Trabalho sujo « Pop up!

Da coluna Ressaca. Publicada no site Giro Cultural

Fui ameaçado de morte semana passada. Pense numa semana complicada. Começou num daqueles suspiros cansados, já na sexta-feira. Já era noite quando eu ainda estava no telefone tentando falar com alguém da assessoria dos Rolling Stones. Só faziam me passar para o próximo, o próximo, etc. Dois casos que desabam qualquer boa impressão do trabalho de jornalista de música.

Lidar com música e arte em geral, é lidar com vaidade. De quem produziu, de quem bancou, de quem está envolvido. Um disco pode ser um parto bem mais doloroso que um filme. Montar um festival mais estressante que um divórcio daqueles pesados, onde você a pega com o amante. No fim, ouvir alguém dizer que você fez tudo isso errado pode ser o impulso final para apertar o gatilho.

Gatilho de uma arma que está apontada para quem fala. Em abril de 2005, decidi publicar uma matéria complicada. Bandas iam processar a Claro pelo festival Claro q é Rock, que estava cheio de falhas no regulamento. Trabalho no jornal da cidade que dá o maior espaço para bandas locais, não hesitei que essa matéria deveria sair. Falei com as bandas e, como manda o figurino, ouvi o outro lado. A resposta oficial da empresa era que não tinha resposta oficial.

É o trabalho sujo. Esta semana recebi emails de ameaça de morte porque falei que o novo disco do Eddie era ruim. Minha banda favorita, o Ramones, tem um monte de discos ruins. Mas, para os fãs do Eddie que entraram em contato, a banda daqui não pode ter. Já fui xingado por um vocalista que me pediu uma opinião e respondi “você canta mal”. E o mais chato de todos, a mesma empresa citada convidou os outros dois jornais da cidade para o Claro q é Rock em SP, com tudo pago e, agora, também para o show do Rolling Stones. No primeiro caso, usaram a terceira passagem reservada para a imprensa da cidade para levar dois repórteres de um mesmo veículo.

Em Recife tem disso, quem fala mal, o produtor consegue até ser preconceituoso com sua vida pessoal na televisão.

Fica o desabafo. Não pretendo ceder a publicar minha opinião sobre um disco, festival ou banda, quando for preciso. Vejo colegas da profissão falarem que preferem não falar mal, ficar em cima do muro, dar só uma entrevista, que “arranjar confusão”. Meu trabalho não é arranjar confusão. É ser sincero no que escrevo, na minha avaliação (que ao contrário do que gostam de dizer, tem muita base). Não importa o que falem da minha formação, da minha pessoa ou até vida pessoal.

SAIDERAS

Fato engraçado

Acusaram-me de falar mal do CD do Eddie porque eu “sou indie”. No mesmo dia, um email da banda Wry, aquela de São Paulo que tocou aqui, chegou dizendo que eu falei mal do disco deles por preconceito com a cena indie. Será que eu vou ter uma crise de identidade? Quem sou eu? De onde vim? Que música eu gosto?

Por aí

Pegue o novo do Belle e Sebastian, está muito bom. Não dê ouvido ao Hype, falam de uma tal Panic! At The Disco, que é bem fraquinha. Legal mesmo, nesse esquema MP3 é a The Subways. A última você encontra no site www.purevolume.com, as outras duas no seu site favorito.

Por aqui

O que é esse carnaval de Olinda que não divulga nunca a programação e, segundo as próprias, pretende deixar todas as bandas legais da cidade de fora? O que é esse carnaval do Recife que só deu espaço para macaco veio? E o que é essa promessa ótima de cinco atrações internacionais num único Abril pro Rock? Só uma dica: procurem ouvir a francesa Camille e sua banda, a Nouvelle Vague. No show não vão faltar bons refrões.

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