Eduardo Ramos | Pop up!

  • Blog
  • Reportagens
  • Discos
  • Downloads
  • Sobre o site e o autor

18/02/2009

thename-1185562

De: Sorocaba
Selo: Tronco
Para quem gosta de: Rapture, Charme Chulo

A primeira grande aparição que a The Name fez para o público de fora de Sorocaba foi em 2007, durante o Goiânia Noise Festival. Naquela época, selecionados por um concurso da Trama Virtual, a banda ainda era bem diferente dessa que lança agora o primeiro EP. Eram uma banda com mais referência no rock inglês da década de 80, empurrando sotaque brasileiro no grave de uma voz que, por pouco, não seria a do Ian Curtis.

Mas a apresentação em Goiânia funciona como um divisor de águas na história do trio. Quem assistiu aquela apresentação foi o, recém retornado ao Brasil, produtor Eduardo Ramos. Nos vai e vens de declarações na imprensa durante o caso do Cansei de Ser Sexy, o agora ex-empresário da Slag Records dizia que continuaria com a vontade de produzir uma banda. E ele direcionou essa vontade para a The Name.

Assonance”, a real estréia deles para o mundo independente, é um EP intrigante. A The Name quer conquistar os palcos tanto quanto as pistas de dança. As batidas eletrônicas mais aceleradas só não causam mais impacto na primeira audição que a voz, agora assustadoramente aguda. O electro-indie-rock vem embalado em ritmos brasileiros, com ecos do swing latino que é tão associado a esse lado do hemisfério.

A iniciativa ousada faz dessa um tipo de banda quase rara no Brasil. O sotaque do interior paulista está lá, só que agora soa muito mais modernoso que a própria maior metrópole do país. Curiosamente, igual como aconteceu com a também sorocabana Wry. A The Name canta em inglês sobre celebração. É exatamente o que deveria ter acontecido com a música do Bonde do Rolê e do CSS no segundo disco. Uma penetração no rock lá de fora, mas com jeitinho de brasileiro.

Desnecessário dizer o quanto isso faz deles uma banda valiosa para o mercado lá de fora. Quando não estão criando essa catarse de repetição entre batidas e riffs de guitarra, a The Name mostra seu potencial para crescer com integrantes que tem a banda como prioridade e um pé no freio do deslumbre. A entrevista baixo foi respondida pelos três, Andy, Molinare e Alves:

Primeiro as amenidades. O que é que vocês escutam por ai?

Cara, a gente sempre tenta acompanhar essa leva de bandas fodas que aparecem por aí. Tem muita banda independente fazendo um trabalho extremamente foda, como o Holger, Macaco Bong, Homiepie, Stephanie Toth e outros. Por outro lado, temos uma influência post-punk muito forte e acabamos ouvindo muito essa onda também.

A música de vocês no Noise era bem diferente, mais oitentista, do que está no álbum. Já dá para dizer que essa é a cara definitiva da The Name ou essa é uma banda que ainda vai mudar mais?
“ASSONANCE” foi o primeiro passo pra uma identidade que nem a gente sabe onde vai parar; a gente só sabe que vai parar nas “pistas” de alguma maneira. Toda a banda tem que mostrar diferentes evoluções em cada trabalho, esse é o sentido pra gente de fazer um novo EP.

Tem alguma coisa que me é intrigante no som de vocês, de uma forma que ainda acho difícil descrever. Existe um elemento forte de brasilidade (ou latinidade?) misturado com um indie rock mais modernoso. É viagem minha? Como nasceram essas músicas de vocês?
Não é viagem não, Bruno. Desde o single “Older”, já estávamos incorporando o lance de percussão eletrônica. Mas pô, a gente tá no Brasil e não tem coisa mais gingada do que um ritmo latino. Não deixamos as tecnologia de lado – os samples e as percussões continuam vindo de um laptop e uma bateria eletronica – mas agora são percussões latinas. O fato da gente estar ouvindo muito mais o post punk e o não-wave, acabam reforçando esses elementos.

