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No domingo passado eu aproveitei que estava no Recife Antigo e fui no Delta Café. Antes de ser atendido, o garçom já veio me entregar um tipo de cartão falando de uma nova ação da casa. Novidade bem boa na cidade, batizaodo de Tocaê. O C.E.S.A.R criou um sistema de compras de música por celular via bluetooth. Precisa comprar um cartão antes, que custa R$ 2, para ativar o serviço e baixar um programa que funciona como servidor de e-commerce. As faixas saem por R$ 0,50 e já tem no acervo uma quantidade grande de músicas de artistas pernambucanos. Boa parte é do catalogo da Candeeiro e também de artistas da Astronave.

Tem alguns aspectos bem negativos. O sistema de cobranças, por exemplo, deixa de fora uma parcela gigantesca do mercado que são os celulares pré-pagos. E apesar de ser uma idéia moderna, se sustenta ainda num modelo já antigo para comercialização de músicas. O consumidor tem pouca sensação de vantagem quando paga R$ 0,50 por uma faixa. O preço é acessível, mas tem um porém: as músicas tem bitrate de 64kbps, o que é muito (muito) baixo.

Mas ainda acho que os aspectos positivos tem peso muito maior. O mais importante é o de finalmente instalar na cidade um comércio descontínuo de música. Fico imaginando o poder que um serviço desses teria num colégio ou faculdade, por exemplo. E, se por um cobrar diretamente pelas músicas pode ser arriscado, acostuma mesmo que lentamente o público com a idéia de que pode conseguir faixas legalmente sem ser através de uma loja tradicional.

Mandei umas perguntas para Eduardo Peixoto, idealizador do serviço que acabou publicando as respostas no blog do Tocaê antes mesmo que eu atualizasse aqui.

O serviço foi inspirado em algum modelo? Qual? E, se foi o caso, que adaptações precisaram ser feitas?
A inspiração é na inclusão digital através do celular. O celular, além de telefone, é o MP3 e a camera da maioria dos brasileiros. O download de música digital cresceu mais de 100% no ano passado, muito impulsionado pelo side-load (do PC para o celular). A idéia é disponibilizar para os usuários de MP3 música a preço acessível. Note que só se paga uma vez. As músicas baixadas não possuem DRM, logo após baixadas podem ser transmitidas para outros dispositivos.

Esse primeiro catálogo foi tratado diretamente com selos? Eles tiveram uma compreensão imediata da idéia?
O primeiro catálogo foi tratado com os selos. Eles aderiram imediatamente a idéia. Estamos trabalhando agora numa interface para permitir que os artistas submetam diretamente seus conteúdos para o tocaê.

Aliás, sobre a idéia. Como ela funciona nos bastidores? Desses R$ 0,50 quanto é repassado para o artista? E quanto dos R$ 2 do cartão? Como funciona quando eles tem um selo ou editora? O dinheiro vai pra quem?
O dinheiro é compartilhado por toda a cadeia, que neste caso é muito menor que na distribuição de CDs. Se o conteúdo é colocado através do selo, a negociação do artista é com o selo. Estamos fechando o breakdown, vamos colocar isso no blog, será tudo com muita transparência.

Note que é um negócio principalmente voltado para artistas que não tem como principal remuneração a distribuição de música, mas a realização de shows. O tocaê vai permitir a estes artistas, identificar aonde (geograficamente) suas músicas estão sendo baixadas e planejar melhor os shows.

Quais são os spots do Tocaê? O que é preciso para uma empresa se tornar um?
Estamos trabalhando em alpha 🙂 Iniciamos no Delta para sentir a aceitação, a funcionalidade e a interface. As empresas que quiserem participar podem entrar em contato conosco para adquirir um hotspot. Buscamos locais de alta circulação humana.

Você acha que esse modelo do Tocaê é definitivo ou ele pode migrar ainda para outro (como sugeriram nos comentários do site)?

Nenhum modelo é definitivo, mas não vamos nos limitar a remuneração através da venda de cartões. Existirão outras formas de patrocínio que poderam tornar o conteúdo disponibilizado ainda mais barato para o ouvinte.

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