Claro que é Recife « Pop up!

Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

Próximo dia 11, uma segunda-feira, sai o resultado do festival Claro que é Rock. Cinco bandas do Nordeste (exclui-se aí Salvador) que poderão tocar com o Placebo e, com sorte, participar do evento final no Rio e São Paulo. Também vai ser o dia onde eu vou decidir se acredito ou não se esses concursos de banda, pelo menos aqui no Recife, funcionam ou têm alguma utilidade.

Lembro quando estava cobrindo o festival de World Music da Phillips, no Marco Zero, quando Paulo André me falou pela primeira vez do Microfonia, na época ainda sem nome. Eu fiquei eufórico durante uns dois segundos, espaço de tempo onde ele falou “de repente é uma oportunidade das bandas X e Y tocarem no Abril pro Rock”. Eu não deixei minha empolgação morrer e insisti no motivo que tinha me deixado tão alegre. Disse “e com certeza deve aparecer uma banda que ninguém viu ainda e que pode mudar muita coisa!”.

Se tivesse que responder agora, eu diria que não acredito nos concursos. Não acredito que de 388 bandas inscritas, ganharam justamente as que já estão fazendo shows todo santo sábado na cidade. Eu também não acredito que exista algum protecionismo ou favoritismo, bem longe disso na verdade. O problema, para mim, é que estamos tristemente engessados no cotidiano dos nossos fins de semana.

Lembro que conversei com alguns dos jurados na época e me disseram que o critério usado era a originalidade. “Tinha muita banda que tocava igual ao Angra, descartamos logo”. Isso é uma coisa que me dá muito medo, porque já estragou a cena de Pernambuco no passado. Antes, nada era considerado original se não tivesse um tambor tocando. Depois, nada era considerado original se não tivesse um tambor tocando.

Fica então a pergunta: Recife não pode fazer rock igual ao Angra e isso ser bom? Aliás, a gente não pode fazer rock igual ao Radiohead e ainda ser melhor? Aliás, abrasileirando a coisa, porque o samba daqui não pode ser tão legal quanto o de Seu Jorge? Lembro que uma vez o Mundo Livre dizia que tocava samba-rock. Precisamos mesmo desesperadamente encontrar “o som do Recife”? As bandas de São Paulo que ganham destaque nacional estão tocando rock e não “o som de São Paulo”. Bairrismo desse tipo nunca é bom e só atrasa.

Porque se o concurso for feito apenas para encontrar uma coisa desse tipo, estamos perdidos. Eu conheci essa semana um cantor de bar que diz ter criado um ritmo chamado Pernambuxé, deveríamos então dar logo o prêmio a ele. Caso contrário, podíamos ser saudáveis e sensatos e parar de analisar mercado e sim música. Música que não precisa ter cara de canto nenhum e apenas ser de qualidade. Já pensou se Chico Buarque fosse música de carioca? Podíamos então instituir logo o fim da MPB.

Molhando o bico

» Em abril chega às bancas o primeiro número da nova Bizz. Para alegria do país, ela volta a ser reeditada. Vamos ter o privilégio, inclusive, de receber um lançamento exclusivo no Abril pro Rock. Não foi divulgado ainda se ela será mensal ou se será feita apenas no esquema de “especiais”. E para não esquecer que o rock está em baixa, a primeira capa será sobre a própria revista.

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