Onde vocês pretendem chegar com essa banda? Me parece que o espaço para esse tipo de música, mesmo com o circuitão dos festivais, ainda é bem pequeno. Vocês querem fazer turnê fora?
Queremos simplesmente pagar nossas contas com o que a gente curte; tocar aqui ou lá fora faz parte do mesmo ideal. A gente não conhece muita banda com o estilo que a gente tá fazendo hoje em dia, aqui no Brasil. Mas existe o Charme Chulo que faz um post-punk-caipira e tem um puta público. Isso prova que o espaço não é pequeno e sim que existem poucas bandas de um mesmo gênero.

Perguntei isso porque Sorocaba é casa do nosso primeiro produto de exportação indie, o Wry. Como é a cena ai na cidade de vocês? Tem mais bandas desse estilo? O que mais deviamos estar ouvindo que vem dai?
O Wry foi uma das primeiras bandas à meter a cara lá fora. Isso é fudido pra gente que é sorocabano. A cidade tem muita coisa boa, mas antes de todas elas, Sorocaba foi terra de uma das bandas mais originais do final dos anos 80 – Vzyadoq Moe. É uma das nossas grandes influências de som. Vale a pena conhecer. Eles foram uma das pioneiras à misturar o post-punk com ritmos brasileiros, como o SAMBA e a MACUMBA (que influenciou grandes bandas dos anos 90). Com toda a certeza, uma das fontes onde o mangue-beat bebeu. É uma banda Sorocabana que devia voltar.

De volta as pretensões… apesar do pouco tempo, a The Name já tem uma boa idéia de como é o mercado independente. Vocês tocaram em pelo menos um grande festival fora, além de terem feito o circuito de shows no interior de São Paulo. O que vocês acharam de tudo? O que acham que está faltando?
Tudo o que aconteceu e vem acontecendo, é fruto de muitos anos de trabalho. A The Name é nova, mas nós três já tocamos juntos há 12 anos. Tocamos nesses festivais (Goiânia Noise, Demosul e duas vezes consecutivas no Araraquara Rock) e participamos com o Macaco Bong nesse projeto da Tronco que é fudido, o “Desbravando o Interior”. Podemos dizer que tem muito o que desbravar ainda.

Há alguns poucos profissionais que trabalham (muito) por isso fazendo com que o circuito esteja sendo formado; um mercado independente auto-suatentável. Como qualquer setor, falta o profissionalismo dos envolvidos, sejam bares e/ou uma divulgação decente. Aconteceu de tocarmos em bares que não havia nenhum pôster e/ou flyer falando do show. Em compensação, uma parede cheia de “KISS COVER” estampado. Essa é a realidade, tem pouca gente que se ‘arrisca’ ao independente. A gente está descobrindo isso aqui na cidade mesmo, onde já trouxemos muitas bandas e pagamos, do bolso o mínimo de divulgação. Isso vai mudar quando enxergarem que há público e há como sobreviver coletivamente no mercado indepentente.

Escute a The Name no MySpace
Veja fotos da banda no Flickr

A The Name estréia uma nova seção aqui no Pop up. Toda quarta-feira uma nova “banda da semana” vai ficar em destaque. Sempre com entrevistas, links e downloads.

Written by Bruno Nogueira 13 Comments Posted in Blog Tagged with Banda em Destaque, Cansei de Ser Sexy, Eduardo Ramos, Sorocaba, The Name 04/09/2008

Eduardo Ramos é melhor conhecido como o ex-empresário do Cansei de Ser Sexy. O cara que foi com a banda para os Estados Unidos e catou na unha show por show até que acontecesse a história como nós a conhecemos. Inclusive as confusões depois, entre constante troca de acusações e processos judiciais envolvendo também a gravadora Trama. Esse texto não vai perder nenhuma linha alem dessas sobre o assunto. A entrevista abaixo é a sequência do post anterior “Independência, parte dois” sobre o novo projeto dele como produtor.

