Lucy and the Popsonics | Pop up!

27/04/2009

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É fascinante como o Brasil, mesmo recebendo shows de produções gigantescas, de diversas bandas lendárias, teve seu sua cena rock afetada, controversamente, pela passagem de bandas menores no circuito dos Estados Unidos. Talvez porque nessas passagens o contato com o público e outros grupos tenha sido mais forte. Mas desde a primeira vez que nomes como o Mudhoney e Man or Astroman passaram por aqui que fizeram surgir, no rastro, novas bandas, novos festivais e até mesmo novas cenas. Fazer um tributo a alguma delas, portanto, só parecia parte natural do processo.

March to Sickness, que está sendo lançado pela Monstro Discos, tem além dessa justificativa, os 20 anos de formação da banda, a turnê de volta que o ícone grunge Mark Arm e o Mudhoney fez pelo Brasil em outubro passado e as ações de comemoração de 10 anos do selo. Foi a quarta vez que a banda passou pelo país e, coincidência ou não, todas as outras vezes (2001, 2005 e 2007) marcaram transformações na cena independente. Seja estéticamente, quando uma nova geração rock lançava as primeiras gravações em 2001, ou em termos de mercado, quando a Associação de Festivais Independentes se formou em 2005.

Teorias de conspiração a parte, o Mudhoney ficou umbilicamente ligada a cena brasileria. Quase como uma daquelas bandas amigas, só que mais velha e com aparições mais raras ao longo do ano. E, nesse processo, acabou influênciando uma série outras menores bandas do país. Como o Walverdes, que abre esse tributo com Suck You Dry, primeiro single do disco “Piece of Cake“, que foi lançado um ano antes da banda gaúcha ganhar vida. Mas as conspirações são mesmo a parte no repertório que segue mais livre.

O mais legal do March to Sickness é que cada banda mostrou como uma música do Mudhoney ficaria se tivesse sido criada por eles. Um desavisado acharia que Poisoned Water era mesmo do MQN, ou que Well Well Song é uma baladinha eletrônica do Lucy and the Popsonics. Nesse clima, a melhor de todas fica com o Autoramas, que fizeram um versão space rock para In’n’Out of Grace, seguido pela Vamoz, com um rock on-the-road para Pokin’ Around, que transforma a gaita em guitarra em uma versão quase épica.

Também chama atenção os paulistas Detetives, cantando em Blinding Sun em espanhol. Além da arte do disco, um tributo inteiro a parte, assinada por “Márcio Mechanics”, que canta uma das versões mais clássicas do Mudhoney em todo o repertório, Here Como Sickness. O CD já está nas lojas em formato digipack, o que dá ainda mais charme ao pacote completo.

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É claro que não dá para forçar a barra e dizer que a geração inteira daquele começo até hoje tem referências diretas ao Mudhoney. As versões de  Pitty e da já finada The Sinks são distantes demais e parecem muito mais experiências próprioas com os pais do grunge apenas como pretexto para tocar algo novo. Já as paulistas Holger e Debate levam essa idéia ao extremo e a associação já fica impossível. Mas talvez esses pontos de vistas totalmente alienigenas sejam a parte mais rica desse tributo.

O Mudhoney não deu origem a um “grunge brasileiro”, já que qualquer tentativa para esse lado puxou direto dos canônes Nirvana e Pearl Jam, mas acrescentou peso e atitude nas bandas que surgiram ao longo dos anos 90. Agora é esperar que os heróis dessa nova geração também se tornem bandas amigas, com voltas sempre repetidas pelo Brasil. Fico pensando aqui qual será o tributo que vamos ouvir no final da próxima década.

A foto que abre o post é de Daigo Oliva

Para ouvir | Vamoz – Pokin’ Around

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Para comprar | Monstro Discos

Written by Bruno Nogueira Posted in Discos Tagged with Autoramas, Detetives, Lucy and the Popsonics, MQN, mudhoney, Vamoz, Walverdes 02/02/2009

Outro dia surgiu, como se fosse uma grande surpresa, a notícia que o Sonic Youth estava publicando novidades sobre o disco novo através do Twitter. Lembro, logo quando começou a febre do site (um micro-blog, para quem ainda não conhece. Que te permite publicar um post de 140 caracteres por vez, meio que respondendo o que está fazendo agora), que eu fiz um link entre o que rolava por lá e o antigo mIRC (lembra desse, né?). É que as pessoas foram transformando os mini posts em diálogos e, de repente, tinha um monte de conversa rolando, gente se conhecendo e etc. A internet brasileira começa, aos poucos, a se desindividualizar mais uma vez.

Mas é engraçado que na música, que concentra as mudanças mais rápidas do que acontece na web hoje, esse processo ainda é muito lento, isso quando chega a existir. O fato é que tem muito pouco músico e banda que realmente sabe usar a internet de forma eficiente. A maioria apenas carrega as músicas no MySpace, enquanto os mais cuidadosos não vão além de achar um template bacana para a página. O bate papo fica para lá. O grande potencial do diálogo – rede social, gente. Tem que ter bate papo – se perde até nas comunidades do Orkut.

Lembrei disso tudo hoje quando vi essa lista, montada pelo norte-americano Gabriel Nijmeh. São os twitters de várias bandas mundo afora – só tem um brasileiro lá – que passa por nomes como Bloc Party e Interpol a Pearl Jam, Lilly Allen e Nick Cave (esse último, possivelmente falso). Ele ainda dá uma geral sobre o que se passa em cada endereço. Informações rápidas, do tipo “quase nunca atualizado” e “atualização constante”. Vale a pena conferir e, quem sabe, se conectar com seu artista favorito.

