Sweet Fanny Adams @ Festival DoSol 2010 « Pop up!

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Sweet Fanny Adams ao vivo no DoSol. Foto de Rafael Passos

A primeira vez que eu vi um show da Sweet Fanny Adams – que também era uma das primeiras vezes que eles começavam a se apresentar – a banda parecia uma péssima aposta para boa parte dos observadores. Eles demoravam uma eternidade entre cada música, recheando o show com silêncio e desconforto. É difícil até dizer que essa banda que tocou na primeira noite do festival DoSol é aquela mesma que tentava arriscar uma vaga no Abril Pro Rock em um concurso para estudantes. Depois de circular por todo o Brasil, aparecer em vários festivais e até arriscar um show em Nova York no CMJ, a Sweet Fanny Adams chegou naquele ponto ideal em que até uma apresentação ruim deles é muito boa.

Não que o show do festival DoSol tenha sido ruim. Mas resgatou um pouco da lembrança dos primeiros meses de vida da banda. Recheado de covers que demandam uma boa bagagem de um público bem jovem, a presença de músicas de Echo and the Bunnyman mostra que o atual ócio da banda, que diminuiu bastante o ritmo de apresentações, não parece estar sendo gasto em novas músicas ou um possível novo álbum. Por hora, isso parece fazer a alegria de um parte mais velha do público presente, que curtiu bastante as versões, e também do mais novo, que canta tudo que é do Sweet Fanny Adams.

É possível que a sensação de desperdício possa ter sido sentida por mais alguém além de mim. Existe demanda e uma simpatia enorme pelo Sweet Fanny Adams no Nordeste (e, ok, fora dele também. Mas vamos começar pequeno aqui). Canções como “Hate Song #3″ já soam como clássicos e mesmo as mais recém lançadas são acompanhadas pelo coro do público. As pessoas gostam de dançar e o bom humor deles no palco contagia. Tudo isso sempre pede por mais. Talvez o período de troca de bateristas é que esteja atrasando isso, mas a participação de Gerardo nesse show pode indicar que a busca por um novo integrante já acabou.

Parece brincadeira dar todo esse rodeio na necessidade por “mais sweet fanny adams” para concluir, também, que levar a carreira a sério demais pode ser um passo perigoso para eles. O clima de diversão é fundamental em cada segundo do show. O descompromisso deles é um verdadeiro convite a festa. Encontrar o balanço perfeito entre esses dois mundos parece ser um bom combustível para incentivar a banda.

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