Page 182 — Pop up!

  • Perto de completar dez anos de carreira, o Jota Quest pode desfilar o título de banda pop mais bem-sucedida do País. Com novo disco chegando esta semana nas lojas, “Até Onde Vai”, o grupo mostra que, sem trocadilhos, vai bem longe. Com 14 faixas, o CD mata a ansiedade dos fãs que estavam há três anos sem nenhuma inédita para cantar. E é na fórmula dos “ná ná ná” e “lá lá lá” que eles acertam o ritmo com a versão de “Além do Horizonte”, música de Roberto Carlos que já está nas rádios, clipes e propagandas na TV.

    Já na abertura, “Libere a Mente”, música mezzo-política / mezzo-balada, “Até Onde Vai” mostra que é, sem dúvidas, o disco com pegada mais funk do Jota Quest. Com participações na autoria de Nando Reis, Lulu Santos e batidas da dupla de DJs ingleses Layo & Buschwaka. E é na presença desses que estão alguns dos melhores momentos do novo trabalho. Essa sequência de abertura, ainda com a música “Sunshine em Ipanema”, resume bem o restante da uma hora do disco.

    Os momentos leves, às vezes com certa puxada soul, são cada vez mais raros. Se percebe uma situação maior, e bem dispensável, de compromisso do Jota Quest com sua parcela de público mais romantico e noveleiro. A banda poderia ter encerrado no clima agitado, sem se preocupar em emplacar no próximo tema de casal das 20h. Se derem sorte, essas não entram em trabalho, o que é provável, já que faixas como “Além do Horizonte” grudam como chiclete.

    Escalada na programação de todos os principais festivais de música pop de 2004, o Jota Quest é também, protagonista da via-crucis da fama no Brasil. Tocar na rádio e televisão costuma atrair comentários negativos de bandas semelhantes e principalmente pela crítica ávida por crucificar o artista da vez. “A gente faz o que sabe fazer, nunca pensando se vai vender ou não”, se defende o baterista Paulinho Fonseca, em entrevista por telefone.

    “O Jota Quest agrada um público cada vez maior e acho que é isso que toda banda quer”, comenta até com modéstia. Em 2005 o grupo agradou também o rei Roberto Carlos, os complicados Los Hermanos e até a dupla Layo & Buschwaka, que gravará uma música deles no próximo disco. “A gente conversou horas com o Roberto Carlos e ficamos impressionados como ele acompanhava a carreia da gente. Comentou até várias músicas”, lembra.

    Outro parceiro antigo que volta no disco é Nando Reis. “Ele tá sempre ligando pra gente. De repente o telefone toca e é ele já falando “fiz uma música para vocês”, é uma loucura”, comenta. Essa já é a terceira vez que o Jota Quest grava o ex-Titãs. “Acho que a música tem um potencial bem forte, mas não sei ainda se ela vai ser trabalhada nas rádios”, adianta.

    A banda mostra que está aproveitando o momento com bom humor. “Quando o Lulu Santos mandou a música pra gente ficamos tão empolgados que chamamos ele para gravar”, lembra. Apesar disso, o Jota Quest prefere deixar as participações no estúdio. “Sempre preferimos um show só nosso que fazer festivais, podemos trabalhar cenário e conversas com o público”, declaração que mostra que os convites ainda não subiram à cabeça dos rapazes.

    Publicado originalmente em 08.10.05

    Seção – Discos

  • Chega a ser curioso pensar que Diplo, segundo entrevistas recentes, tem interesse na música nordestina. Figura que pode ser definida como o típico turista em Copacabana, achando a pobreza uma maravilha a ser fotografada, Wesley Pentz, 25 anos, transforma toda cultura de periferia que encontra em música. Não é que se encontra, entretanto, em “Florida”, disco lançado no Brasil pelo selo Slag Records, aproveitando a presença do cara no Tim Festival.

    A compilação de remixes e experimentações nas 12 músicas são de uma sobriedade e mesmo “sombriedade” hipnotizantes. Tá ok, justiça seja feita, tem um funk carioca empurrado lá na última faixa, apenas na versão brasileira do disco. E como o pancadão ainda é persona non grata na cabeça de muitos ditos atentos aos satélites culturais, fica então como ponto positivo de “Florida”.

    Diplo é um tipo de DJ artista cada vez mais raro. Faz seu inferninho na pista, mas prefere dar espaço para suas experimentações no CD. Por isso, “Florida” é uma experiência um tanto difícil. Começa lento, continua lento, permanece lento. Chega e exigir um pouco de atenção, mas ainda anima perto do fim. Não é um disco todo para pista, e sim para uma audição menos compromissada.

