A maravilha mutante volta religada « Pop up!

Durante a coletiva feita para jornalistas para divulgar a programação do festival Abril pro Rock, poucos estavam interessados na escalação das bandas do evento. As perguntas que predominavam eram sobre um boato que tinha surgido na mesma semana: A banda Mutantes estava para voltar e o produtor Paulo André Pires, estava por trás disso. Essa volta será hoje, às 19h30 (14h30 no Brasil), no Barbican Center. O evento se chama “Tropicália: A Revolution in Brazilian Culture”, e terá de abertura shows da Nação Zumbi e do folk norte-americano do Devendra Banhart.

“Eu fui no apartamento de Sérgio Dias (ex-guitarristas do Mutantes) junto com Melina, minha sócia, e o Aluizer (produtor da banda Pato Fu) em Londres. Tivemos uma tarde inteira de conversa com ele sobre a volta do Mutantes e no fim da tarde ele já estava ligando para o Arnaldo Baptista e para o Dinho para marcar um ensaio”, disse Paulo André, durante a coletiva em abril (NOTA: o produtor da Slag Records e consultor da Trama, Eduardo Ramos, também esteve no encontro). Essa relação entre o produtor do Abril pro Rock e o trabalho do Mutantes já é antiga.

Ele tem um envolvimento forte com David Byrne (ex-Talking Heads) dono selo Luaka Bop, responsável entre outras coisas pelo retorno da carreira de Tom Zé no fim dos anos 90, quando relançou parte de seus discos nos Estados Unidos. Apesar disso, a volta dos Mutantes era um assunto recheado de dúvidas no meio musical. Sabia-se que dois deles não estavam interessados no projeto, Liminha e Rita Lee. E o envolvimento dos produtores fez a imprensa cogitar os nomes de Fernanda Takai (do Pato Fu) e da pernambucana Céu.

Agora, oficialmente divulgado, os Mutantes sobem ao palco com a voz feminina de Zélia Duncan. Mais grave que a de Rita e de comportamento (muito) mais sóbrio no palco. Numa entrevista para a revista Bizz, Rita Lee confessou ao jornalista Luciano Marsiglia que “minha maquina do tempo está voltada para o futuro e isso pode tirar a mágia de uma época”. Faz bastante sentido, considerando que os Mutantes são o sinal vivo do vanguardismo de duas décadas inteiras, os anos 60 e 70.

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