Page 17 — Pop up!

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Gutie, produtor do Rec-Beat; e Gabi Amaranto, do Pará. Foto de Caroline Bittencourt

Fazer festival no olho do furacão de um dos maiores carnavais do país parece jogo ganho. E, em termos práticos, é o que acontece quando se trata do Rec-Beat. Em sua 15a edição, o evento aconteceu mais uma vez no “polo mangue” do Carnaval do Recife, durante quatro dias onde atraiu um público médio de 8 a 10 mil pessoas por noite. Talvez em um contexto diferente onde fosse pago, as atrações da programação não chamariam mais do que mil pessoas. E esse é o principal mérito do evento, promovido pelo paulista Antonio Gutierrez: promover um econtro de ótimas bandas com pessoas que, naturalmente, não iriam ao encontro delas.

O Rec-Beat já passou por diversas mudanças de conceito. Da última vez que entrou de acordo, decidiu não trazer mais nomes de grande porte e diminuir um pouco de espaço onde acontece, a favor de ter uma folga maior de público. Opção acertada e celebrada por quem ainda lembra das noites sufocantes na tentantiva de se assistir a Nação Zumbi tocar no bairro histórico do Recife Antigo. Mesmo assim, esse ano fechou a programação com uma trinca dos melhores discos de 2009. Passaram por lá Lucas Santanna, Céu (SP) e Cidadão Instigado (CE).

Os grandes – pelo menos no contexto do festival – não tem muito a acrescentar. Fizeram respectivamente os melhores shows de cada um de suas noites. Com o destaque principal para a resposta de público do Cidadão Instigado. Esse foi o show que oficialmente lavou a alma de Fernando Catatau, que colecionava uma série de apresentações no Recife que eram atrapalhadas por fatores externos.

Mas é a novidade que sempre chama mais atenção. Na segunda noite do festival, Gabi Amarantos, do Pará, trouxe o que ela chama de “tecno-melody”, uma evolução do tecnobrega. Com direito a versão de “All the Single Ladies”, de Beyoncé, cantada em português – é aquela mesma que foi gravada por Preta Gil, que no refrão diz “hoje eu tô solteira” – e um show que, por uma hora, só fez repetir as mesmas cinco músicas, arrancou verdadeiro delírio do público.

Ainda na fileira das novidades, a Caldo de Piaba, que vem do Acre, fez uma das apresentações mais impressionantes. Misturando Carimbó com o Imunização Racional de Tim Maia, fizerma show instrumental que prendeu a atenção do público até o final. Quem também não tinha vocalista é a Diversitrônica, com uma parede sonora altíssima, fazendo uma das cinco apresentações mais legais de todo o festival. É música eletrônica, mas totalmente tocada por uma banda, quase sem programação.

O festival conseguiu a boa façanha que foi apresentar um novo artista pernambucano a sua própria terra. Zé Manoel é a promessa lançada pelo Rec-Beat que deve circular ainda mais este ano, impulsionado pelo ótimo show que fez na primeira noite. Ainda nas pratas da casa, o festival consagrou o ótimo momento da banda Volver que, mesmo no horário cedo, teve a melhor resposta de público entre todas as atrações. A comissão de frente do palco cantou todas as músicas sem errar e fez até fila para conseguir autografo do grupo que, hoje, está morando em São Paulo.

O Rec-Beat trouxe conceito e frescor ao Carnaval de Pernambuco, que em seus outros polos apostavam de extremos como o samba carioca de Diogo Nogueira e ao emocore do NxZero. O encerramento, com uma big band reunindo integrantes das bandas Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda, tocou até perto do sol nascer. Tudo em clima bem familiar, sem violência, mostrando que boa música foi suficiente para criar o ambiente de um festival de graça, no meio da maior festa do país.

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