Recife | Pop up!

  • Blog
  • Reportagens
  • Discos
  • Downloads
  • Sobre o site e o autor

20/05/2011 untitled-7-4991252 Nuda

Saiu o disco novo da banda Nuda, o “amarenenhuma”. Para baixar é quase de graça, custa só um tweet! Com produção de Pablo Lopes, as faixas avançam a missão deles de abrasileirar o indie nacional além da semântica, mas também nas texturas e paisagens sonoras. O Nuda consegue ser legal sem exagerar no mofo das canções, sem abusar de moogs, rolos de fita e toda a catataulização que sofre essa cena.

Mas sobre as faixas (e minha teoria de como a genialidade de Catatau travou toda uma geração) eu falo mais tarde. Agora é hora de coçar o bolso e gastar um tweet com o disco. O link para baixar está no site novo deles que, assim como o disco, tá bem legal.

Written by Bruno Nogueira 4 Comments Posted in Blog Tagged with disco, Download, Nuda, Recife 03/05/2011 desalma-9829907 Desalma por Priscila Lima

Vou correr o risco de ser polêmico aqui e dizer de cara que eu não acredito muito em Thrash Metal. Aliás, em nenhum tipo de metal extremo. Mas calma aí que eu vou me explicar. Sempre que escuto uma banda nova ou então desconhecida, respondo com um suspiro carregado de desdém. Penso na primeira geração da nova onda do metal britânico – Motorhead, Iron Maiden, Judas Priest – e na geração que foi influenciada e formada com base no que eles fizeram. Estou falando da turma da Bay Area. Metallica, Megadeth, Testament, Machine Head. O Slayer, que era tipo um vizinho da turma. Pode ser excesso de pseudo-saudosismo, mas nada, principalmente no Brasil, me faz pensar que vai chegar na metade desse caminho.

Ouvir o Desalma, que foi formada no Recife em 2007 apenas, é como levar um tapa forte na cara. Daqueles que deixam a bochecha vermelhona, ouvindo só o zumbido do “deixe de frescura, hômi”. São três caras que, fora do palco, parecem meio desengonçados e bobões. Estão sempre rindo e curtindo a noite, com camisa preta de banda e aquela cara de menino bom, criado pela avó em prédio sem varanda. Você imagina que uma visita lá na casa deles é acompanhada por três toneladas de álbum de fotos de bebês. “Essa aqui foi quando ele ganhou a primeira roupinha de super homem e ficava correndo o tempo inteiro pela casa”.

Soa preconceituoso sim. Não sei se por eu ser o tipo de cara que também sofre essa mesma taxação eu me sinta mais a vontade para falar isso. O fato é que todas essas idéias caem por terra quando eles empossam os instrumentos no palco e descarregam um pedacinho da melodia do inferno na terra. Sério, tem malvadeza pura ali. Do tipo que é capaz até de gerar lendas sobre cada uma das figuras que faz careta enquanto toca e canta. Se falarem que eles comeram um gatinho bebê vivo no meio do show, eu vou atestar que foi verdade. Se disseram que o estrondo do bumbo da bateria se dá graças a 15 pintinhos que eles colocam dentro para receber as batidas, vou te dizer também que é verdade.

Fragmentos, Corpo Seco, Desalmo e Em Chamas são os nomes de algumas músicas que podem ser ouvidas no MySpace deles. É violência pura para os ouvidos. Daquela que faz você se sentir bem por estar vivo. Do tipo que faz cada show valer 100% de sua noite. A velocidade das canções é claustrofobica. E quando você se percebe enclausurado pelas batidas pesadas no baixo e os 15 pintinhos morrendo e explodindo sangue na bateria (ops) vem a voz esmagadora de Igor Capozzoli criando ondas de tremor nesse ambiente enclausurado. É a trilha sonora perfeita para o apocalipse do cotidiano.

Desalma me faz acreditar no Thrash Metal. Me faz acreditar que essa terra distante onde vivem os monstros não é uma ilha pequena onde só cabem os reis do metal. Mas um continente vasto a ser explorado com sagacidade e diversão como em Brutal Legend – aquele joguinho com Jack Black, sabe?. Se não conhece, corra para conhecer. Desalma me faz acreditar que essa nova geração não morreu em referências mais pobres e subproduções que dão prestígio ao puro lixo que é Limp Bizkt e o metal de patricinha do Avenged Sevenfold. Aliás, troque os gatinhos e pintinhos de dentro da bateria por essas bandas. E todas as outras bandas inspiradas e geradas a partir dessas figuras.

