Roberto Carlos no Geraldão « Pop up!

Descrever um show de Roberto Carlos parece uma tarefa uma tanto ingrata. A principio, numa visita rápida em seu site oficial, já se encontra esse trabalho feito muito antes do evento acontecer. Com a ordem certa das músicas e até mesmo – o mais curioso – as exatas conversas que “o rei” tem com seu público. Isso não deveria combinar com a noção de que o show é aquele momento único entre artista e público. Mas na última sexta, com o estádio do Geraldão lotado, combinou sim.

Mesmo assim, vale mais destacar o inusitado. Como na primeira fileira, entre as mesas que custavam uma pequena fortuna se comparado à arquibancada (R$ 500 uma, R$ 20 a outra). Quem sentava por lá era Naise Canuto. Faixa na cabeça, roupa feita com a capa de todos os discos de Roberto Carlos e ainda uma faixa na cabeça com o nome do Rei. Ela já esteve no Fantástico, no quadro Retrato Falado, onde contava sua história sobre como conseguiu tirar uma foto com o ídolo.

Na mesa ao lado, estava Eronildes Mergulhão, presidente do Fã Clube “Amigos do Rei”, que reúne cerca de 1600 pessoas. “Trouxemos uma caravana de dois ônibus, mas devem ter pelo menos umas 400 pessoas aqui que são do clube”, conta. Para todos esses, o show é este momento único e pessoal, falado acima, então não tem motivo para um encontro formal. “Já nos reunimos sempre no aniversário de Roberto Carlos, com bolo e tudo, para comemorar”, completa.

As luzes se apagam com uma hora de atraso que quase não chega a ser percebida. Roberto Carlos entra de terno azul escuro e para receber todos os aplausos, gritos e assobios de seus súditos. E até quebra esse ritual pré-formatado de todos os shows, para dizer “Que prazer! Queria dizer muitas coisas, mas acho que vou dizer melhor cantando”, com seu sorriso já característico.

Entre a abertura com “Emoções” e o encerramento com “Jesus Cristo”, Roberto Carlos canta 23 músicas. O repertório é pontuado pelos momentos de “O Cadillac”, onde um de verdade ocupa quase todo palco; “Negro Gato”, que ele não cantava já fazia muito tempo devido sua doença (o transtorno obsessivo-compulsivo); e a bela “Acrônito”, onde a letra constrói a frase “Maria Rita meu amor”, quando somam as primeiras letras de cada frase. Um telão ajuda o público a perceber isso.

De volta ao público, logo no começo do show, com todos ainda em transe pela voz do rei, é o momento de Pinga – produtor responsável pelos shows de Roberto Carlos no Nordeste – fazer o seu passeio. Ele anda de uma ponta a outra, observando todos e se sentido – com toda razão – em parte dono daquele momento especial. Enquanto isso, no outro extremo do Geraldão, o público está mais em êxtase, e grita em cada momento, cada passo, sorriso e fala de Roberto Carlos.

O show encerra com o esperado momento do rei jogando as flores para o público. É meia-noite, e do lado de fora do Geraldão ainda tem um público grande de pessoas que não entrou, mas se encostou o máximo possível da grade para tentar ouvir as músicas. Complicado é conseguir sair de lá sem um mínimo de emoção pela presença cada vez mais mítica de Roberto Carlos.

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