrevi a medida que surgiram na cabeça.

    Algumas bandas conseguem criar uma imagem maior que o próprio trabalho. A Bonsucesso Samba Clube conseguiu isso junto com a Eddie, ao transformar em música um discurso que a cidade de Olinda era bastante carente. Isso nem sempre é bom. Não é bom porque o público, geralmente, acaba esperando bem mais, uma sequência do clichê “o samba chegou / original olinda style”. O CD da banda chegou hoje no jornal em nome de outra pessoa, que acabou me entregando no horário de maior correria e barulho. Fugi para escutar com calma. Senti que perdi meu tempo.

    “Tem arte na barbearia” é um disquinho sem muita comoção. A banda costuma dizer que começou mais bossa e parece que estão querendo voltar para lá. Ruim, para quem lança um CD na véspera do carnaval. Acho que a melhor analogia a fazer é que, escutando o primeiro disco da banda, a gente sentia que algo estava acontecendo ali. Era um som bom, mesmo que não fosse novo. Tinha um texto local, que se recita sorrindo com o tamanho da verdade. Este caminha pela contramão.

    A banda está se garantindo mais nos instrumentos. A gente não escuta efeito, nem rebite nenhum na música. Isso é bom. Mas eles aproveitam para diminuir o volume num ponto que fica dificil pensar em um show com repertório que cante a Bonsucesso de antes e depois. Tirando uma faixa que chamou atenção, o resto parece ser bem preguiçoso.

    Não gosto dessa cena de Olinda. Tudo me parece muito decadente, eles não articulam um site, não soltam uma mp3, não fecham um show decente. Isso porque nesse samba jovem, Pernambuco só tem espaço mesmo para Mundo Livre. Estas outras tem uma função mais social. Tomar cerveja é pretexto para jogar conversa fora, ouvir Bonsucesso é pretexto para tomar cerveja. Logo, você escuta baixinho, de fundo enquanto joga conversa fora.

    Seção – Discos

  • Esse momento foi surreal. Lembro quando liguei do elevador do hotel para uma amiga e disse “estou indo entrevistar o Placebo agora, e vai ser exclusivo, o que eu pergunto para eles?”. Gaguejei, errei o inglês e, no fim, acabei pagando de fã da banda. Uma pena que o jornal tenha cortado parte da entrevista por falta de espaço.

    Agenda de banda internacional, quando vem para o Brasil, é sempre a mesma. Os integrantes chegam no hotel, respondem às perguntas para os jornais todos de uma vez só, fazem o show e vão embora. Rompendo com essa rotina, a Folha de Pernambuco foi o único jornal que do País que conseguiu, até agora, um momento exclusivo com os ingleses que estréiam a nova turnê. Confira os detalhes:

    • A maioria dos grupos ingleses que estouraram junto com o Placebo estão lançando coletâneas, inclusive vocês. A banda acredita que o rock britânico passa por uma crise criativa?
      BRIAN MOLKO – Não, de jeito nenhum. As pessoas pensam isso porque preferem olhar para o passado e dizer que, hoje, nada que é feito presta. As coletâneas estão aí porque as bandas estão em turnê e um disco novo não surge do nada. É um reflexo dessa situação.
    • As bandas internacionais que se apresentam por aqui sempre mostram performances inferiores ao que se assiste na TV. A turnê brasileira vai ganhar algum momento exclusivo?
      Exclusividade é uma questão de público. É sempre uma troca de energia que existe entre a banda e quem está na frente do palco. Não planejamos nada, mas se o público brasileiro fizer essa troca, eles terão um momento único.
    • Vocês participaram de uma coletiva em São Paulo, onde perguntaram insistentemente se a banda se considera um grupo de Glam Rock, mesmo com vocês negando. Porque vocês acham que isso aconteceu?
      Fico feliz que você tenha perguntado isso, porque estamos decepcionados com os jornalistas brasileiros. Nossa recepção aqui foi preguiçosa, com as pessoas fazendo associações com um vídeo onde aparecemos sete anos atrás e com bandas que acabaram muito antes de começarmos. Esperamos que o contato com o público seja diferente.