Sinto um misto de desânimo e felicidade ao precisar ter saído do Recife para conhecer o Desalma. Só ouvi e vi eles pela primeira vez em Natal, no sempre excelente festival DoSol. Desanimo por não perceber algo grande assim surgir na minha cidade. Feliz por perceber que, mesmo até chegar lá, eles já tinham passado por outros estados e encabeçado uma turnê com os paulistas do Claustrofobia. Investimento e reconhecimento caminhando junto. Espero poder ouvir falar sempre mais e melhor deles daqui para frente.

Written by Bruno Nogueira 12 Comments Posted in Blog Tagged with Desalma, Metal, Recife, Thrash 06/10/2010

5027911405_7dc8198b86-1139544

Essa cobertura deveria ter sido publicada, originalmente, no jornal A Tarde. Até agora não tive resposta de porque não saiu. Aqui ela segue em versão maior, com alguns comentários em primeira pessoa também.

Crescer é um processo sempre complicado. Sempre penso nisso, quando penso no festival No Ar Coquetel Molotov. Para que essa sétima edição, que teve sua etapa Recife entre os dias 24 e 25 últimos, fosse também um sinônimo de fôlego para o evento, o mesmo precisou dar passos estratégicos para trás. Voltou para o Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, com capacidade de 500 pessoas a menos que o anterior do Centro de Convenções, onde aconteceu ano passado. A programação, entretanto, garantiu que o volume a menos não fosse equivalente a diversidade proposta pelo festival.

Os patrocínios da Petrobras e Vivo permitiram que o festival tivesse sua edição mais histórica. Talvez demore de seis meses ou mais para que a passagem da lendária banda Dinosaur Jr. seja totalmente compreendida pelo público local. Com um repertório montado com carinho para os fãs, a banda tocou sucessos mais antigos como Out There (de 1993) e até sua versão para Just Like Heaven, do The Cure. Entre danças, pulos e olhares fixos nos longos cabelos brancos do vocalista J. Mascis, teve até quem chorou.

“Eu vim do Paraná, essa banda é a trilha sonora da minha vida, é importante demais para mim”, desabafava em lagrimas Luis Augusto, 32, que junto com a namorada não saiu da frente da parede de seis amps de guitarra que descarragavam 115 decibéis no público. Quase o mesmo volume do show que o Motorhead fez na cidade, com a diferença de ser um espaço bem menor. A partir da quinta fileira de cadeiras, era difícil ouvir qualquer outro instrumento ou mesmo voz, de tão alto.

Na mesma noite, a banda de Joseph Tourton – que chamou atenção pela primeira vez como revelação do festival – fez a estréia de seu disco em uma das melhores apresentações da noite. Com bastante energia no palco, o som instrumental deles ganhou vida com a participação especial de Vitor Araújo no piano. De revelação se transformaram em aposta de que, certamente, é um nome que deve aparecer em bastante programações de festivais no próximo ano. A banda perdeu a única coisa que os impedia de crescer, que era a gigantesca timidez no palco.

O show do Joseph Tourton foi importante para a cidade por diversos motivos. No final dessa primeira decada, é um suspiro de esperança de que alguma banda começou, sobreviveu e também cresceu na primeira década do Recife. Por um instante, essa seria uma década totalmente perdida em relação a cena rock, o que é fato impressionante em uma cidade que teve a década de 90 tão fundamental na música brasileira. O fato deles serem ainda tão jovens só contribui com a banda na fase de entrar em roubadas para rodar bastante o país e se tornar alguém além de um grupo local. Assim como a Volver – única que é exceção a tudo que falei – a Joseph Tourton virou retrato oficial de nossa geração.

Ainda na lista de melhores atrações estão os suecos do Miike Snow, que se apresentaram na primeira noite. Indie rock com fortes batidas eletrônicas, foram embaixadores da catarse no público, que ficou hipnotizado pelas fortes luzes que mal deixava enxergar quantas pessoas estavam tocando no palco. Eleitos pela mídia especializada como um dos melhores performances do ano, eles mostraram em pleno Nordeste que o hype nunca vêm por acaso.

