Page 48 — Pop up!

  • Apesar do festival ter começado já em ritmo acelerado, o segundo dia do Recbeat foi mais morno. Pelo menos dois fatores esgotaram com um pouco da empolgação das pessoas. A primeira foi a ressaca da chuva no dia anterior e, em segundo lugar, a infernal aglomeração que estava lá desde o começo da tarde para ver o bloco Quanta Ladeira. Eu devo estar entre as poucas pessoas que vão até o Carnaval, mas não se convencem com as letras de escracho sem trocadilho pela trupe. Muita gente no palco sem fazer nada, muita piada interna (tem até música para o drugdealer deles), muito desencontro que uma hora chega a ficar sem propósito.

    Tá… fez piada com Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Mas quem é que não fez?

    Talvez meu incomodo maior seja porque o bloco não agrega em absolutamente nada ao Recbeat. Terminada a apresentação, quando a banda River Raid subiu ao palco, o pólo já estava angustiante de tão vazio. Quem ficou, conseguiu conferir um dos melhores shows da noite. Tudo bem que rock, cheio de guitarras, combina cada vez menos com a programação do festival, mas foi uma oportunidade para ver o resultado do que aconteceu com a banda depois de tantas andanças pelos Estados Unidos.

    A sequência seguinte parece um tanto sem sentido. O norte-americano Clayton Ross trouxe um country quase forró. Me parece ser o tipo de música interessante num contexto de World Music, mas mostrar para o Brasil mais de música brasileira não tem tanto impacto. Me fez pensar até em bandas de rock daqui tocando rock lá fora e como eles devem causar a mesma impressão de tédio. Acabou virando a “banda da cerveja” para muita gente, que usou o show para circular. Eu fui ver o Mundo Livre no Marco Zero, junto com Eugene Hurtz e Manu Chao.

    A apresentação de Victor Araújo também me soou sub-aproveitada. Essa foi a primeira vez que o vi cantar, além de tocar piano. E, nesse formato, realmente sua apresentação ganha uma proporção muito maior e melhor quando é apenas instrumental. Mas o forte dele ainda é a performance. Mas Victor tocava um piano preto, em um palco preto, vestido de preto e, não fosse suficiente, de costas pra o público. A falta de cuidado cenográfica pesou muito contra para quem assistia o show do angulo de visão do público.

    O angolano Wysa acabou sendo prejudicado pela onda irregular da noite. Seu show – música pop da Ângola, surpreendente e muito empolgante – demorou para pegar ritmo. Mas na segunda metade, já trazia de volta ao Recbeat o verdadeiro clima do Carnaval. Em parte pela participação especial de Zé Brown, ex-Faces do Subúrbio, que acelerou o ritmo da noite. Ficou a vontade de ver esse show fora do contexto de um festival. Foi uma das melhores surpresas até agora.

    Não vi o show inteiro da Eddie, mas ai também já era jogo ganho. Apesar do mote do novo disco, o repertório ainda foi mais com músicas de trabalhos passados. Só fiquei com duas ressalvas. Acho que um letrista tão genial como Fábio Trummer não deveria se apoiar tanto nas músicas de Erasto Vasconcelos. Fico com a impressão que ele acaba perdendo apresentações no Carnaval por conta disso (que eu chamo de “efeito Sir Rossi”, pelo que a banda cover de Silvério acabou fazendo com Reginaldo Rossi). Ouvir o Baile Betinha em outra voz que não a de Erasto é quase pecado. A segunda ressalva é a versão para Nantes, de Beirut. Ficou horrível.

    Mas acho que não representou nem 1% do show. Cheguei a pensar que o fosso em frente ao palco fosse derrubar de tanta gente dançando enlouquecida. Estou sem fotos. Minha câmera quebrou no primeiro dia do Recbeat. Vou atualizar aqui quando a assessoria do festival passar as de divulgação.

