Mercadorias e Futuro | Pop up!

A grosso modo, a sinopse de Mercadorias e Futuro, espetáculo que estréia nesta terça-feira no Teatro de Santa Isabel, poderia ser encarado como uma apresentação qualquer do grupo Cordel do Fogo Encantado. “Uma performance que une texto, som, luz e improviso”, protagonizado pelo próprio Lirinha, músico e compositor da banda, aqui travestido de seu nome de batismo, José Paes de Lira. Mas é ele o primeiro a fazer questão de diferenciar, “não sei como te dizer, mas é diferente”, garante e reforça no mesmo fôlego “bem diferente”.

Lirinha assina como José Paes, mas no palco ele incorpora um terceiro personagem, chamado Lirovsky. Um vendedor de livros que inventou uma parafernália de maquinas, que dispara sons, imagens e luz, em forma de carrinho de vendedor de livros. “É um trabalho que acontece sob um mesmo terreno, a zona de fronteira entre teatro e música, talvez isso que gere essa semelhança”, avalia mais tarde o músico/poeta. “Mas o espetáculo é um mergulho na palavra, um aprofundamento no texto, uma relação com a individualidade do público”, explica.

Nesse novo momento, ele pede licença a celebração coletiva presente em seus shows para criar um momento de troca de olhares com as pessoas na platéia. “Comecei apresentando em São Paulo, em um espaço com 100 lugares, foi marcante, muito bom”, recorda Lirinha. O Teatro de Santo Isabel será seu maior palco como ator até agora. “Para mim, é um retorno a um lugar que foi meu inicio dessa coisa toda que faço, de recitar poesia, eu desenvolvo essa coisa de contar histórias através do personagem Lirovsky”, avalia.

Nessa encruzilhada entre música e poesia, Lirinha acabou re-definido alguns conceitos de sua própria carreira como artista. “Poesia foi minha primeira ‘coisa’ de arte, tem sido importante para mim, porque vou levar essa experiência nova para a banda”, conta. “O Cordel tem uma agenda bastante forte, a gente sempre está se relacionando com um público intenso. E eu podia ficar quieto ali, fazendo aquilo, que é algo que já me deixa completo e feliz”.

Uma das preocupações de Lirinha com o espetáculo – que teve produção de sua namorada, a atriz Leandra Leal –  é criar uma distancia saudável entre seu trabalho como músico e esse momento de poesia. “É para não vender uma coisa errada para o público, ninguém achar que é algo ligado ao Cordel”, conta. “Por isso que é o meu nome, que foi como também assinei o livro. Quis diferenciar tudo isso.”, explica o músico.

A divisão, entretanto, também tem rendido frutos positivos para os dois lados da carreira de Lirinha. “Tem um público diferente nas apresentações, eu to sentindo isso”, conta. “Claro, tem aquele pessoal que curte a banda, conhece meu trabalho, então elas se ligam nisso e vão ver o que eu to compondo em outro lugar”, reflete. “Mas em Teresina mesmo era um festival, então já tinha um público que era de lá. E a peça se preocupa com isso também”.

Banda
Enquanto se aventura no teatro, Lirinha e banda estão na pré-produção do próximo disco do Cordel do Fogo Encantado. “Atrasou um pouco porque a gente viajou bastante no meio do ano”, conta. “Mas estamos com desejo de terminar esse ano ainda, para lançar em 2009”. Ele adianta que a produção será a mesma do atual, Transfiguração, assinada por Carlos Eduardo Miranda e Gustavo Lenza. “Já temos 11 músicas novas, inéditas”, conta ele que, faz questão de garantir que “estamos num momento muito bom para a banda”.

Uma coisa não muda. O Cordel do Fogo Encantado continua independente. “Somos uma banda que nunca passou nem uma semana sequer com uma gravadora, então a independência sempre foi algo muito marcante em nossa carreira”, reforça Lirinha. O novo disco deve receber apenas distribuição nacional em parceria com a gravadora Trama.

Publicado originalmente no Pernambuco.com

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