5022571899_6d6603d3dc-3059818 Zé Cafofinho. Um dos melhores shows do festival

A primeira noite do Coquetel Molotov também foi a da apresentação de Otto, que trouxe o maior público ao teatro. Tanto ele como Zé Cafofinho foram as melhores surpresas, por mostrar que fora de seu ambiente habitual – que costuma de ser de público mais velho e eventos públicos – eles também mandam muito bem. Otto já tinha seu jogo ganho antes do show, graças ao elogiado novo disco e trilha em novela global. Mas, para Cafofinho o desafio foi ainda maior, por ser o primeiro a tocar na noite, o que tornou a conquista ainda mais saborosa ao ouvir o coro do público cantar suas músicas.

Em todas as sete edições, essa foi a que teve menos erros de escalação. As decepções, de fato, foram apenas duas. A francesa SoKo, que chegou recheada de promessas e fez uma apresentação fraca, pontuada por reclamações dela no palco e também do público. Mad Professor, um dos país do Dub, também deixou bastante a desejar. Despejou um monte de remixes, mas talvez pelo ambiente do teatro, uma considerável parte do público preferiu usar sua trilha sonora para dar aquela circulada. Mesmo assim, o ruído causado está longe de ameaçar a nota máxima para o No Ar Coquetel Molotov nesse ano.

Written by Bruno Nogueira 8 Comments Posted in Blog Tagged with Cobertura, Coquetel Molotov, festival, Recife 06/04/2010

nevilton-1225294

Mais um ano, mais um Abril Pro Rock que contou com minha participação na curadoria. Depois de três anos, inevitávelmente, começo a me envolver com mais coisas da produção do festival, junto com Guilherme Moura. Do tempo que estou lá, esse ano foi o mais apertado de todos, mas o que conseguimos o melhor resultado. Programação gigante e que cabe bem num orçamento menor, com a novidade de agora serem nove noites de festival. Fora as oficinas, que esgotaram rapidinho o número de vagas, transformando as antigas palestras em algo mais pró-ativo.

Abaixo está a programação. Podem falar mal, mas também aceitamos elogios 🙂

APR CLUB | 15.04 – Festa do APR | A partir das 22h

Instituto Mexicano del Sonido | MEX DJ Dolores | PE Diversitrônica | PE DJ Rodrigo Lariu | RJ

DJ Seba | ARG

Pavilhão do Centro de Convenções | 16.04 | Abertura dos portões: 20h

Inner Demons Rise | PE Alkymenia | PE The Mullet Monster Mafia | SP Agent Orange | EUA Claustrofobia | SP Eminence | MG Varukers | Ing Ratos de Porão | SP Terra Prima | PE

Blaze Bayley | UK

Pavilhão do Centro de Convenções | 17.04 | Abertura dos portões: 17h

Anjo Gabriel | PE Mini Box Lunar | AP Plástico Lunar | SE Bugs | RN Vendo 147 | BA River Raid | PE Zeca Viana | PE Instituto Mexicano del Sonido | MEX Nevilton | PR Afrika Bambaataa | EUA Plastique Noir | CE 3naMassa | PE/SP Wado | AL

Pato Fu | MG

APR CLUB | 20.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Orquestra Contemporânea de Olinda | PE Bongar | PE

Combo Percussivo de Olinda | PE

APR CLUB | 22.04 – Noite Radio Antena 3 | A partir das 22h

The Legendary Tigerman | POR Dead Combo | POR

Chambaril | PE

APR CLUB | 23.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Siba | PE Alessandra Leão | PE

Ylana | PE

APR CLUB | 24.04 | A partir das 22h

Mundo Livre S/A | PE Burro Morto | PB

Camarones Orquestra Guitarristica | RN

APR Club | 30.04 | A partir das 22h

Dead Fish | ES
Love Toys | PE

APR Club | 01.05 | A partir das 18h

Dead Fish | ES
Rotten Flies | PB

Written by Bruno Nogueira 14 Comments Posted in Blog Tagged with Abril pro Rock, festival, programacao, Recife 29/03/2010 recbeat-8852363 Gutie, produtor do Rec-Beat; e Gabi Amaranto, do Pará. Foto de Caroline Bittencourt

Fazer festival no olho do furacão de um dos maiores carnavais do país parece jogo ganho. E, em termos práticos, é o que acontece quando se trata do Rec-Beat. Em sua 15a edição, o evento aconteceu mais uma vez no “polo mangue” do Carnaval do Recife, durante quatro dias onde atraiu um público médio de 8 a 10 mil pessoas por noite. Talvez em um contexto diferente onde fosse pago, as atrações da programação não chamariam mais do que mil pessoas. E esse é o principal mérito do evento, promovido pelo paulista Antonio Gutierrez: promover um econtro de ótimas bandas com pessoas que, naturalmente, não iriam ao encontro delas.

