Page 51 — Pop up!

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    Já percebeu que, nos último três ou quatro anos, todos os grandes sucessos da música pop lá de fora (e, mais recentemente, também aqui) surgiram via o MySpace? Pois a maior rede social de música do mundo resolveu levar a sério seu talento para revelar novos artistas e lançou dois novos serviços. O primeiro é o Musificando, que pretende exatamente ajudar a promover novas bandas e músicos. Para isso, ele dá três dicas fundamentais para quem já tem um perfil lá: turbinar o profile, conseguir mais amigos e, por fim, ganhar visibilidade para sua música.

    Essa última ai é a pegadinha. Você tem que participar do concurso, que vai premiar quem adicionar mais amigos na rede social. Além de ter o perfil em destaque na primeira página do MySpace, entram na disputa os seguintes prêmios: Bateria Dixon Chatos ch522 + ferragens, guitarra Ibanez GAX30 bkn, Amp de baixo Stagg – BA40/2, um set de pratos Stagg – CXG set, bolsa para guitarra, baixos e pratos da Rockbag, uma guitarra Washburn XB (6 cordas), um baixo Washburn (4 cordas), microfone Samson e Cubo Randall para guitarra.

    Ah, você leu a palavra pegadinha, né? Então, é que você tem que adicionar os usuários normais do MySpace. Não pode ser banda ou outros artistas. O legal é que isso vai impulsionar enormente o fator social da rede – algo que falo tanto aqui – já que a maioria das bandas só se conecta com outras bandas, deixando de lado o mais valioso, que é o público. Pensa bem, o cara que quer pagar por sua música tá rodando por lá procurando bandas legais também.

    Recentemente, o Tom Anderson (sabe né? aquele que é amigo de todo mundo no MySpace) disse que a rede social vai passar a focar cada vez mais em conteúdo. Uma das ações parace já ter chegado ao Brasil e se chama PixBR. É um canal que destaca as melhores fotos dos usuários do site. Uma maneira de valorizar a ferramenta, mas também de criar um canal para fotos de shows e bandas em todo o país. Quem der uma olhada lá, já pode acompanhar em imagens a turnê que o Little Joy fez no Brasil.

    Seção – Publicidade

  • Sempre tem um engraçadinho em todo show. No último da turnê do Little Joy no Brasil – que também será o último show do Little Joy por um bom tempo – teve um que gritou “toca Los Hermanos!” quase no começo, coladinho no palco. Rodrigo Amarante respondeu “tás no show errado, cara”. Foi meio frio, mas não teve verdade maior. No teatro quase lotado, com mais de 1.500 pessoas, tinha pouca gente ali atraída pelo fato que, entre os integrantes da banda, tinham representantes das duas maiores bandas a surgir nessa década. Do primeiro acorde, ao grande Carnaval de encerramento, todo mundo sabia cantar até os covers do Little Joy sem errar a letra.

    Little Joy – Passagem de som from Bruno Nogueira on Vimeo.

    No palco, o Little Joy é super descompromissado. Eles estão se divertindo ao extremo, mas não transformam isso em uma piada interna. Coisa que eu nunca vi em show de bandas de fora – ok, Amarante e Moretti são brasileiros, mas eles são minoria – que geralmente se dividem em extremos. O Arctic Monkeys são 100% frios, o Killers é 100% teatro. Talvez porque Rodrigo Amarante conheça bem seu eleitorado no país e saiba exatamente até onde pode ir. Fora que o carisma de Fabrizio Moretti é contagiante tão de honesto.

    Little Joy – Next Time Around (live @Recife) from Bruno Nogueira on Vimeo.

    O show do Recife foi o último a entrar no mapa, mas ganhou ares de exclusividade. Esse já é um dos melhores shows do ano aqui e, com certeza, será um dos melhores do ano no país. A vontade deles de confraternizar com o público era maior que a de tocar as músicas. Isso fez um show que era curto ficar um pouco mais longo. Quase todas as músicas tiveram pausas para contar piadas da turnê, conversar com o público e chamar uma fã no palco para dançar. “Esse é nosso último show, então no fim, subam todos para dançar com a gente”.

    Little Joy no Recife # 3 from Bruno Nogueira on Vimeo.

