Titãs – MTV Ao Vivo « Pop up!

Próxima semana, o Titãs volta a ser a melhor banda dos últimos tempos do Brasil, quando lança em CD e DVD e programa da MTV o show que fez em Florianópolis, dentro da série “Ao Vivo” da emissora. A mesma que apertou no freio da banda com o projeto “Acústico”, solta as rédeas para o esperado retorno às distorções fortes e provocações políticas. O programa, com uma hora de direção e 18 músicas, vai ao ar amanhã, às 19h.

Retorno tranqüilo, segundo o guitarrista Tony Bellotto. “Nós sempre fomos uma banda de rock”, comenta em entrevista por telefone. “O que aconteceu foi que a gente se empolgou em trabalhar daquela maneira, viajar com orquestra, e acabou pegando forte no público”, reflete e completa: “As pessoas tiveram uma dificuldade de perceber que foi uma fase e, mesmo nos shows do disco “A Melhor Banda”, pediam para repetir”.

O show completo, com 25 músicas, chega apenas mais tarde, em DVD. “Quem definiu (o repertório) fomos nós mesmos. Queríamos sair do óbvio, não fazer só sucessos”, explica. Trabalho bem feito, por sinal. O disco “MTV Ao Vivo – Titãs”, que chega nas lojas um dia após o programa de TV, vem com uma seleção positiva mesmo para os fãs mais obsessivos. São versões que a banda não costuma fazer ao vivo, além de três inéditas.

Seleção que mostra também que o Titãs ainda encara sua carreira com responsabilidade. É difícil surgir hoje no Brasil uma banda com repertório rock como o deles e consiga a mesma abertura nas emissoras. “Acho que a rádio encaretou muito dos anos 80 pra cá”, comenta. “Hoje mesmo as chamadas Rádios Rock estão caretas para muita novidade nacional. O que é muito ruim, porque ainda é o meio que determina o sucesso de uma banda”.

Agora, a banda volta para a estrada com um show que promete o mesmo cenário elaborado que será visto na MTV, um letreiro enorme que forma o nome Titãs. “Oficialmente, começa no dia 19 de novembro, mas já estamos fazendo pequenas apresentações com esse repertório”, adianta. Os planos são de começar subindo, se apresentando no Nordeste durante o verão para encerram no eixo Sul-Sudeste.

Datas que, por coincidência, o vocalista e saxofonista Paulo Miklos fechou contrato com a Rede Globo para participar da novela “Bang Bang”. A banda, no entanto, garante que não vai esbarrar. “Uma das exigências dele era que ficasse claro que, em primeiro lugar, viria a agenda da banda”, explica Tony. “Então ele vai gravar num espaço entre semanas, quando não estiver fazendo shows”, garante. O Titãs tocou no Recife em 2004 durante o Festival de Verão. Apesar de ainda não ter confirmado as datas, é provável que volte à cidade com o espaço entre um trabalho (“Como estão vocês?”, de 2003) e outro.

Disco

“Se não for pra detonar / botar a casa abaixo / então é melhor nem me chamar”. O Titãs não botou a casa abaixo ainda, mas pode chamar eles para começar os trabalhos sim. “MTV Ao Vivo – Titãs” mostra que os paulistas estão, timidamente, voltando a fazer muito barulho na música brasileira. Com repertório bem montado, ela apresenta sua montanha-russa de gritarias, palavrões e guitarras que, volta e meia, dão uma fugida para a sombra do acústico.

Longe, no entanto, daquela história de estar cada vez mais cansada. As 20 músicas são de uma energia que funciona mesmo sem precisar estar olhando para um show. Gíria cunhada pelo jornalista Nelson Motta na época que a banda começou a fazer sucesso no Brasil, ouvindo esse disco para “pular feito pipoca” sem problemas. Talvez pelo milho ocasional que vá sobrar em canções como “Enquanto Houver Sol”, onde claramente se imagina o público levantando a mão para lá e para cá.

Mas melhor que a gritaria de Paulo Miklos em “Vamos ao Trabalho”, é ver o retorno à crítica rasgada e bem humorada da situação política do País. O Titãs de 85 ainda é atemporal. O de 2005 promete continuar com “Vossa Excelência”, música que faz discurso direto para os engravatados. “Estamos preparando vossas acomodações, Excelência”.

E também visivelmente adolescente em “O Inferno São os Outros”, letra de Tony, Gavin e Branco que canta “O paraíso é para todos / o problema não sou seu”. Falta só mesmo um pé a mais de atitude para sair de vez da pressão das grandes gravadoras, voltar para o cenário independente e dar um pouco daquela velha “salvação” para o rock nacional.

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