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Reportagens, entrevista, resenhas, coberturas. Textos selecionados da minha produção diária no jornal.

14/01/2011 mayer-6686678 Mãozinhas para cima para Mayer. Foto de Dudu Schnaider

Teve um tempo que eu bocejei forte para aquele papo datado de que música, assim como toda forma moderna de expressar alguma arte, entrou em um abismo de repetição e reprodução. Um loop infinito de mais do mesmo. Mas aos poucos eu começo a perceber que a cumplicidade do público vai além da domesticação feita pela padronização imposta por rádios e gravadoras. O público quer se sentir seguro, muito mais do que impressionado pelo artista. E é isso o que explica dois fenômenos interessantes na apresentação de Amy Winehouse no Recife na quinta-feira 13. O público não a queria ver cantar, mas sim “beber, cair e levantar”. E a imprensa em geral, formada por gente que também é público, ansiava tanto por isso que até noticiou um tropeço como sendo um “tombo”.

Essa expectativa em ver algo se repetir – Amy tropeçar, Janelle Monae dançar igual ao clipe e Mayer Howthorne “ser fofo” – garante que o mais do mesmo deu ao público o que eles precisavam para uma ótima noite. É o que explica, por exemplo, o desagrado do público em outras praças pela apresentação de Winehouse, que subiu no palco e só cantou, sem tropeçar ou errar. Uma conjunção que daria o argumento perfeito ao mais chato ouvinte de Bach de que “nada disso é música”. Mas é. Música que emociona mais pela teatralidade que pelas próprias canções, mas que cumpre suas centenas de funções que vão de combustão a escapismo social.

No entanto, isso tudo justifica muito bem algo que parecia até então incompreensível: a escolha do Brasil para o retorno da cantora dois anos após ela dizer “yes, yes, yes” para o “Rehab”. É um público carente de presença de ídolos tão novos ao ponto de fazer vista grossa ao show tenebroso que Amy apresentou. Assim como uma mídia carente de participar dos escândalos do alto escalão do pop mundial. Mayer estava lindo, Amy tropeçou, logo, foi uma ótima noite. Se fosse em qualquer contexto mais crítico, carreiras poderiam ter afundado de vez, como aconteceu com Britney. Capaz de, após esse “test-drive”, a cantora britânica decidir aguardar um pouco mais para dar ritmo a carreira. Afinal, toda a experiência musical da noite foi bem dispensável.

A exceção maior a tudo isso foi Mayer Howthorne. Indiferente aos gritos de “lindo”, pode ser considerado como salvação da noite. Sua música repleta de referências ao pop negro da Motown e sua banda que lembrava até os integrantes do Outkast merecia um tratamento mais refinado. Entre “Your easy lovin’ ain’t pleasing nothing” e “Just Ain’t Gonna Work Out”, ele fez um show curto, justificado pelo fato de que ele tem apenas um disco. Poderia ser em um teatro ou espaço menor, celebrando a própria cultura que ele faz homenagem nas músicas, lembrando um grande baile. Mas não foi dessa vez. É torcer que ele volte ao Brasil de forma mais merecedora.

RETROCESSO – Em uma indústria de shows que é amaldiçoada pelo fantasma da “meia entrada”, a tal “Pista VIP” – solução encontrada para compensar o prejuízo – parece assolar o público tanto quanto a tal carteirinha preocupa os produtores. É lamentável a opção da Raio Lazer em repetir essa prática nos eventos que promove no Recife (assim como fizeram com Iron Maiden e Black Eyed Peas). Dessa vez, o espaço entre o público “VIP” e aquele que realmente sabia cantar, curtia, queria dançar e ver os músicos de perto era assustador de tão longe. Com direito até a protesto de Mayer Howthorne no microfone, que pediu “mande esse pessoal aqui dá frente para trás do salão e deixem aquelas pessoas que estão dançando lá atrás chegarem aqui perto”.

A prática só escancara uma relação muito mais comercial e triste com a música que é prejudicial a todos. Do lado de fora isso ficava ainda mais evidente: os cambistas vendiam ingresso para “Front Stage” por R$ 150 (metade do valor cobrado na bilheteria). Perguntei a dois deles porque esse prejuizo e a surpresa da resposta foi que “não tem prejuízo, [mostrando o ingresso] tá vendo? É tudo cortesia, que o povo que ganha vem aqui e vende para nós”. Ou seja, criam uma área preferencial para um público que vai apenas para aparecer em coluna social, totalmente desinteressado por música e pelas atrações, que ainda se presta a ir lá vender o convite.

Enquanto isso, na pista comum, era praticamente inviável assistir qualquer coisa do show se não fosse pelo auxílio dos telões. Teve até quem desistisse. Um casal, que seguia caminho oposto a da fila para entrar no show, não deixou de expressar o descontentamento. “Paguei R$ 200 para vir aqui, não é um preço barato. Mesmo se eu ficar encostado na grade que separa as pistas, não consigo ver o palco”, desabafaram. Para constar, no Rio de Janeiro, o mesmo show produzido pelo coletivo “Queremos” formado pelo público (entenda melhor aqui) não tem separação de público preferencial.

