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12/01/2012 opiniao_do_caetano-arnaldo_branco-2032258 Arnaldo Branco, gênio como sempre

Alguém mais percebeu que a crítica de música praticamente sumiu dos periódicos regulares (revistas e jornais) no último ano? Comecei a perceber isso com maior frequência nos jornais pernambucanos, por ser os que tenho acesso mais fácil. Em um ano em que se celebrou o lançamento de 170 discos no estado, nenhum deles fez parte de qualquer esforço retórico, seja para o bem ou para o mal. Com o tempo, e como mostraram alguns amigos, me dei conta que a tendência não é apenas local.

No lugar da crítica entrou o serviço e a entrevista. Fulano lançou disco – ou como alguns jornais teimam em publicar, “o disco de Fulano chegou nas lojas” (lojas?) – e ele tem tantas faixas, tantos minutos, tais participações especiais… e aqui está Fulano para falar de tudo isso. Com uma série de perguntas que buscam reforçar uma única idéia: foi lançado um produto, ele é de tal forma, boa tarde para você. Em uma matéria esquisita o Diario de Pernambuco se eximiu totalmente do exercício crítico indo perguntar aos artistas locais o que eles tinham achado dos discos dos amigos. Tipo matéria de TV, onde o mais legal é você tal artista falando, do que o conteúdo de fato do que está sendo dito.

Esse é um cenário muito ruim. Entre as diversas funções importantes da crítica, está aquela de criar uma comunidade de conhecimento, dialogando a partir de códigos que conectam artista e público (FRITH, 1996) e o de reforçar a identidade cultural de uma comunidade (MARQUES DE MELO, 2003). Como todo exercício retórico, cria estímulos, proporciona conversas e reações do público (BRAGA, 2006), faz a cultura circular ainda mais. Somo ainda a minha defesa que a crítica se transformou em um produto de consumo de igual valor que os produtos que avalia. Se lê crítica para fomentar o debate com maior frequência hoje do que para promover o consumo dos próprios produtos.

E nem vou entrar no mérito de Michel Teló ou outras controvérsias mais óbvias. No caso de Pernambuco, entre alguns dos principais desses 170 discos lançados, alguns definitivamente mereciam avaliação. Como As Novas Lendas da Etnia Toshi Baba, do Mundo Livre, que se dividiu entre regravações de canções não lançadas e das poucas inéditas, algumas com discurso cansado e datado daquela época do copyright. Ou mesmo como Fernando Catatau se estabeleceu como imagem do produtor nordestino e, mais ainda, definiu o timbre da região e copiou e colou ele em vários desses discos.

Considerando ainda a oportunidade que alguns discos, principalmente Moto Contínuo e Bandarra, respectivamente de China e Tibério Azul, trazem uma oportunidade de mapear um novo imaginário pop jovem do estado. Como existe uma abertura estética – aqui em seu sentido mais amplo – para redefinir um Pernambuco musical. Como os Elefantes da Rua Nova de Caçapa rompe com a construção instrumental que se transformou em convencional e parece abrir todo uma nova perspectiva para o gênero.

Enfim. Convivi um período com jornalistas da cidade que declaradamente optaram por não falar mal – para evitar contratempos – do que era lançado em qualquer período. Hoje, se evita também falar bem. Talvez essa seja uma etapa necessária para a formação de uma nova crítica. A falência de conteúdos tradicionais como porta de entrada para novas maneiras de fazer esse esforço retórico. Eu consigo enxergar com clareza crítica nas comunidades no facebook e, de um certo modo, até no Twitter. Como isso vai se legitimar, entretanto, é algo que só o tempo pode responder.

Written by Bruno Nogueira 26 Comments Posted in Blog Tagged with Crítica, crítica musical 12/08/2010

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Um Museu de Grandes Novidades: crítica e jornalismo musical em tempos de internet é meu mais recente artigo publicado, dessa vez em parceria com meu orientador no doutorado, Jeder Janotti Jr. O texto começa falando sobre como a crítica de música se re-configura tornando ela própria um produto de consumo, que serve muito menos para orientar a compra de discos como se dizia, mas para promover um diálogo entre os ouvintes. Encerra contextualizando o papel da produção crítica do público e que diferentes formas essa prática tem assumido na internet.

O texto original, na verdade, é a espinha dorsal da minha tese de doutorado e foi publicado no último congresso da Compós e também foi selecionado para o livro Rumos da Cultura da Música, organizado por Simone Pereira de Sá (UFF), que também conta a participação de Adriana Amaral, Micael Herschmann e Felipe Trotta, além da própria Simone, entre vários. Quem interessar, pode comprar direto na editora.

