Superguidis – A Amarga Sinfonia do Superstar « Pop up!

Até então, a grande tensão entre o rock independente e o mainstream é assunto de bastidores. Temos oficialmente um movimento fomentado por bandas que lançaram, nos últimos três anos, uma avalanche de ótimas estréias. Agora é a segunda fase e, quem precisa superar a sindrome não é mais um álbum, mas uma cena inteira. Nesta etapa, as tensões passam a ser também estéticas. Superguidis, do Rio Grande do Sul, dá um primeiro passo de maturidade que vai fazer torcer o nariz de quem ainda espera uma postura adolescente entre os independentes.

Segundo discos deles, de novo pelo selo Senhor F, “A Amarga Sinfonia do Superstar” agora também tem grife. Produção de Phellipe Seabra, que pisa no freio das guitarras e na agressividade. As 11 músicas dividem o momento. Um público foi conquistado através dos festivais independentes, agora é preciso mostrar a novas pessoas que o rock não é um bicho de sete cabeças. “Eu quero fazer tudo que você faz / mais do que isso, não sou capaz“, canta o grupo em “Mais do que isso“.

É um terreno delicado. A maturidade precoce vai exigir que o antigo público da banda também amadureça. Quem escutar o disco, vai ouvir uma leve ruptura no mainstream brasileiro. A amarga sinfonia do superstar é conseguir o balanço estético entre as bandas já consagradas e quem ainda está começando. Fazer isso com honestidade e trazendo algo novo para a equação. Com esse disco, o Superguidis começa a somar as primeiras, de um infinito de variáveis.

Ainda falta um hit no repertório, mas os agudos viciantes de Andrio Maquenzi seguram o disco. Parecia difícil para eles superarem o trabalho passado, mesmo com a pouca técnica usada no CD de estréia. Esse é o primeiro impacto da Amarga Sinfonia. O Superguidis começa a soar mais limpo e direcionado, já se distanciando dessa tradicional – e confusa – “estética do independente”. Com isso a banda se supera, e começa a ganhar moldes de modelo a ser seguido.

A faixa “Mais do que isso” empurra esse lançamento para o topo da lista entre o rock nacional. O ouro do disco está escondido logo após a última faixa, separado por dois minutos e uma gravação de telefone, onde o filho pergunta “pai, como é que eu escrevo Superguidis?“. Poderia muito ter aberto o novo repertório ou, ao menos, ter feito parte da relação oficial das músicas.

Superguidis inaugura essa segunda fase do rock independente. Começam a engatinhar ainda em termos estéticos, mas já dão aula no que diz respeito a primeira fase, a dos bastidores. Colocaram A Amarga Sinfonia do Superstar inteiro para download no site da Trama Virtual. Não precisou nem de cerimônia, só usaram uma solução que está começando a remunerar quem está atento a Internet.

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