    Talvez nem a prévia de um dos principais blocos de Carnaval, que acontecia na mesma noite, só que do outro lado da cidade com show de Gilberto Gil, tenha tido o clima de folia que essa noite teve. O descompromisso da banda – que nem é tão redondinha assim no palco – foi tanto que eles continuaram cantando mesmo com a invasão geral que rolou no palco, com produção e seguranças tentando encerrar ali o momento. Mais tarde, nos bastidores, Fabrizio pediu mil desculpas, preocupado que algum dos fãs podia ter se machucado.

    Aliás, o cara é tão gente boa que eu não resisti. Deixei de lado o lado jornalista e pedi autografo pra ele no setliste do show. To pensando em sortear aqui no Pop up. Quem quer?

    Seção – Reportagens

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    Hoje eu estarei em Natal (RN), mais uma vez a convite da turma do DoSol. Vai rolar um bate papo no próprio centro cultural sobre jornalismo x blog de música. Então, se tiver de bobeira por ai, aparece por lá para trocarmos umas idéias. Logo em seguida, tem discotecagem minha e de Foca, para fechar em clima de happy hour e rock’n’roll. Aliás, essa é a primeira vez que eu djeizo em Natal. Uma vez viajei com o Moptop para lá, mas quando chegou na hora não tinha CD-J, nem computador. Só um CD-Player 😛

    Vê se não perde essa!

    Seção – Blog

  • Em tempo de crise e todo mundo fechando (além da Kuarup, a Amplitude – que lançou bandas como Fóssil e Elma – também anunciou fim das atividades), chega a notícia boa que chegou agora por email. Depois de várias negociações, a Conrad agora faz parte do grupo IBEP-Nacional, que além da própria gráfica também lança os livros da Editora Nacional. E o melhor, continua sendo dirigida por Rogério de Campos, que continuará dando o mesmo direcionamento a editora.

    Para quem viajou na novidade, fique sabendo que a Conrad é uma das editoras mais legais no país para quem gosta de música. Eles lançaram a já clássica série Iê-Iê-Iê (até fotografei para por ai acima) com textos de Lester Bangs e Greil Marcus. Leitura obrigatória para quem curte jornalismo musical. Também lançou os livros do Hunter Thompson, Alan Moore e Ozamu Tezuka. Então, se você gosta de cultura pop e quadrinhos, pode comemorar, porque a junção vai garantir força para ela continuar no mercado.

    Se tiver dúvidas que esse foi um bom negócio, vale lembrar que a Editora Nacional, apesar de ser mais famosa pelos livros didáticos, é a responsável por lançar as biografias de Nara Leão, Tom Jobim e outros nomes da MPB e do cinema nacional.

    Seção – Blog

  • Semana passada o Lumo Coletivo me convidou para participar de uma das mesas de debates que faziam parte da programação do Grito Rock Pernambuco. O tema era a sustentabilidade do mercado autoral e, além de mim, estavam presentes os músicos Zé Rocha e Cannibal (Devotos), além do apresentador Roger de Renoir. O texto abaixo foi a minha fala. Não exatamente como está, afinal eu não estava lendo. O processo foi inverso e transformei o que disse lá em texto. Destaquei três pontos que qualquer músico precisa ter mais atenção quando quer trabalhar sua sustentabilidade.

    Resolvi falar sobre três princípios que estão, de certa forma, relacionados quando as palavras música e mercado aparecem juntas… E que tem a ver com esse papo que o pessoal do Lumo Coletivo preparou para hoje, antecipando os shows do Grito Rock.

    A primeira coisa é sobre a própria cadeia produtiva. Se vamos pensar em medidas para o mercado autoral, precisamos saber que esse mercado está conectado. O processo de composição de um músico muitas vezes pode ser solitário, mas quando ele decide entrar em estúdio e levar aquilo adiante, ele começa a se envolver com diversos outros agentes. O cara que vendeu os instrumentos, o dono do estúdio de ensaio, o de gravação, a casa de shows, a loja de discos, o artista que vai fazer a capa, a gráfica onde ela vai ser impressa. Você pode não perceber de cara, mas não vai estar sozinho.
    cadeia-2526893 Essa cadeia funciona como esse desenho acima. Ela tem seus extremos, mas não tem começo, nem fim. A lógica se divide melhor em produção, circulação e consumo. O processo pode começar com uma produtora, que pensa em lançar um determinado tipo de música, ou até com uma loja, que acha que vai se dar bem se alguns artistas locais se juntarem de alguma forma. Aqui no Recife, por exemplo, isso aconteceu com a loja Passa Discos. O processo de produção teve inicio lá, quando eles então fizeram vários shows e depois lançaram um disco.