– Primeiro, a inevitável: qual o destino da Slag Records? Você falou que está se juntando com a Amplitude, mas existe algo mais concreto? Ainda tem artistas ligados ao selo? Vão virar um selo só? Vão virar o Day One dos independentes? 🙂

De concreto só o chão da estrada, porque é ali que está o futuro. Nós não sabemos nem como definir o que é um selo… antes era uma “coisa” que lançava discos, mas por que ter um selo se é só colocar as músicas on-line atualmente? Este “algo mais” foi o que sempre faltou no mercado independente brasileiro… e hoje categoricamente não falamos em discos (no conceito antigo de prensar 1000 discos e fazer distribuição). Não vamos virar uma coisa só porque as propostas artísticas dos dois selos são absurdamente opostas. Não vamos virar nada mega… somos 4 pessoas em uma sala pequena, cheia de discos, livros e idéias e é assim que vai continuar. Selo no sentido de lançar disco… não tão cedo. Banda para ter disco lançado tem que fazer 60 shows por ano, então invertemos a equação, vamos fazer 60 shows por ano e dai ver o que acontece… e não necessariamente trabalhando só com as bandas do selo (como o Macaco Bong que é da Monstro). Ninguém sabe o que está acontecendo no mercado independente e deste caos queremos achar algo!

– No release de vocês tem um buraco enorme entre “ligações para casas sem a menor idéia” e *bum* 40 shows marcados. Como foi que vocês conseguiram montar esse circuito efetivamente?

Trabalhando absurdamente, tentando convencer gente que não tem a menor idéia do que estamos falando. Desde março estamos formatando esta idéia… são 6 meses de trabalho!

– São Paulo é uma região urbana muito atípica, comparada ao Brasil, para formatar um projeto desses. Me parece ser bem mais fácil – porque ninguém vai encontrar uma cidade como Bauru no interior de Pernambuco, por exemplo – … vocês pensam em exportar essa idéia para outras capitais? Ou o circuito já é esse mesmo, fechado?

A idéia é criar um circuito nacional. Para isso existe uma comunicação e uma coordenação com outras cenas. Começar em São Paulo foi uma necessidade, pelos motivos já citados e porque é fácil para pegar um carro e atravessar o estado em 6 horas no máximo. Mas, por exemplo, existe uma coordenação acontecendo com o Foca (do DoSol) em tours futuras para fazer uma perna no nordeste. Ele adorou a idéia e é possível realizar pelo menos mais 10 datas coordenadas. O Fabrício (Nobre da Monstro) vive me falando que dá para armar uma perna com Uberlândia/Uberaba/Goiânia/Brasília. Na verdade em Minas Gerais está rolando uma movimentação parecida. Se você adicionar o Sul… estamos falando de muitas cidades, estamos falando de um circuito de 90 shows, ou seja, pela primeira vez estamos falando de uma tour de verdade pelo Brasil, que vai sustentar uma banda independente e dai sim, justificar um disco sendo distribuido nacionalmente. Até agora, vou ser sincero… distribuição nacional é uma piada, porque não existe nada nacional.
Assim como nos EUA, ninguém toca no interior do Colorado… assim como vai ser muito complicado ir tocar no interior de Pernambuco, mas é uma piada uma tour passar pelo nordeste e não tocar nas capitais. É isso que buscamos com este projeto.

– Sendo esse o caso… como pensar primeiro no problema das capitais? São Paulo foge totalmente a regra pela dimensão urbana, mas em outros casos, seria pensar “tocamos nos EUA, mas ainda não fomos a Caruaru”. Quando na verdade as bandas não estão tocando nem no Recife…. Traduzindo melhor o que quero falar: você não acha que falta muita profissionalização nos centros, para começa a pensar já nas periferias?

