Matanza: To Hell With Johnny Cash « Pop up!

Antes de ouvir o disco novo do Matanza, é preciso entender que a banda é o tipo de grupo de rock que o Brasil precisa. Eles fazem o tipo Motorhead, com a pose, roupas, bigodões e um som meia boca que gruda feito chiclete. O tipo de coisa que a MTV pode apresentar para lavar as mãos dizendo que dá atenção a alguma vertente underground do rock nacional. A banda fez uma homenagem ao cantor country Johnny Cash num produto bem interessante, metade CD, metade DVD.

“To hell with Johnny Cash” são 13 músicas com o vocal rouco puxado do sul dos estados, com a distorção de guitarra dando nova roupagem. Em certos momentos, até a bateria acelera em ritmo hardcore fazendo a mistura ficar mais estranha. São canções rápidas, dessas que fazem voltar uma faixa ou outra para ouvir de novo os trechinhos que ficam na cabeça com facilidade.

Os fãs de Cash vão sentir falta de algumas músicas. “Cocaine Blues”, por exemplo, é uma das canções perfeitas para acelerar no rock’n’roll. Além da clássica “Walk the Line”, que também ficou de fora. Bom mesmo acaba sendo “I Got Stripes”, que encerra o disco. A seleção ficou mais direcionada para o fã obsessivo, que conhece todas as músicas perdidas. Talvez o disco ficasse mais divertido se fosse uma doutrina rock para o country.

Dentro do que se propõe, o Matanza faz um som competente. E eles existem num cenário bem conveniente para atingir essa competência, já que outras bandas do porte dificilmente conseguem qualquer destaque no país. As músicas, todas em inglês, estão bem distante da idéia de inferno que traz no nome e capa e lembram muito o mote do disco anterior da banda, chamado “músicas para beber e brigar”.

Nesse cenário Harley Dayvidson, o Matanza se destaca muito mais pela atenção que a banda dá ao mercado que pelo próprio som. O disco de mídia dupla, lançado pelo selo Deckdisc se mostra uma opção bem interessante para evitar problemas com pirataria. Infelizmente, afeta muito o preço do produto final.

Publicado originalmente em 20.06.05

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