Fiquei pensando como seria uma lista desse entre os independentes, aqueles que tem ainda mais obrigação de usar bem a internet. Sei de muito poucos. Sigo o Móveis Coloniais de Acaju (postam sempre), Ecos Falsos (quase sempre) e Lucy and the Popsonics (quase nunca). Enquanto isso, a Nação Zumbi vai completar um mês de blog novo… com dois posts até agora. E vocês? Conhecem algum twitter de banda que vale divulgar?

Written by Bruno Nogueira Posted in Blog Tagged with bloc party, Ecos Falsos, internet, interpol, Lilly Allen, Lucy and the Popsonics, Moveis Coloniais de Acaju, Nação Zumbi, nick cave, Pearl Jam, produção, Twitter 28/10/2008

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Essa é a capa do CD tributo ao Mudhoney que a Monstro vai lançar como parte da comemoração dos 10 anos da gravadora e em homenagem a banda que influenciou 11 em cada 10 de seus artistas. Mas também tem música de gente de fora, como a baiana Pitty e os potiguares Sinks. Falei com eles para disponibilizar pelo menos uma faixa aqui… Vamos ver se rola depois da correria do Noise 🙂

A arte ficou ficou incrível, assinada por Márcio, do Mechanics. No set, o vereador canta Here Comes Sickness. Aliás, olha só quem canta o que:

1 – Walverdes – Suck You Dry
2 – Ambervisions – Touch me, i’m sick
3 – Detetives – El Sol q Ciega (blidding sun)
4 – Macaco Bong – You Got It
5 – Autoramas – In’n’out of grace
6 – MQN – Poisoned Water
7 – Lucy and the Popsonics – Well Well Song (generation spokesmodel + fashion forecast)
8 – The Dead Rocks – March to Fuzz
9 – Vamoz – Pokin Around
10 – Mechanics – Here Come Sickness
11 – Pitty – If i think
12 – Holger – No Song 3
13 – Superguidis – Into the Drink
14 – AMP – Thorn
15 – The Sinks – Who you driving now
16 – Motherfish – Real Low Vibe
17 – Debate – Good Enough

Written by Bruno Nogueira Posted in Blog Tagged with Ambervisions, Amp, Autoramas, Dead Rocks, Debate, Detetives, Holger, Lucy and the Popsonics, Macaco Bong, Mechanics, Monstro, Motherfish, MQN, mudhoney, Pitty, superguidis, The-Sinks, Vamoz, Walverdes 23/10/2008

De volta a nossa programação normal… Quase deixo passar em branco aqui a programação do Goiânia Noise deste ano. Que não vai ter mais Circle Jerks como anunciaram e publiquei aqui, mas ainda terá o Helmet, Vaselines, Black Mountain, Black Lips e, nas nacionais, Amp, Cabruêra, Marcelo Camelo, Guizado e mais uma porrada de banda boa. A Monstro tem esse poder mágico de conseguir sempre se superar na qualidade do que fazem a cada ano, sempre surpreendendo. Mas este ano, ao que tudo indica, eu não vou poder conferir o Noise de perto. Paciência… Olha só o que eu vou perder:

SEXTA 21/11

01:20 Marcelo Camelo (RJ)
00:40 Black Lips (EUA)
00:00 Vaselines (Escócia)
23:30 Lucy And The Popsonics (DF)
23:00 Frank Jorge (RS)
22:30 Motherfish (GO)
22:00 Canastra (RJ)
21:30 Continental Combo (SP)
21:00 Calumet-Hecla (EUA)
20:30 The Backbiters (GO)
20:00 Mickey Junkies (SP)
19:30 Holger (SP)
19:00 Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
18:40 Demosonic (GO)
18:10 Gloom (GO)

SÁBADO 22/11

01:20 Instituto (SP)
00:40 The Flaming Sideburns (Finlandia)
00:00 Black Mountain (Canada)
23:30 Black Mekon (Inglaterra)
23:00 Cabruêra (PB)
22:30 MQN (GO)
22:00 The Dead Rocks (SP)
21:30 Gangrena Gasosa (RJ)
21:00 Os Ambervisions (SC)
20:30 Black Drawing Chalks (GO)
20:00 Guizado (SP)
19:30 Amp (PE)
19:00 Mugo (GO)
18:40 Mersault e Maquina de Escrever (GO)
18:10 Cicuta (GO)

DOMINGO 23/11

00:20 Helmet (EUA)
23:20 Inocentes (SP)
22:40 Periferia SA (SP)
22:00 Claustrofobia (SP)
21:30 The Tormentos (ARG)
21:00 Loop B (SP)
20:30 Mechanics (GO)
20:00 The Ganjas (Chile)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Motek (Bélgica)
18:30 Hillbilly Rawhide (PR)
18:00 Heaven’s Guardian (GO)
17:40 Goldfish Memories (GO)
17:10 Figado Killer (GO)

Written by Bruno Nogueira Posted in Blog Tagged with Amp, Black Drawing Chalks, Black Mountain, Cabruera, Canastra, Diego de Moraes e o Sindicato, Frank Jorge, Gangrena Gasosa, Gloom, Goiania Noise, Goldfish Memories, Guizado, Helmet, Inocentes, Instituto, Lucy and the Popsonics, Marcelo Camelo, Mechanics, MQN, programacao, The Dead Rocks, Vaselines 03/10/2008

Enquanto está no Canadá, onde se apresenta junto com o Macaco Bong no Pop Montreal, um dos maiores festivais do país, Fernanda, do Lucy and the Popsonics mandou um videozinho para nós do que o casal anda fazendo no hotel. Nada pornográfico, claro. Só uma gravação em parceria com a ótima Les Handcaps.

Written by Bruno Nogueira Posted in Blog Tagged with Lucy and the Popsonics, Montreal, Pop Montreal, video eu-5689515 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

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