    Seção – Reportagens

  • Com público pequeno – entre 3 a 4 mil pessoas – e clima super tranqüilo, o domingo do Abril pro Rock foi o dia mais cansado de todo o festival. A dispersão do público passava uma sensação forte de evento social (e não de música), salvo raras exceções quando alguns curiosos decidiam conferir o que estava rolando no palco. Com quase uma hora de atraso, o Superoutro começou a noite mostrando novo vocalista e identidade sonora (até então, as músicas sempre valorizavam mais o instrumental).

    O grande momento começou cedo, na apresentação do Gram, que reuniu o maior público da noite. Com direito a coro, mãos levantadas e até tietagem pós-show. Logo em seguida, o exótico ditou regra no pavilhão do Centro de Convenções, quando o Legendary Tigerman mostrou seu blues melancólico, com leves doses de energia e pouco atraente para o perfil do festival.

    Foi a mesma sensação que permaneceu na dispersada apresentação do DJ Dolores, na imagem excêntrica de Daniel Beleza (que teve o som desligado pela produção antes de acabar o tempo do show) e na estranha parceria de Arto Lindsay com Mombojó. O produtor está no processo de assinar contrato para se apresentar no Festival de Inverno de Garanhuns. A ironia ficou com o azar da Volver e do Leela, que por serem mais comuns, acabaram como os estranhos da noite.

    Quem foi no domingo guardou a empolgação para o show do Orquestra Manguefônica. Repetindo a fórmula que deu certo no Rio de Janeiro, eles deixaram a pegada dub de lado e resolveram colocar o bom rock’n’roll no tom das músicas. Consagrando a presença deles, o curta O Mundo é uma Cabeça, com imagens inéditas de Chico Science, foi exibido duas vezes na noite.

    Publicado originalmente no dia 19 de abril de 2005

    Seção – Reportagens

  • O impacto da primeira noite do Abril pro Rock foi tanto que, no show do sábado o assunto principal que se falava pelo pavilhão do Centro de Convenções ainda era a noite de sexta-feira. Segundo a organização do evento, o público médio foi de nove mil pessoas (sendo cerca de 500 convidados não-pagantes). Para se ter uma idéia, no ano passado, a primeira noite do festival reuniu três mil pessoas, já contando com os convidados. O espanto só dava espaço para um outro assunto no dia, a expectativa de qual reação o público teria com a atração Massacration.

    Quem veio de fora chegou a pensar que a primeira apresentação já era uma atração de peso do sábado. Abrindo a noite, a local Silent Moon mostrou a união do público de metal do Recife, que fez questão de fazer volume desde cedo nos shows. Em seguida, o Chaosphere foi a primeira a se beneficiar com o esperado atraso do Sepultura, que veio direto de outro show em São Paulo, e pôde ficar mais tempo no palco.

    Uma curiosidade na apresentação seguinte, do Dead Fish, é perceber como o Recife é um reflexo da carreira da banda. Na primeira apresentação, no finado Dokas, a banda era completamente desconhecida e hoje cativa um público carente até mesmo por um olhar. Foi o primeiro show da noite a lotar de gente até onde a vista alcançava no palco.

    O vocalista Rodrigo, não se deixa iludir: “a gente sempre teve muito pé no chão, então encaramos esse crescimento da banda com grande naturalidade, aproveitando o máximo possível”.

    Com o público bastante cansado e esperando ansioso para a presença do Massacration, os baianos da Retrofoguetes foram os maiores injustiçados da noite. Mesmo com um show excelente, emplacaram apenas alguns poucos curiosos na frente do palco. O guitarrista Morotó arrisca ainda um outro motivo. “O Brasil tem uma cultura de vocalistas muito forte e sempre mostra resistência para uma banda totalmente instrumental”.

    Se existia alguma dúvida da recepção que os comediantes da MTV, Hermes & Renato, teriam ao fazer gozação da cara dos fãs de heavy metal, ela acabou já na introdução da banda.

    O personagem agora era um cantor de MPB, fazendo poesia com o violão, até ser espancado pelo sem noção Joselito, anunciando a entrada da “maior banda de metal do universo”. Numa apresentação de pouco mais de 20 minutos, o pavilhão do Centro de Convenções teve a maior concentração de público na noite.