Falta tudo Bruno… as bandas precisam mudar para começar. Precisa acabar esta postura de “banda de final de semana”… Eu não quero me envolver com isso, não estamos montando este projeto para este tipo de banda. Eu quero uma banda que vira e fale: isto é a minha vida! Porque este projeto é a nossa vida!!! Eu adoraria ser público e usufruir (como selo) disto tudo, mas novamente, se não colocamos a cara para bater, ninguém coloca. E este que é o problema! Hoje eu recebi umas 30 ligações de bandas (algumas até relativamente estabelecidas) falando que querem tocar no interior! Porque os tais “produtores” deles (atuais ou do passado) não fizeram isso antes? Porque as bandas não pegaram o telefone e fizeram isso? Porque não existe planejamento! A maioria das bandas são uma piada ambulante… ficam felizes de lançar um CD e mostrar para a namorada/família e eventualmente aparecer em uma matéria na Rolling Stone! Isso não existe… nem aqui e em nenhum lugar do mundo, apesar que este marasmo das bandas é algo universal, não é problema só daqui não. No Reino Unido acontece direto, nos EUA acontece direto. Odeio quando alguém vem e fala que as estradas brasileiras são uma merda, isso é desculpa de perdedor.

– A maior crítica que é feita hoje aos festivais independentes são as “ajuda de custo”. Quem entrar nesse circuito ai vai ganhar por show? Como vão ser os cachês?

Me responde uma coisa: quando o Black Flag começou a fazer tours em 1981, eles pediram ajuda de custo para quem? Os EUA em 1981 eram uma piada, 1000 vezes pior do que o Brasil hoje, então qual a desculpa que alguém vai inventar agora? O circuito independente americano foi formado de uma maneira simples: eu preciso ganhar o dinheiro para ir para outra cidade. Este é o cachê! O cachê é a mesma bilheteria que a merda do Foals ganhou por um ano e meio antes de assinar com a Transgressive, o mesmo cachê que o Animal Collective ganhou antes do Sung Tongs… então mais uma vez, eu só escuto desculpas das bandas! Por isso que tem que ser 8 ou 80! Por isso que no meio das tours quando os caras do Butthole Surfers passando fome e frio se perguntavam: POR QUE? Eles respondiam: porque eu prefiro isso do que ficar trabalhando em um banco das 9 as 6!

– Essa é mais pré-conceituosa… Porque você acha que o interior do Brasil está culturalmente pronto para isso? Talvez isso esteja mais ligado a essa minha dúvida inicial sobre montar esse circuito. Quer dizer… o dono de um bar em uma cidade menor toparia pagar um cachê razoável para uma banda instrumental de Fortaleza com músicas que duram quase sete minutos?

Qualquer cidade do interior tem um bar de rock, qualquer cidade do interior tem 200 pessoas que escutam rock da maneira mais genérica possível… estas pessoas vão assistir o show do Fóssil e falar “TOCA RAUL”, da mesma maneira que na gringa gritavam “TOCA STONES”. Destes 200, 20 vão gostar… da próxima vez 40… e por ai vai. Não tem que ficar pedindo cachê, 40 latas de cerveja ou comida… tem que ir e tocar, parar de frescura. Frescura é coisa de classe média, tocar e ter hotel garantido, som garantido… NÃO EXISTEM GARANTIAS NA VIDA! Eu respeito quem faz isso, mas não é este tipo de banda que eu trabalho/vou trabalhar e não são bandas assim que vão fazer parte deste circuito.

– Como vai ser feita essa logística on the road? Nos EUA as bandas alugam vans – se não me engano, o Debate fez isso também – ou micro-ônibus. Isso vai ser uma estrutura pronta dessa empreitada de vocês ou vai ser um gasto de cada turnê?