    Isso é a primeira coisa. Você precisa entender quem faz parte desse processo, onde estão essas pessoas, como elas estão trabalhando, etc.

    A segunda coisa é que esse processo é um processo de comunicação. Um diálogo. Vocês precisam aprender a criar diálogos com esses outros agentes da cadeia produtiva. E isso não significa encontrar com eles na mesa de bar para reclamar que a situação está feia. Porque a situação não está feia. Pelo contrário, estatisticamente, nunca se produziu e se consumiu tanta música quanto hoje em dia. O que está com problemas são certos aspectos desse processo, principalmente no que diz respeito a indústria do disco. Mas isso eu vou falar na terceira coisa.

    Antes deixa eu falar sobre alguns exemplos práticos. Um estúdio de ensaio pode entrar em acordo com uma casa de shows como o Burburinho e até o bar vizinho. E quem tocar lá pode ganhar desconto de ensaio. Enquanto o estúdio pode, de repente, articular uma noite mensal no bar, onde ele convidaria algumas bandas que ensaiam lá para tocar ao vivo. O mesmo vale para uma loja de instrumentos. Afinal, você vende o instrumento para o cara ensaiar no estúdio e depois tocar no bar. A moeda de troca está no trabalho de cada um e esses sistemas cooperativos não são nenhuma novidade. Acontecem em todo canto.

    Para isso funcionar, vocês precisam assumir a música como um trabalho. Todo mundo que trabalha dedica o “expediente” a uma atividade. Então tire X horas por dia para se dedicar apenas a seu trabalho com música, igual faria com qualquer outro emprego. Tem oportunidades sobrando por ai. Agências de publicidade que precisam de jingles. Nós temos um dos principais pólos de desenvolvimento de jogos, e eles precisam de trilhas sonoras para esses jogos. Casas que não oferecem shows, mas tocam música de fundo; as possibilidades se limitam a sua criatividade em olhar para esse quadro e encontrar possibilidades.

    A terceira coisa é ter uma compreensão do que você tem para oferecer. Eu vejo o tempo inteiro bandas surgindo na cidade e, com menos de um ano, já aprovando projeto em lei de incentivo para lançar um disco. Caso alguém ainda não tenha percebido, a indústria do disco está mesmo em crise. Mas a música não. Disco é feito para quem conhece sua música possa ouvi-la. Por hora, se preocupe em fazer que sua música seja conhecida. A maioria das suas bandas favoritas levaram anos para lançar o primeiro disco. Cannibal, aqui na mesa, levou 10 anos para lançar o primeiro do Devotos. Não é só porque é fácil, que você vai fazer.

    Eu tive a oportunidade, ano passado, de entrevistar o diretor criativo do maior festival de música no mundo hoje, o South by Southwest. E ele falou uma das maiores verdades que já ouvi. Ele disse que “a melhor coisa que você pode ter é alguém que ame sua música”. E é nisso que vocês precisam trabalhar. Não é apenas sonoridade, mas é um conceito. Pense nas bandas que você NÃO gosta e tente explicar porque vocês não gostam delas. A primeira coisa que vem a mente é o conceito. Isso também funciona ao contrário. Hoje, uma banda como o Devotos, consegue ser respeita e venerada sem nem precisar ser ouvida, de tão forte que é o conceito que eles construiram naturalmente.

    Quando você tem alguém que ama sua música, você desenvolve algo chamdo “relacionamento criativo”. As pessoas multiplicam aquilo que você criou, aumentando naturalmente seus ouvintes. Seja gravando seu show com o celular e publicando no Youtube, seja tirando fotos e disponibilizando pela internet. Coisas que, em outra época, você precisaria pagar caro para conseguir. E, para encerrar, isso se reforça com algo que falei no começo: é um processo de comunicação.

    Não é deixar de lançar discos para colocar as músicas no MySpace. MySpace, Youtube, Flickr, Orkut, não são canais unilaterais. São redes sociais. Eles estão te dizendo quem ama sua música. E você precisa conversar com essas pessoas diariamente, fazer com que elas se sintam próximas de você. Não monte um perfil no MySpace e pronto. Converse com as pessoas, responda perguntas, faça perguntas, crie diálogos. Não esqueça que, nessa cadeia inteira de elementos, o mais importante é o consumidor final. Não porque ele paga por sua música, mas porque ele ama ela.

    Seção – Blog

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