Um museu de grandes novidades: crítica e jornalismo cultural em tempos de internet – 66.24 kB
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Written by Bruno Nogueira 9 Comments Posted in Blog Tagged with artigo, Crítica, Jornalismo musical 13/12/2008

Atualizado às 16h05

Eu lembro quando me chamaram de polemista pela primeira vez. Foi quando eu ouvi o disco Metropolitano da banda Eddie e achei que de alguma forma tudo aquilo muito errado. Escrevi isso no jornal e o circo estava armado. Cheguei a receber até ameaça de morte e minha chefe na época ainda me proibiu de cobrir show da banda com medo que o pior acontecesse quando me vissem lá. Nem foi para tanto. Lembro de ter ido a um show deles dias depois, onde tinha um desses telões em que você manda um SMS para todo mundo ver. Mandei um assim “Bruno Nogueira tinha razão”. A gente riu um monte.

Mas era também meu começo no jornalismo e essa situação acabou virando também uma primeira impressão. Daquelas que ficam. E a partir dali, qualquer virgula que eu digitasse por um eventual espirro virava motivo de debate entre as pessoas. Teve um lado bom. Me fez sentir lido pelas pessoas – algo que não deveria ser comum, escrevendo em um jornal popular, geralmente comprado pelo caderno de Esportes e Polícia – e, consequentemente, mais preocupado com o que exatamente eu escrevia. Apesar de nem antes, nem depois, ter sido realmente polêmico.

Volta e meia a fama volta. Quando acontece, eu tento brincar ou, de alguma forma, usar a meu favor (já descolei algumas entrevistas difíceis por causa disso). Mas eu não sou polemista é por total falta de talento mesmo. Acho que apertar nas feridas exige um grau de inteligência e bagagem que eu não atingi. Engraçado que até conheço alguns jornalistas que tem isso, mas nunca fizeram grande polêmica na carreira. Alexandre Matias é um deles. E ele me diz até que evita isso sempre que possível.

Thiago Ney, da Folha de São Paulo, não é um deles.

É pelo lado negativo da fama de polemista que eu não entendo, simplesmente não entendo, como alguém pode ter tanto desejo de trilhar esse caminho tão imediatamente. A coleção de pérolas pontua toda sua produção no caderno Ilustrada, na Folha de São Paulo. De falar que ninguém precisa de Bob Dylan, porque graças a Deus nós temos o Be Your Own Pet (aquela banda que acabou outro dia, sabe qual?); ao mais famoso texto sobre a relação da Petrobras com os Festivais Independentes. Mais tarde, soltou em uma conversa a frase que encerrou o papo. “Não preciso ir a um festival para saber como ele é e como funciona”.

Claro.

Agora veio outra dessas grandes. No blog da Ilustrada, ele decidiu dar uma de ovelha negra da família e criticar a atitude do jornal em convidar vários jornalistas e artistas para um debate sobre jornalismo cultural. E ele faz isso da seguinte forma: “Queria saber o que o Cacá Diegues fez de relevante nos últimos 30 anos que o credencia a vomitar a respeito de cultura”. Talvez por Cacá Diegues não ser uma banda que acabou com menos de três anos, e ainda assim melhor que Dylan, ele não saiba que nas últimas três décadas ele dirigiu alguns dos filmes mais importantes do cinema nacional. Entre eles, o maior recordista de bilheteria no país, Deus é Brasileiro.

Claro, o filme é uma merda, mas o sucesso que ele fez é matéria prima para o debate do jornalismo cultural. A relação de gosto, de proeza estética versus mercado e a própria avaliação estética.

O texto tem mais pérolas. Como não fazer o esforço de ler o texto enviado pela própria Ilustrada falando que os jornalistas não devem seguir tabelas e roteiros ao escrever, e mandar o comentário final no esforço inútil de ironia, “Já colocamos as instruções no quadro de avisos da redação da Ilustrada e prometemos segui-las. Valeu pelos toques!”. Sem instruções, Tiney. Sem instruções. Lê o negócio antes de fazer piada em cima dele. É quase uma sugestão tão ridícula quanto “escuta o disco antes de falar que é ruim”. Mas conferir é algo que ele não faz, já que comenta sobre os textos de Simon Reynolds, uma das figuras mais interessantes do jornalismo cultural, com a maior cara de quem nunca o leu.

Sempre faço questão de reforçar por aqui essas cagadas do grande jornalismo nacional. Meio que na tentativa de reforçar o coro do apocalipse dessa imprensa. Mas to começando a pensar em mudar de foco e lançar a campanha: Folha, me contrata no lugar dele!

Written by Bruno Nogueira 4 Comments Posted in Blog Tagged with Crítica, Folha de S Paulo, Jornalismo Cultural, Thiago Ney eu-9281992 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

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