    A Florida de Diplo encerra num ponto alto de referências cruzadas. Ele faz até uma parceria brasileira com um grupo chamado “Os Danadinhos” numa das faixas que é a mais agitada em todo o disco. A melhor para a festas, diga-se de passagem. Nas outras, batidas mais sensuais vem acompanhadas de sons de água corrente, instrumentos jazzisticos e vozes sintetizadas. Aquele sujeito com voz de robô que assusta criancinhas nos programas mais básicos de simulação.

    Danadinho é também o funk que encerra a versão brasileira do disco. Um batidão no melhor estilo, acompanhado por um sonzinho melancólico de fundo, obviamente a participação de Diplo na história. Ele promete vir para as bandas do Nordeste depois do Tim Festival, curioso principalmente com o Calypso do Pará. Será que o próximo disco vem com uma faixa de Techno Brega?

    Publicado originalmente em 01.10.05

    Seção – Discos

  • Jogado por cima da mesa levemente desarrumada de Lula Queiroga, o livreto chamou a atenção de Silvério Pessoa, por acaso de passagem na casa do amigo. Cordel de Bráulio Tavares, que também por acaso vem com a história “parece que é rock” encartada sob o título “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”. Acabou virando o nome do novo disco do músico que, depois de mais uma temporada extensa na França, faz o lançamento oficial hoje à noite, na loja Passa Discos.

    “Essa experiência com a França me deixou chapado”, Silvério comenta empolgado. “Conheci uma galera grande que não mora onde nasceu e eu vejo essa migração também no som, com essa mística de mudar de lugar para viver melhor e ser mais feliz”. Essa é a atmosfera de seu terceiro disco solo, o primeiro completamente autoral, recheado de histórias de quem volta para casa. Resultado de um ano de produção.

    Retorno que, por hora, não sai da cabeça do músico. “Volto para Paris próxima semana para novos shows. Tenho também propostas para ficar por lá direto, mas não é o que quero”. Junto com sua produtora Karina Hoover, ele está procurando lugares onde possa fazer apresentações mais freqüentes no Recife. “Está complicado encontrar lugares de médio porte na cidade”, adianta Karina. Tanto para ela quanto para Silvério, que não toca aqui desde o Carnaval, a solução por hora é fazer aparições mais dosadas.

    Talvez tenha passado longe da imaginação de Silvério a ironia em ter escolhido o nome do cordel para seu disco. Assim como na história que ele traz encartada, a música dele, na visão de fora, “parece que é forró”, enquanto na sua terra natal “parece que é outra coisa”. Vantagem grande para ele, na verdade, que consegue manter uma imagem forte no cenário alternativo da cidade, ao mesmo tempo que faz shows ao lado de bandas como Cavaleiros do Forró.

    O próximo show na cidade será no Teatro Santa Isabel, nos dias 4 e 5 de novembro. As duas datas vão servir também para captar imagens para o primeiro DVD de Silvério, ainda sem data prevista para lançamento. “Vamos usar também imagens desse próximo show na França no material lançado”, adianta. No pré-lançamento que faz na Passa Disco, o CD estará com preço promocional de R$ 18,00.

    VINCULADA – Cabeça Elétrica, Coração Acústico

    Elétrico ou acústico, Silvério está com cabeça e coração mesmo no Recife. Nas terras da gente, as brenhas do sertão, boa viagem, boa vista, água fria e tantas outras referências que fazem parte de “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”, seu primeiro disco autoral. Músicas que ele canta em nordestino aceito, esperado e mesmo louvado lá fora.

    O disco chega na carreira do músico como uma verdadeira celebração. Pelas faixas, passam as vozes de Lula Queiroga, Lenine, Dominguinhos e mesmo Alceu Valença, que tem parceria rara com outros artistas. Mesmo com toda experiência que está reunindo lá fora, o novo trabalho mostra que o interesse dele está mesmo em reprocessar ritmos locais numa batida própria.

    Assim ele faz seu próprio forró, melhor representado em “Cipó de Goiabeira”, com ritmo puxado pela poesia, flautas e afoxé bem evidente. Seu pé-de-serra poderia ficar moderno somente com o baixo, mas conta também com efeitos e programação própria. Assinatura de Felipe Machado, que cuidou da produção musical do disco.

    Ele chega até a incluir batidas eletrônicas bem sutis, apenas para os mais atentos. Num dos momentos que melhor traduz a riqueza do disco, tudo isso se mistura com pura poesia por cima do silêncio. “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”, é de produção independente, mas terá distribuição nacional pelo selo Tratore e já tem contrato também para circular na Europa.

