Cobertura: Coquetel Molotov 2008, segundo dia « Pop up!

Os ingressos para o segundo dia do festival não esgotaram com antecedência. Na verdade, era possível tanto comprar na bilheteria como na mão de cambistas. Mas mesmo com essa folga, a impressão era de que o sábado estava muito mais cheio que a sexta-feira. Ou pelo menos quem estava ali tinha um interesse maior nos shows. Porque já cedo, às 19h, era impossível entrar na sala Cine UFPE, onde aconteciam as apresentações gratuitas.

Consegui assistir apenas o Pocilga Deluxe. Melhor de todos os poucos shows que já vi deles. Soar inconfundivelmente pop é algo difícil e eles parecem extremamente a vontade com isso. André Balaio cantava como alguém que realmente queria estar ali naquele momento e não tinha como não se contagiar com isso. Acho que eles já se encaixam nesse novo fenômeno do Recife, junto com a Amp, de bandas que já nascem prontas.

Sair da sala para fugir do calor não foi uma boa idéia. Com lotação esgotada, o acesso ficou no esquema do ‘sai um, entra um’. E tinha gente na fila já dizendo que estava ali pelo Club8, que seria o último show da sala. Confesso que não estava muito curioso para ver Zeca Viana & Onomatopeia Bum – não tinha gostado do que vi no Youtube – mas Dago, da Trama Virtual, viu e achou que o cara era gênio.

Restou ir para o teatro e esperar que as apresentações começassem por lá. Eu sei que o Coquetel Molotov foi, durante um bom tempo, um dos centros de um dos bate-bocas mais bobos que a cidade já viveu. Essa coisa de lado de lá contra o de cá, indie isso, olinda aquilo. Mas isso é ‘so last year’ e superado. Fiquei espantado em ver, ao vivo, como Catarina (que também é Catarina Dee Jah) ainda incorpora o discurso. 

Ela fez um show ótimo, mas sempre na defensiva, como se fosse ser julgada por uma comitiva shoegazer que recitaria Weezer a cada frase. E na verdade o que aconteceu foi longe disso. Não tinha como não ter uma resposta mais positiva, ainda mais considerando que ela devia ter a melhor banda de apoio de todo o festival. Com Mateus (Chambaril) no Contrabaixo, Felipe S (Mombojó) e Jr. Black nas participações especiais. Essa postura defensiva era mais fácil de perceber nos bastidores. Conversando com Catarina, ela disse que gostou de tudo, mesmo não se identificando tanto com o festival. Mas como assim? Não se identificar com quem toca sua música? Comofas?

Mas ok, esquece tudo isso agora.

Todo ano o Coquetel Molotov consegue dar um acerto gigantesco em uma das atrações menos conhecidas. Mas nesse ano exageraram na dose. Owen Pallett, o Final Fantasy, deve entrar na lista das coisas mais incríveis que já vi em um show. Com um violino e teclado, ele toca, grava o trecho e o repete enquanto vai para outro instrumento. Se auto-sampleando, criando música de uma forma que redefine o conceito de one-man-band. É uma música tranquila, daquelas que consegue provocar alegria e tristeza na mesma intensidade, deixando o interlocutor totalmente a vontade. E reforça a teoria de que a música pop canadense está a anos luz do restante do mundo.

Depois veio Mallu Magalhães. Essa foi a primeira vez que vi o show dela com banda. E preciso dizer: eles não fazem a menor falta. Existe uma diferença muito grande entre o que ela está fazendo no palco e o que eles estão. E nesse embate entre honestidade e cooptação, ela acaba perdendo. Mallu não funciona de forma arquitetada e seria dificil dizer que essa era a mesma menina que calou a boca de um monte de marmanjo no Bananada. O show foi legal, mas Recife ainda não viu A Mallu que causou tanto burburinho na música.

E mesmo dessa overdose do Coquetel – de todos que vi, não teve sequer um show ruim – ainda sobrou espaço para se impressionar com o Peter Bjorn & John. A banda sueca é muito, mas muito mais rock ao vivo. Mesmo o hit Young Folks – não vou mentir, eu assobiei na hora – é mais rápida e agressiva no palco. Conseguiu completar a catarse o público, que se levantou e se expremeu o máximo possível para dançar. Edição impressionante, melhor até agora e deve entrar para história.

Logo mais eu subo um vídeo aqui =)

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