Existem problemas no Brasil obviamente. Para dirigir uma van legal, você precisa ter uma carteira especial… então por mais que uma van usada custe uma grana, tem este lance da carteira… é um saco, estamos esbarrando nisso. Mas qualquer um pode pegar um carro e sair tocando… é esta idéia. Obviamente este esquema é complicado para fazer uma tour do Móveis Coloniais por exemplo, por sorte as bandas que vamos trabalhar tem um tamanho mais “normal”… e estamos alugando carros para realizar as tours… mas já pensamos em comprar uma van para as próximas tours… em tentar criar uma estrutura melhor. Mas lembrando que até agora tudo está sendo feito com nosso próprio dinheiro.

– Vai existir alguma integração no sentido inverso? Essas casas que vocês fecharam certamente tem muito pouca a nenhuma ligação ao modus operandi do independente brasileiro. Vocês pretendem abrir esse canal? Abrindo myspaces ou orkuts das casas?

Abrir o canal? Você diz abrir a informação? Claro… eu quero mais é que mais pessoas façam o mesmo que estamos fazendo. Quem precisar de qualquer informação me liga que eu explico. Estou de saco cheio de gente que não circula informação.

– Qual o propósito disso tudo? Fazer muito show para ficar mais conhecido? Ganhar dinheiro fazendo show? Vender discos nas cidades do interior? A idéia de um circuito com 90 shows é bem interessante, mas o que acontece com a banda depois disso?

O objetivo é ter um circuito independente que se auto sustenta… isso tem a ver com discos, shows, camisetas, downloads, empresas pagando a conta… é fazer existir um circuito, não ACHAR que existe algo. O que acontece com a banda depois de fazer 90 shows? Descansa por alguns dias, grava um disco novo e começa tudo novamente, tenta fazer algo lá fora… isso que é a vida de uma banda. Nada de banda de fim de semana ou turismo musical.

– Conectando com a pergunta anterior – e encerrando – qual a vida útil de um circuito como esse? Ou, me repetindo nas perguntas, existem novos trechos por vir para as bandas cairem na estrada?
Vida útil? Cara… isso tem que rolar para sempre. É um absurdo isso já não existir… tem que abrir mais cidades, mostrar para as pessoas que existe público(e existe), fazer cidades menores entrarem no esquema. Eu estava conversando com o Nobre estes dias e falei: cara a 10 anos atrás se alguém falasse para você que iria ter um show do Vaselines e do Black Lips em Goiânia, você acreditaria? Eu não! Agora – pelo amor de Deus – Goiânia fica no meio do nada e tem público, como em São Carlos não tem?

Written by Bruno Nogueira 14 Comments Posted in Favoritos, Reportagens Tagged with Eduardo Ramos, Entrevista 04/09/2008

Primeiro vieram os festivais

Em um cenário apocalíptico onde as grandes gravadoras começaram a apertar a descarga do departamento artístico, reduzindo contratos e lançando cada vez menos discos e músicas, as bandas encontraram nos festivais independentes um sopro de sobrevida. Do primeiro arquivo em formato MP3, há 10 anos, até este fim de semana, a Internet escancarou um fato que não era peciso esforço para ignorar: existem centenas, senão milhares, de bandas lançando coisa nova em todo momento. E se essas bandas não iriam mais assinar contratos, poderiam pelo menos vislumbrar um calendário de grandes eventos ao longo do ano inteiro, em todo o país, que garantiria ao menos uma mímica de mercado independente.

A Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin) permitiu isso. Essa informação de que em um estado distante como Cuiabá tinha eventos tão interessantes como a então efevercente cena do Recife. E que as bandas de Belo Horizonte encontrariam um grande evento logo ao lado, em Goiânia. Os eventos se conectaram e, com a troca de informações, criaram um grande funil para bandas independentes. A coisa ficou mais séria e, quem quisesse tocar, teria que aprender a abrir mão de certas regalias e passar a colocar a banda em primeiro lugar. Pouca gente aguentou o tranco e até cancelou participação em festivais.