    Publicado em 28.09.05

    Seção – Reportagens

  • Próxima semana, o Titãs volta a ser a melhor banda dos últimos tempos do Brasil, quando lança em CD e DVD e programa da MTV o show que fez em Florianópolis, dentro da série “Ao Vivo” da emissora. A mesma que apertou no freio da banda com o projeto “Acústico”, solta as rédeas para o esperado retorno às distorções fortes e provocações políticas. O programa, com uma hora de direção e 18 músicas, vai ao ar amanhã, às 19h.

    Retorno tranqüilo, segundo o guitarrista Tony Bellotto. “Nós sempre fomos uma banda de rock”, comenta em entrevista por telefone. “O que aconteceu foi que a gente se empolgou em trabalhar daquela maneira, viajar com orquestra, e acabou pegando forte no público”, reflete e completa: “As pessoas tiveram uma dificuldade de perceber que foi uma fase e, mesmo nos shows do disco “A Melhor Banda”, pediam para repetir”.

    O show completo, com 25 músicas, chega apenas mais tarde, em DVD. “Quem definiu (o repertório) fomos nós mesmos. Queríamos sair do óbvio, não fazer só sucessos”, explica. Trabalho bem feito, por sinal. O disco “MTV Ao Vivo – Titãs”, que chega nas lojas um dia após o programa de TV, vem com uma seleção positiva mesmo para os fãs mais obsessivos. São versões que a banda não costuma fazer ao vivo, além de três inéditas.

    Seleção que mostra também que o Titãs ainda encara sua carreira com responsabilidade. É difícil surgir hoje no Brasil uma banda com repertório rock como o deles e consiga a mesma abertura nas emissoras. “Acho que a rádio encaretou muito dos anos 80 pra cá”, comenta. “Hoje mesmo as chamadas Rádios Rock estão caretas para muita novidade nacional. O que é muito ruim, porque ainda é o meio que determina o sucesso de uma banda”.

    Agora, a banda volta para a estrada com um show que promete o mesmo cenário elaborado que será visto na MTV, um letreiro enorme que forma o nome Titãs. “Oficialmente, começa no dia 19 de novembro, mas já estamos fazendo pequenas apresentações com esse repertório”, adianta. Os planos são de começar subindo, se apresentando no Nordeste durante o verão para encerram no eixo Sul-Sudeste.

    Datas que, por coincidência, o vocalista e saxofonista Paulo Miklos fechou contrato com a Rede Globo para participar da novela “Bang Bang”. A banda, no entanto, garante que não vai esbarrar. “Uma das exigências dele era que ficasse claro que, em primeiro lugar, viria a agenda da banda”, explica Tony. “Então ele vai gravar num espaço entre semanas, quando não estiver fazendo shows”, garante. O Titãs tocou no Recife em 2004 durante o Festival de Verão. Apesar de ainda não ter confirmado as datas, é provável que volte à cidade com o espaço entre um trabalho (“Como estão vocês?”, de 2003) e outro.

    Disco

    “Se não for pra detonar / botar a casa abaixo / então é melhor nem me chamar”. O Titãs não botou a casa abaixo ainda, mas pode chamar eles para começar os trabalhos sim. “MTV Ao Vivo – Titãs” mostra que os paulistas estão, timidamente, voltando a fazer muito barulho na música brasileira. Com repertório bem montado, ela apresenta sua montanha-russa de gritarias, palavrões e guitarras que, volta e meia, dão uma fugida para a sombra do acústico.

    Longe, no entanto, daquela história de estar cada vez mais cansada. As 20 músicas são de uma energia que funciona mesmo sem precisar estar olhando para um show. Gíria cunhada pelo jornalista Nelson Motta na época que a banda começou a fazer sucesso no Brasil, ouvindo esse disco para “pular feito pipoca” sem problemas. Talvez pelo milho ocasional que vá sobrar em canções como “Enquanto Houver Sol”, onde claramente se imagina o público levantando a mão para lá e para cá.

    Mas melhor que a gritaria de Paulo Miklos em “Vamos ao Trabalho”, é ver o retorno à crítica rasgada e bem humorada da situação política do País. O Titãs de 85 ainda é atemporal. O de 2005 promete continuar com “Vossa Excelência”, música que faz discurso direto para os engravatados. “Estamos preparando vossas acomodações, Excelência”.