    Seção – Reportagens

  • Primeiro dia incomum, esse do festival Recbeat. O palco mais diversificado do Carnaval de Pernambuco virou o único palco, pelo menos na abertura da programação. Uma chuva, do tipo que Recife não via já tem muito tempo, fechou todas apresentações que aconteciam no bairro do Recife Antigo. O palco principal, no Marco Zero, chegou a se deslocar sozinho por mais de um metro. Isso acabou ajudando uma maior concentração de pessoas, coisa que não costuma acontecer no primeiro dia de Recbeat. Isso + chuva + Eugene Hurtz insano no palco fez parecer que já era o encerramento. Ecos da noita histórica com Pato Fu em 2008 passavam na memória de todos.

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    No geral, foi uma noite mais descompromissada. Talvez com exceção da potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, que tinha o show mais ensaiado, as outras atrações que passaram no palco estavam em clima de descontração. A começar por Catarina Dee Jah. Esse foi o segundo show que vejo dela e, pelo menos nessa noite do Recbeat, parecia que a presença dela no palco tinha melhorado quase que exagaradamente (o que se justifica, afinal, o show anterior que eu tinha visto foi o primeiro que ela fazia na carreira). Acho que pouca coisa não funciona no Carnaval do Recife e, por isso, o brega modernoso dela até agradou. Mas com o começo pontual do festival, às 20h, pouca gente arriscava ganhar banho de chuva.

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    O bom de uma programação enxuta (sem trocadilhos. São quatro por noite) é que permitem apresentações mais longas. Com quase uma hora de show, a chuva já tinha ido embora e mais gente se acumulava para ver o começo da Camarones. Outra que também parece ter crescido um monte desde a última vez que pisou no Recife (e olha que não faz tanto tempo assim). Cresceu principalmente a parede sonora deles, algo importante para uma banda instrumental. O impacto das músicas são bem mais fortes, ao mesmo tempo em que elas estão mais pesadas e encorpadas. Foi o show mais redondinho da noite e o único que parece ter sido ensaiado. O que não tirou a espontâneidade deles, que conseguiram fazer um show acima da média sem todos os equipamentos no palco.

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    O que aconteceu é que a urucubaca da primeira noite do Carnaval também atingiu o Recbeat. O festival por pouco não segue os palcos vizinhos no cancelamento. O chileno Original Hamster também tocou sem parte dos equipamentos de palco, o que deixou o som um pouco mais baixo que o normal, algo que prejudica uma apresentação de um DJ solo. Ainda assim, foi ele quem começou a dar a forma dessa edição 2009 do festival. O começo foi bem modesto e ele até tocou remixes famosos (mas de outros DJs), até pegar o microfone e começar a cantar e instigar o público, que nessa hora já estava no clima certo para a noite.

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    Se eu tivesse que escolher um show para a noite, seria o do DJ Dolores. Geralmente as apresentações que ele faz com banda costumam ser mais melódicas, mas para o Carnaval ele preparou um formato totalmente a favor do harmônico. Com Jr. Black (Negroove) no microfone, cantando quase como se estivesse sendo remixado ao vivo, ele deu uma nova cara a antigos hits e fez a apresentação mais animada (e honesta) de toda noite. A única coisa deslocada foi uma “boxeadora” que ficava rodando pelo palco sem fazer muita coisa. Era pelo mis-en-cene, eu sei, mas ficou informação demais.

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    Por um momento, parecia que o show do Gogol Bordello (que resolveu tocar com banda e não sozinho) chegou a ser mesmo uma alternativa muito melhor que o Afrika Bambaata, que tocaria originalmente na programação. Eugene Hurtz é um tipo de Kramer dançarino e perde totalmente os bons costumes quando está no palco. É bem louco, correndo, pulando e gritando como se sobreviver dependesse da adrenalina de todos. E a turma até que foi na onda dele também, fazendo o mesmo.

    Mas o show teve uma pitada forte de enrolação. Por que, na verdade, ele estava apenas trocando uns CDs para tocar, cantando por cima de uns e dançando em outros. Perdeu totalmente o sentido quando ele começou a tocar O Pobre dos Dente de Ouro, do Cidadão Instigado e, depois, Alceu Valença (sério). A partir dai ficou parecendo apenas um daqueles DJs bebados estraga festa. Mas isso foi para quem tava sóbrio, vendo o show quase sentado. Para o público, tudo era festa.

