Entrevista: Pitty « Pop up!

Ano passado, mesmo quando já tocava como atração do palco principal do Abril pro Rock, Pitty passeava pelo Centro de Convenções, com cara e jeito de moleca que chegava a se confundir com outras garotas do show. “Não dá mais”, diz, em entrevista por telefone. “É uma pena, porque eu gosto muito de circular, curtir os shows”, completa. Na escassez de uma figura feminina no rock nacional, ela cresceu bastante nesse espaço de dois anos até lançar Anacrônico, que chega essa semana nas lojas.

Mas para ela, a impressão que dá é que não fez tanta diferença. “As vezes ainda falam disso pra mim”, diz em relação às comparações entre ela e Cássia Eller. “Mas não ligo pra isso não”. Pitty continua a mesma garota de respostas curtas, tímidas e diretas. “Quero fazer um trabalho que é minha cara mesmo, sem dar atenção a essas coisas”, conclui. Caminho mais difícil, já que a exposição dela permite facilidades bem vindas a um músico.

No primeiro semestre ela fez uma participação no acústico do Ira! que impressionou o público mais taxativo de seu trabalho. “Estudei canto uma época”, explica o motivo de toda aquela voz em “Eu quero sempre mais”. “Mas não quero fazer nada do tipo agora, não teria nada a ver com esse meu disco novo, não quero me desplugar”, diz, com pé no chão. Por sinal, Anacrônico é um disco bem mais pesado que Admirável Mundo Novo.

O disco chega dentro da nova moda das divulgações de CD. O single recebeu uma distribuição especial em vinil, que chega apenas nas mãos de rádios, imprensa e pessoas selecionadas. “Foi idéia minha e do Rafel [Ramos, ex-baba cósmica]”, comenta. “É legal porque alguns DJs que tocam rock só usam vinil, assim podem usar a música nas festas que fazem”.

A presença do Rafael no disco é, talvez, o maior sinal de maturidade de Pitty. Ela continua sendo lançada pelo selo Deckdisc, sem deixar se impressionar pelo discurso das grandes gravadoras que estão de olho no trabalho dela.

Publicado originalmente em 16.08.05 

Random Posts