    E também visivelmente adolescente em “O Inferno São os Outros”, letra de Tony, Gavin e Branco que canta “O paraíso é para todos / o problema não sou seu”. Falta só mesmo um pé a mais de atitude para sair de vez da pressão das grandes gravadoras, voltar para o cenário independente e dar um pouco daquela velha “salvação” para o rock nacional.

    Seção – Discos

  • Totonho é duas vezes um típico MEB. Música Eletrônica e Música para Exportar Brasileira. Exemplo mais clássico da criatividade nordestina em reprocessar suas batidas regionais com os samplers eletrônicos que recebe freqüentemente uma porta na cara dos produtores locais. Até, claro, voltar cheio de referências, elogios e um disco lançado no sudeste do País. Junto com sua banda, “Os Cabra”, o paraibano volta a dar as caras no segundo CD, “Sabotador de Satélite”, o primeiro produzido pela Trama.

    A descrição lembra muito do que aconteceu com Otto. Mas a música de Totonho não ficou tão eletrônica assim. Ainda. Com roupa prateada e cheio de colares, só para fazer tipo, Totonho é o tipo de figura que se encontra num bar e, depois de tanta história, não dá para saber se a bebida está batizada ou se você que já passou da conta. Sua poesia é assim. Uma prosódia de uma sociedade que vive num latifúndio do espaço sideral onde ninguém tem emprego e educação. Hoje está tudo bem, o amanhã é que anda mal.

    As pequenas histórias desse cenário cheio de intertextualidade começa com “Jaspion do Pandeiro”, rapaz que anda por aí com um skate no pé e batuque na mão. Traz consigo um par de silicones para mamas juvenis. Segue sempre nesse clima engraçado, com um pé no inteligente, lembrando um pouco de longe letras da extinta Karnak. Aliás, comparações são o que não faltam em “Sabotador de Satélite”.

    Totonho rima com a vontade de experimentar de Chico César, Cordel do Fogo Encantado e Otto. Como esses três, sua música se venda pela sinceridade que mostra nas faixas do CD. Diferente deles, suas histórias parecem ser conduzidas por uma constante melancolia mesmo nos efeitos e batidas eletrônicas. Mesmo quando soa bobo ao falar que “o peito da morena / quando aperta faz fom fom”. Chega num limite perto do final, em “Rita Leea de Itamaracá”, onde canta “já estou de partida para o meu apê lunar”.

    Existe ainda o fator de timing, que garante a esse disco uma expectativa maior de chamar a atenção dos produtores. A fase de crítica negativa a supervalorização das misturas regional está bem perto do fim. “Sabotador de Satélite” chega num momento onde uma triagem mais responsável deve selecionar artistas de qualidade para representar essa parcela do mercado fonográfico. Para quem está atrás disso, o disco é um prato cheio.

    Entrevista

    “Vamos fazer uma parceria?”. A proposta veio do produtor musical da Trama, Carlos Eduardo Miranda, depois que Totonho mandou sua demo para nada menos que 20 gravadoras. Bem antes desse resultado, sua história começou em João Pessoa, onde participava de uma cooperativa de compositores. “Éramos 19 e, quando um fizesse show, todos os outros estariam a disposição deles para conseguir som, contato com imprensa, etc”, explica. Mas acabou indo para o Rio fazer mestrado. Encontrou uma ONG no meio de caminho e parou de fazer música.

    Quando viu que um dos colegas da cooperativa estava fazendo sucesso, viu uma oportunidade para voltar. Era Chico César. “Comecei a produzir umas demos, achando que através dele conseguiria chegar numa gravadora”, lembra. Mas não é assim que a coisa funciona. Totonho acabou aprendendo que o artista, na verdade, costuma estar bem distante das decisões de uma grande empresa. “Mas acabei me encorajando e fundei esse aglomerado de gente, “os cabra” que tocam comigo”.

    Foi quando começou o processo de procurar shows e mandar demos para gravadoras. “Engraçado que eu nunca toquei no Recife. Sempre mandei material para o Rec Beat e Abril pro Rock, mas nunca tive resposta”. Engraçado mesmo, já que seu disco de estréia, homônimo, é o tipo de som que os produtores locais procuram. Talvez numa embalagem menos jovem.

    Totonho volta para o Nordeste no fim do ano, onde se apresenta na sua cidade natal em novembro. “Tradição é uma coisa que não anda sem ser mudada, transformada. Parece que só agora começam a dar atenção para isso no Nordeste”, reforça. Enquanto se prepara para a viagem, tenta “fazer uma ponte com os outros estados próximos”.

    Publicado originalmente em 20.09.05

    Seção – Discos

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