    Seção – Reportagens

  • Vocês já se ligarem que o Marcelo Camelo tem um canal de vídeos no YouTube? E ele juntou vários vídeos de fãs cantando a música “Liberdade” em um único clipe. É meio manjado, mas o resultado ficou bem legal:

    Vale muito a pena dar uma olhada no canal. Entre outros vídeos, tem até a Orquestra YouTube. Olha que louco:

    Seção – Blog

  • Por falar em Autoramas, olha que legal essa entrevista que Gabriel Thomaz deu ao Last Splash. Ele fala sobre vinil, selos independentes, mercado brasileiro e compara a cena da década de 90 com a atual.

    Seção – Blog

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    De: Sorocaba
    Selo: Tronco
    Para quem gosta de: Rapture, Charme Chulo

    A primeira grande aparição que a The Name fez para o público de fora de Sorocaba foi em 2007, durante o Goiânia Noise Festival. Naquela época, selecionados por um concurso da Trama Virtual, a banda ainda era bem diferente dessa que lança agora o primeiro EP. Eram uma banda com mais referência no rock inglês da década de 80, empurrando sotaque brasileiro no grave de uma voz que, por pouco, não seria a do Ian Curtis.

    Mas a apresentação em Goiânia funciona como um divisor de águas na história do trio. Quem assistiu aquela apresentação foi o, recém retornado ao Brasil, produtor Eduardo Ramos. Nos vai e vens de declarações na imprensa durante o caso do Cansei de Ser Sexy, o agora ex-empresário da Slag Records dizia que continuaria com a vontade de produzir uma banda. E ele direcionou essa vontade para a The Name.

    Assonance”, a real estréia deles para o mundo independente, é um EP intrigante. A The Name quer conquistar os palcos tanto quanto as pistas de dança. As batidas eletrônicas mais aceleradas só não causam mais impacto na primeira audição que a voz, agora assustadoramente aguda. O electro-indie-rock vem embalado em ritmos brasileiros, com ecos do swing latino que é tão associado a esse lado do hemisfério.

    A iniciativa ousada faz dessa um tipo de banda quase rara no Brasil. O sotaque do interior paulista está lá, só que agora soa muito mais modernoso que a própria maior metrópole do país. Curiosamente, igual como aconteceu com a também sorocabana Wry. A The Name canta em inglês sobre celebração. É exatamente o que deveria ter acontecido com a música do Bonde do Rolê e do CSS no segundo disco. Uma penetração no rock lá de fora, mas com jeitinho de brasileiro.

    Desnecessário dizer o quanto isso faz deles uma banda valiosa para o mercado lá de fora. Quando não estão criando essa catarse de repetição entre batidas e riffs de guitarra, a The Name mostra seu potencial para crescer com integrantes que tem a banda como prioridade e um pé no freio do deslumbre. A entrevista baixo foi respondida pelos três, Andy, Molinare e Alves:

    Primeiro as amenidades. O que é que vocês escutam por ai?

    Cara, a gente sempre tenta acompanhar essa leva de bandas fodas que aparecem por aí. Tem muita banda independente fazendo um trabalho extremamente foda, como o Holger, Macaco Bong, Homiepie, Stephanie Toth e outros. Por outro lado, temos uma influência post-punk muito forte e acabamos ouvindo muito essa onda também.

    A música de vocês no Noise era bem diferente, mais oitentista, do que está no álbum. Já dá para dizer que essa é a cara definitiva da The Name ou essa é uma banda que ainda vai mudar mais?
    “ASSONANCE” foi o primeiro passo pra uma identidade que nem a gente sabe onde vai parar; a gente só sabe que vai parar nas “pistas” de alguma maneira. Toda a banda tem que mostrar diferentes evoluções em cada trabalho, esse é o sentido pra gente de fazer um novo EP.