    A grande ironia do sábado foi o Massacration ter deixado o público do Shaman (uma banda de metal de verdade) bem cansado no show.

    Mais uma vez, para garantir a presença do Sepultura, a apresentação teve que ser esticada e somente um pequeno grupo de pessoas insistia em bater cabeça perto do palco, com o resto assistindo com muito mais calma. Mesmo assim, o grupo não deixou de fazer reverências ao Recife, que foi o primeiro palco da banda.

    Com quase duas horas de atraso, o Sepultura mostrou que tem sempre energia de sobra para dar ao público. Começaram com uma apresentação profissional até nos diálogos com a platéia, mas logo abriram o repertório para fazer um show com a cara deles, fazendo covers de Black Sabbath e atendendo aos pedidos dos fãs.

    Publicado originalmente no dia 18 de abril de 2005

    Seção – Reportagens

  • Fazia tempo que tanta gente não ia para o pavilhão do Centro de Convenções assistir ao Abril pro Rock com tão boa vontade. Mesmo com um público de imagem excêntrica, predominantemente para ver o Placebo, a estréia da 13ª edição do festival mostrou como a carência do Recife por shows de grandes nome é capaz até de mudar velhos hábitos na cidade, como o de comprar ingressos antecipados. Até ontem, o número de vendas já superava, em muito, o dos anos passados. Afinal, ninguém queria ficar de fora para o evento do ano.

    Um fato interessante este ano foi que os shows começaram pelo não oficial palco três. A banda The Playboys alugou um espaço para stand e, no lugar de roupas, ofereceu uma pequena apresentação, reunindo considerável público. Para quem não cogitava ser possível pagar pela presença no Abril, a banda dá a receita: meros R$ 250 para estar entre o maior público de Rock’n’Roll do Norte-Nordeste. E não ficou apenas no início, uma canja com a lenda de minas, Wander Wildner, atraiu muito mais gente já depois de começado os shows.

    No momento do Claro que é Rock,a banda de Natal, Bugs, conseguiu, em 20 minutos, cativar todo mundo que lotava o espaço do palco dois – muito bem arquitetado com telão de fundo, mostrando o nome do grupo – arrancando gritos de euforia entre cada canção. Durante as apresentações, as polêmicas não paravam de circular sobre a presença no júri dos produtores de dois concorrentes, criando tensão sobre o resultado final, que decidiria qual representante do Nordes-te estaria na etapa final de São Paulo.

    As preocupações deram espaço e força para a anunciação dos cariocas Los Hermanos. O palco um, até então com sua frente ocupada por fãs do Placebo que queriam garantir espaço, foi invadido por uma multidão. Curioso perceber que a banda consegue reciclar seu público e, ainda assim, manter unidade de comportamento. Quem gritou nos últimos shows, agora assistia de longe, reconhecendo os novos donos de uma idolatria que parece, cada vez mais, sem fim.

    Encerrado o empurra-empurra de uma hora, o festival da Claro retoma para dar tempo da atração principal preparar sua entrada. Sobem no palco as duas promessas da noite e, perguntada sobre a expectativa e o júri de produtores de concorrentes, a Star-61 já se declara não vencedora. Miranda, responsável pela gravadora Trama, produtor da Zeferina Bomba (PB) e jurado, se defende, “Quem me conhece sabe que meu julgamento é imparcial. Além do que, tenho muito contato com todas as bandas participantes”.

    Entra, então, o grande momento da noite. O Placebo, banda da Inglaterra que toca uma evolução do rock de David Bowie e The Smiths, faz um show longo com mais de uma hora e meia. Os fãs mais ligados devem ter percebido que a ordem das músicas foram exatamente as mesmas das tocadas recentemente na Argentina e México, incluindo o supostamente inesperado retorno do palco. Numa turnê só de sucessos, a banda agrada, de mão cheia, os presentes, que tem apenas aplausos.

    Logo em seguida, Roger, que também fez parte do júri, anuncia o resultado do concurso. A própria Star 61, que momentos antes estava desacreditada com o evento. Eles receberam R$ 15 mil em instrumentos e a oportunidade de se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro.

    Publicada originalmente no dia 17 de abril de 2005

    Seção – Reportagens

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