Meu encontro com Michael Jackson « Pop up!

Michael Jackson está morto. Eu sempre me perguntei como é que receberia essa notícia e, mesmo assim, acho que ainda não consegui processar essa informação totalmente ainda. Quando eu tinha apenas 11 anos de idade, no já distante 1993, ele passou pelo Brasil e, de certa forma, definiu uma parte fundamental da minha vida. Entre os sete e, já não lembro até qual idade, era fã de carteirinha (mesmo) dele. Tinha todos os dicos e nunca tirava da cabeça um boné com o logo de “Bad” que ganhei. Meu pai era diretor de rádio e conseguiu com a gravadora que eu fosse até o show em São Paulo. E ainda que eu tirasse uma foto com ele assim como o vencedor de uma promoção que foi feita na ocasião. As gravadoras não brincavam na época do jabá.

Aquela viagem acabou se transformando em uma previsão de como seria o meu futuro. Foi a primeira vez que eu assistia um show internacional, assim como era a primeira vez que saia de Recife apenas para ver um show. Algo que virou uma rotina profissionalmente anos mais tarde. Quem estava no vôo junto comigo e meu pai era um amigo dele, chamado José Teles. Anos mais tarde, quando reencontrei Teles na redação do Jornal do Commercio, iniciando minha carreira como jornalista, ao me reconhecer ele perguntou rindo “tu ainda gosta de Michael Jackson?”. Sempre pensava como eu tinha conhecido ele quando tinha 11 anos e ele já fazia a mesma coisa que estava fazendo na redação do JC.

Ainda consigo lembrar bem de vários momentos daquela viagem. Do hotel na Avenida Paulista e, na tarde do show, quando atravessei a avenida com meu pai para comprar uma revista-poster de Michael Jackson. Eu carregava ela para todo canto que ia e acabei a esquecendo no micro-ônibus que nos levaria até o Morumbi. Os convidados da Sony chegaram bem mais cedo que todo mundo, mas o alvoroço na frente do estádio era a própria visão do inferno. Gente vestida igual a ele, com a foto estampada na blusa, gritando, ansiosos por um show que ainda levaria horas para compensar. O comércio da frente tinha de absolutamente tudo. E eu comprei uma camisa, um chapéu igual ao do MJ. Queria a luva, mas nem levei.

Lembro do estádio ainda vazio, com o palco gigantesco já montado. E lembro de insistir ao meu pai para ficar lá frente, já que ainda não tinha ninguém. Mas ele falou que iamos para o camarote especial da gravadora e que talvez a vista fosse ainda mais privilegiada. Um triste (pelo menos para mim) engano. Ficava no outro extremo do estádio e, várias vezes, só era possível ver Michael no palco porque a sua roupa tinha diversos brilhantes. O show começou já de noite, com o lugar completamente lotado. Ele tocou as músicas do Dangerous, que eu sabia de cor (e acho que ainda sei), além dos sucessos mais recentes. Trocava de roupa o tempo inteiro, junto com o cenário. O telão ajudava a ver os detalhes.

Uma parte divertida do camarote era que estava repleto de gente famosa. Então vi um monte de cantores, apresentadores de televisão e etc passando de um lado para o outro. Não peguei autografo de ninguém. Acho que sempre fui chato mesmo, porque lembro de sentir uma pontinha de vergonha alheia por um cara que abordava todo mundo, “até Eliana” eu pensei na época “que nem é tão famosa assim”, porque estava começando ainda na TV.

No final de tudo eu lembro de ainda estar bem elétrico com o show inteiro. Até a hora que o representante da Sony – Fernando, que anos mais tarde passou a ir me levar discos no jornal – disse que não tinha conseguido que eu entrasse junto com o vencedor da promoção para tirar a foto. Acabamos saindo de lá direto para o hotel, por uma saída por trás do palco, onde não tinha tanta movimentação assim de pessoas.

Michael Jackson e Paul McCartney (esse numa série de fitas K7 que ganhei do meu pai, antes mesmo de conhecer os Beatles) foram os artistas que me fizeram aprender como me apaixonar pela música. Lembro ainda da oitava série no Colégio Salesiano, naquele papo de quem vai entrar no clima pré-vestibular, conversando com os amigos sobre o que fazer da vida, ter dito “não sei o que quero fazer ainda, mas quero que seja algo com música”. Acabei conseguindo, por mais bobo que tenha parecido o que falei na época pela reação do pessoal. Essa vontade foi alimentada naquela noite no Morumbi, assim como foi por vários outros momentos importantes da minha vida.

E por isso não podia deixar de lembrar Michael Jackson e deixar essa minha lembrança como homenagem a ele.

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