O Rec-Beat já passou por diversas mudanças de conceito. Da última vez que entrou de acordo, decidiu não trazer mais nomes de grande porte e diminuir um pouco de espaço onde acontece, a favor de ter uma folga maior de público. Opção acertada e celebrada por quem ainda lembra das noites sufocantes na tentantiva de se assistir a Nação Zumbi tocar no bairro histórico do Recife Antigo. Mesmo assim, esse ano fechou a programação com uma trinca dos melhores discos de 2009. Passaram por lá Lucas Santanna, Céu (SP) e Cidadão Instigado (CE).

Os grandes – pelo menos no contexto do festival – não tem muito a acrescentar. Fizeram respectivamente os melhores shows de cada um de suas noites. Com o destaque principal para a resposta de público do Cidadão Instigado. Esse foi o show que oficialmente lavou a alma de Fernando Catatau, que colecionava uma série de apresentações no Recife que eram atrapalhadas por fatores externos.

Mas é a novidade que sempre chama mais atenção. Na segunda noite do festival, Gabi Amarantos, do Pará, trouxe o que ela chama de “tecno-melody”, uma evolução do tecnobrega. Com direito a versão de “All the Single Ladies”, de Beyoncé, cantada em português – é aquela mesma que foi gravada por Preta Gil, que no refrão diz “hoje eu tô solteira” – e um show que, por uma hora, só fez repetir as mesmas cinco músicas, arrancou verdadeiro delírio do público.

Ainda na fileira das novidades, a Caldo de Piaba, que vem do Acre, fez uma das apresentações mais impressionantes. Misturando Carimbó com o Imunização Racional de Tim Maia, fizerma show instrumental que prendeu a atenção do público até o final. Quem também não tinha vocalista é a Diversitrônica, com uma parede sonora altíssima, fazendo uma das cinco apresentações mais legais de todo o festival. É música eletrônica, mas totalmente tocada por uma banda, quase sem programação.

O festival conseguiu a boa façanha que foi apresentar um novo artista pernambucano a sua própria terra. Zé Manoel é a promessa lançada pelo Rec-Beat que deve circular ainda mais este ano, impulsionado pelo ótimo show que fez na primeira noite. Ainda nas pratas da casa, o festival consagrou o ótimo momento da banda Volver que, mesmo no horário cedo, teve a melhor resposta de público entre todas as atrações. A comissão de frente do palco cantou todas as músicas sem errar e fez até fila para conseguir autografo do grupo que, hoje, está morando em São Paulo.

O Rec-Beat trouxe conceito e frescor ao Carnaval de Pernambuco, que em seus outros polos apostavam de extremos como o samba carioca de Diogo Nogueira e ao emocore do NxZero. O encerramento, com uma big band reunindo integrantes das bandas Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda, tocou até perto do sol nascer. Tudo em clima bem familiar, sem violência, mostrando que boa música foi suficiente para criar o ambiente de um festival de graça, no meio da maior festa do país.

Written by Bruno Nogueira 3 Comments Posted in Blog Tagged with Cobertura, festival, Recbeat, Recife eu-6699133 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

Random Posts

  • Sobre a programação do Abril pro Rock « Pop up!

    Vou fazer o papel de advogado do diabo aqui. Quero deixar claro, antes, que não sou eu que faço a […]

  • Pop up!

    29 Abril, 2007 29 Abril, 2007 29 Abril, 2007 26 Abril, 2007 25 Abril, 2007 24 Abril, 2007 21 Abril, […]

  • Index of /wp-content/plugins/podpress/getid3

    Name Last modified Size Description Parent Directory – extension.cache.dbm.php 06-Feb-2008 15:51 6.0K extension.cache.mysq..> 06-Feb-2008 15:51 5.4K getid3.lib.php 06-Feb-2008 15:51 40K […]

  • Page 178 — Pop up!

    Yamandú Costa já disse nessas páginas que “uma hora, todo mundo se cansa da música ruim e vai atrás do […]