    Tem alguma coisa que me é intrigante no som de vocês, de uma forma que ainda acho difícil descrever. Existe um elemento forte de brasilidade (ou latinidade?) misturado com um indie rock mais modernoso. É viagem minha? Como nasceram essas músicas de vocês?
    Não é viagem não, Bruno. Desde o single “Older”, já estávamos incorporando o lance de percussão eletrônica. Mas pô, a gente tá no Brasil e não tem coisa mais gingada do que um ritmo latino. Não deixamos as tecnologia de lado – os samples e as percussões continuam vindo de um laptop e uma bateria eletronica – mas agora são percussões latinas. O fato da gente estar ouvindo muito mais o post punk e o não-wave, acabam reforçando esses elementos.

    Onde vocês pretendem chegar com essa banda? Me parece que o espaço para esse tipo de música, mesmo com o circuitão dos festivais, ainda é bem pequeno. Vocês querem fazer turnê fora?
    Queremos simplesmente pagar nossas contas com o que a gente curte; tocar aqui ou lá fora faz parte do mesmo ideal. A gente não conhece muita banda com o estilo que a gente tá fazendo hoje em dia, aqui no Brasil. Mas existe o Charme Chulo que faz um post-punk-caipira e tem um puta público. Isso prova que o espaço não é pequeno e sim que existem poucas bandas de um mesmo gênero.

    Perguntei isso porque Sorocaba é casa do nosso primeiro produto de exportação indie, o Wry. Como é a cena ai na cidade de vocês? Tem mais bandas desse estilo? O que mais deviamos estar ouvindo que vem dai?
    O Wry foi uma das primeiras bandas à meter a cara lá fora. Isso é fudido pra gente que é sorocabano. A cidade tem muita coisa boa, mas antes de todas elas, Sorocaba foi terra de uma das bandas mais originais do final dos anos 80 – Vzyadoq Moe. É uma das nossas grandes influências de som. Vale a pena conhecer. Eles foram uma das pioneiras à misturar o post-punk com ritmos brasileiros, como o SAMBA e a MACUMBA (que influenciou grandes bandas dos anos 90). Com toda a certeza, uma das fontes onde o mangue-beat bebeu. É uma banda Sorocabana que devia voltar.

    De volta as pretensões… apesar do pouco tempo, a The Name já tem uma boa idéia de como é o mercado independente. Vocês tocaram em pelo menos um grande festival fora, além de terem feito o circuito de shows no interior de São Paulo. O que vocês acharam de tudo? O que acham que está faltando?
    Tudo o que aconteceu e vem acontecendo, é fruto de muitos anos de trabalho. A The Name é nova, mas nós três já tocamos juntos há 12 anos. Tocamos nesses festivais (Goiânia Noise, Demosul e duas vezes consecutivas no Araraquara Rock) e participamos com o Macaco Bong nesse projeto da Tronco que é fudido, o “Desbravando o Interior”. Podemos dizer que tem muito o que desbravar ainda.

    Há alguns poucos profissionais que trabalham (muito) por isso fazendo com que o circuito esteja sendo formado; um mercado independente auto-suatentável. Como qualquer setor, falta o profissionalismo dos envolvidos, sejam bares e/ou uma divulgação decente. Aconteceu de tocarmos em bares que não havia nenhum pôster e/ou flyer falando do show. Em compensação, uma parede cheia de “KISS COVER” estampado. Essa é a realidade, tem pouca gente que se ‘arrisca’ ao independente. A gente está descobrindo isso aqui na cidade mesmo, onde já trouxemos muitas bandas e pagamos, do bolso o mínimo de divulgação. Isso vai mudar quando enxergarem que há público e há como sobreviver coletivamente no mercado indepentente.

    Escute a The Name no MySpace
    Veja fotos da banda no Flickr

    A The Name estréia uma nova seção aqui no Pop up. Toda quarta-feira uma nova “banda da semana” vai ficar em destaque. Sempre com entrevistas, links e downloads.

    Seção – Blog

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