Muita banda inclusive acabou depois de tocar em festival. E, provavelmente, muito mais bandas devem acabar a partir de agora, porque o negócio vai começar a ficar realmente sério.

Até então, depois dos festivais não vinha mais nada.

Uma das conseqüências que a Abrafin trouxe ao meio independente do país foi uma facilidade melhor de articular uma turnê fora do país. Nos últimos dois anos a participação do Brasil em eventos como o South by Southwest quadruplicou. E enquanto a banda Debate fazia shows em várias cidades vizinhas ao Texas, Eduardo Ramos (sim, aquele do CSS), teve o estalo ao lado do amigo Sérgio Ugeda, da Amplitude. “Estamos tocando no Texas, mas nunca tocamos em Bauru”. E passaram a olhar mais atentamente a vizinhança.

De volta ao Brasil, os selos Slag Recores e Amplitude decidiram juntar os esboços desses questionamentos em idéias concretas. Até então, fazer shows no Brasil sempre significou 1- Fazer uma temporada de dois meses, sempre com média de cinco ou seis shows, nas casas dos arredores da Augusta em São Paulo; 2- Contornar o Nordeste, com um máximo de três shows que passavam por Natal, João Pessoa, as vezes Recife, as vezes Fortaleza. Um potencial enorme sempre foi deixado de lado em cidades do interior.

Nos últimos seis meses, Slag e Amplitude dedicaram tempo exclusivo em desbravar o interior. Primeiro com ligações para donos de bares e casas de shows, a principio desavisados e desinteressados, muito perrengue, visitas nas casas e persistência. O resultado chegou agora: Esses caras estã montando um circuito de nada menos que 90 shows no Brasil. Noventa. E agora, cair na estrada ganha um novo sentido.

Até então, isso é algo inédito. E incrivelmente grande. Nos Estados Unidos as bandas viajam sem muito glamour de cidade para cidade, as vezes fazendo pequenos shows, outras vezes esbarrando em um grande festival. Essa vida na estrada talhou o som desde históricos Led Zeppelins a hypados Klaxons e mesmo estrangeiros como o CSS. No Brasil, é certo afirmar que nenhuma banda independente conheceu de verdade essa vida on the road, que, ironicamente, é até comum a alguns nomes do mainstream do pop nacional.

A primeira turnê Amplitude + Slag será com as bandas Fóssil e Attractive&Popular. Para não começar dando um passo maior que a perna, as duas bandas somam, juntas, cerca de 40 shows. Tocam em Bauru, Botucatu, São José do Rio Preto, Araraquara, Mogi das Cruzes, São Carlos, Rio Claro, Campinas, São José dos Campos, Piracicaba, Limeira, Guarulhos, Sorocaba, Bragança, Franca, Santos, Ribeirão e São Caetano do Sul, além de São Paulo.

Vai ser a primeira vez que uma banda independente consegue fazer um show por dia, todos os dias, sem parar durante um mês.

Nesse trajeto, encontram outras bandas e, com o tempo, vão multiplicando o circuito. Outras bandas como Firefriend e Macaco Bong já estão fechando suas participações nesses circuitos. E Eduardo Ramos e Ugeda já estão articulando novos braços, com Anderson Foca no Nordeste e, mais tarde, Fabrício Nobre no Centro Oeste. A interiorização vai mudar profundamente o comportamento e postura que as bandas começarão a precisar assumir a partir de agora.

Conversei ontem com Eduardo e, na seqüência, vem um post com entrevista. E as bandas podem começar a se preparar para se levar muito mais a sério do que jamais imaginaram. E, na sequência, as datas das turnês, que começam dia 23 de setembro.

Written by Bruno Nogueira 12 Comments Posted in Blog Tagged with Abrafin, Amplitude, Attractive&Popular, Eduardo Ramos, Fossil, Sergi Ugeda, Slag eu-4184216 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

Random Posts