Lanny Gordin – Duos « Pop up!

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Fevereiro, Teatro de Santa Isabel, durante a Feira Música Brasil/Porto Musical e poucas noites antes do Carnaval no Recife. Começa uma tensão entre Lanny Gordin, o artista que está no palco, e o público presente. Uma disputa onde vence quem está mais concentrado naquele único momento. Disputa acirrada, até‚ que Lanny subitamente deixa a paleta da guitarra cair e simplesmente pára de tocar. São breves minutos onde fica claro quanto o passado já destruiu da mente de um dos melhores instrumentistas que o Brasil já acolheu. Detalhes que não serão percebidos no disco que ele lança agora, Duos.

Lanny Gordin nasceu na China, mas veio para o Brasil ainda criança. Foi um dos principais guitarristas e arranjadores da década de 60 e 70. Gravou com a Tropicália e Jovem Guarda. Para listar, ele aparece em Fa-Tal Gal, de Gal Costa; o homônimo de Jards Macalé de 1972 e Caetano Veloso, de 1969, fase mais psicodélica do cantor. “Quem quiser aprender a guitarra tem que ouvir Lanny Gordin“, diria mais tarde Jards Macalé, afirmando que o instrumentista, que chegou a ser apelidado de “Jimmi Hendrix brasileiro”, de “uma das mais profundas e ricas musicalidades do Brasil“.

Seus altos e baixos foram medidos do total ostracismo – quando afundou em dependência das drogas – ao status de personalidade cult da World Music. “Estou numa fase meio esquisita, coisas que ainda não entendo muito bem“, diz Lanny, no Santa Isabel após minutos infinitos de silêncio que seguiram a queda de sua paleta. “Mas vamos em frente“. Sua linha cronológica está parada nesse novo ponto alto, onde ele lança discos a cada pausa que faz numa extensa agenda de shows.

Duos não é a melhor porta de entrada para quem desconhece Lanny Gordin. Por causa de tanta história passada, a graça agora está justamente em ouvir sua guitarra reconstruir parte dos mitos da música brasileira que nasceram naquelas cordas. Mas as 16 faixas do disco são para os já iniciados, e favorecem convidados que fazem o dueto com o guitarrista. Max de Castro, Gal Costa, Caetano Veloso, Fernanda Takai, Adriano Calcanhoto, Junio Barreto, Rodrigo Amarante, Edgard Scandurra, o próprio Jards Macalê, entre outros seis, aparecem mais no que cantam que a cozinha instrumental do disco.

Alguns fazem isso muito bem. Curiosamente, são os mais novos como Vanessa da Mata e Junio Barreto, que conseguem transmitir um respeito mais honesto ao momento. As vozes de Caetano e Gilberto Gil lideram a lista dispensável no repertório. Agregam valor a um disco de duetos, mas se impõem mais alto que o guitarrista, que é o mais importante nesse CD. Corcovado fecha o disco totalmente instrumental, da maneira que ele deveria ser.

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