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O Recife está vivendo uma nova situação que ainda é bastante rara no restante no Brasil. A oferta de festivais (muitas bandas, dois ou três dias do mesmo evento) está aumentando numa proporção muito maior que a oferta de novas bandas para tocar neles. Se, por um lado, não temos uma estabilidade em espaços menores para show, os palcos de grande porte estão chegando ao excesso. Até o fim deste ano, o calendário se movimenta ainda com o Pátio do Rock, Pé no Rock e Virtuemusica, somando ainda as tradicionais festas de fim de ano.

Como diz o ditado, nada é bom em excesso. Não existem empresas suficientes para patrocinar tantos eventos, nem bandas (numa escala nacional) para servir de atrações principais para esses palcos. Até ano passado, a dificuldade era não repetir artistas se apresentando aqui num espaço de três meses. A partir de 2008, o desafio vai encurtar para um mês. Nessa corrida contra o tempo, a previsão mais provável é que os festivais diminuam em propoção para funcionar melhor.

Tudo isso faz parte de um fenômeno que é mundial. Um conflito entre o que é cultura de massa e o que é pós-massivo. A lógica é a seguinte: antes só podiamos assistir 5 canais de TV, agora temos 50. Antes eram 6 estações de rádio, hoje são 26. E enquanto as prateleiras de uma livraria só suportam um número limitado de livros, na Internet é possível comprar sem limites. A saída tem sido investir em nichos. Não adianta mais querer atender toda a demanda, mas sim se concentrar numa específica.

Patrocínio inteligente
Entre o panteão de marcas que patrocinou o PE Music Festival, a Cerveja Antartica foi a mais esperta. Criou uma espécie de “Show 2.0″, onde uma banda contratada tocava e qualquer um podia interferir, fosse cantando ou tocando o instrumento que escolhesse. O público mais novo fez fila para participar.

Bola fora
Desnecessário, nos bastidores, foi alguém da produção do evento querer comparar a qualidade deste novo PE Music com o Abril pro Rock para a equipe que acompanhava a Nação Zumbi, tentando diminuir o festival que já completou 15 anos. São dois eventos bastante distintos e o mais novo com uma claro apoio político muito mais forte.

Internet
O Teatro Mágico passou pelo Nordeste durante o fim de semana e mostrou um pouco da força que a Internet tem para novas bandas. Sem a menor exposição tradicional (na programação das rádios e tvs), juntou uma multidão de novos fãs pelas cidades onde se apresentou. E quem viu, disse que não são órfãos dos Los Hermanos, mas uma geração completamente nova.

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