Written by Bruno Nogueira 52 Comments Posted in Reportagens Tagged with Amy Winehouse, Cobertura, Janelle Monae, Mayer Howthorne, Recife Summer Fest 03/01/2011 talles-4252221 Talles Lopes, o novo presidente da Abrafin

A Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin) tem uma nova gestão, pela primeira vez, desde a fundação da entidade. Fabrício Nobre, que teve a responsabilidade de legitimar e dar respaldo ao movimento dos festivais agora sai de cena e dá espaço para Talles Lopes. Fundador do festival Jambolada, que acontece em Uberlandia-MG, Talles também foi durante muito tempo produtor da banda Porcas Borboletas. Oficialmente, a presidência a associação passa a ser também de um membro de gestão dos coletivos Fora do Eixo.

Na entrevista exclusiva a seguir, Talles fala em primeira mão sobre essa nova fase da Abrafin:

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Written by Bruno Nogueira 85 Comments Posted in Reportagens Tagged with Abrafin, Festivais, Fora do Eixo, Talles Lopes 20/09/2010 julgamento-9949029 Julgamento, uma das ótimas surpresas do Transborda

As duas primeiras noites do Transborda mostraram a relação única que o público mineiro tem com a própria cidade. A vontade de ocupar os espaços, retirar as barreiras e transformar a paisagem local era presente em manifestações, gestos, panfletos e atitudes das pessoas. No último dia, que conseguiu surpreender ainda mais em termos de público e atrações (algo que, sinceramente, nem contava que fosse acontecer), o Transborda se transformou em uma verdadeira declaração de amor a Minas Gerais. O discurso espontâneo dos participantes do Coletivo Pegada no palco foi inspirador e tocante, mexendo na auto-estima de cada um presente ali. Lembrou um pouco do Recife da década de 90, onde o discurso de “Mudar de cidade” virou o de “Mudar a cidade”.

De alguma forma, a grande movimentação do sábado deve ter se espalhado para o restante da cidade, porque já cedo a terceira noite do Transborda antecipava que teria quase o dobro de público. Essa é a parte em que um festival sem ingresso, aberto ao público, pode contestar o discurso de que isso vicia a cidade em shows de graça ou no não pagamento de ingressos. Com atrações bastante novas (e, porque não, até irrelevantes em certo aspecto), o festival criou acesso importante a produção local. Somente assim que mais de cinco mil pessoas, de gostos tão distintos, poderiam apreciar artistas que talvez só tenham ouvido falar sobre. E ver uma garota com visual headbanger, camisa de caveira, tachinhas presas na roupa e coturno, dançando na onda de BNegão mostra o quanto isso vale a pena.

O domingo era uma dia para o soul e funk, traduzido nos acordes de Samba de Luiz e Black Sonora e na MPB de Vandaluz. Fenômeno interessante de perceber na música local é de toda banda conta com vozes bem afinadas. Mesmo as bandas que particularmente me agradaram bem menos, como Manolos Funk (um tipo de Red Hot Chilli Peppers a brasileira), cumprem bem a função de  ”artista local”. Pode-se dizer, sem medo, de que em termos de programação local, o Transborda deu a entender que em Minas não tem banda ruim. Ou, pelo menos, que mesmo os grupos mais fracos são bem acima da média que seus relativos em outros estados.

As revelações do festival também vieram no terceiro dia. Julgamento (hip hop) e Monograma (pop) precisam circular urgentemente em outros festivais pelo Brasil, desde já. Apesar de sonoramente distintas, as duas trazem a mesma característica marcante, que é um trio de vozes fortes e música dançante e fácil de viciar. Esses dois, junto com o grupo Transmissor, mostraram o poder que os grupos locais tem com o público. Ver tanta gente na frente do palco, cantando tudo em coro e dançando junto dá aquela esperança de que as coisas estão realmente acontecendo com a cena local. A Monograma fez o momento mais especial do dia, chamando todo o coletivo Pegada para cantar junto no palco. Foi nesse momento que, um de seus representantes, Lucas Mortimer, fez o discurso dizendo que “nós amamos Minas Gerais!”.

A força que um artista local pode ter com o público ficou ainda mais claro com o Eminence. Uma das bandas mais respeitadas do metal nacional, quando foi anunciado que tocariam no Transborda uma outra produtora local decidiu cancelar um show do Angra que teria na mesma data, com medo de não ter mais público. A nota saiu no site de vendas de ingresso e nos jornais. Antes do show, o guitarrista Alan Wallace até comentou que achou desnecessário, considerando que o metal melodico tem público próprio e diferente do da banda. Mas também não escondeu a alegria que dá o reconhecimento da força da banda. No palco, eles dominavam todo mundo até onde a vista alcançava, fazendo talvez o melhor show da noite.

Uma dobradinha entre Eminence e BNegão poderia estranhar os desavisados. Mas Bernardo Santos é o verdadeiro “Big Lebowski” da música brasileira. Ele é “o cara” e, onde aparece, controla toda energia do lugar. O show dos Seletores de Frequência fez até headbanger cabeludo dançar, dando o clima de confraternização para o encerramento do festival. Por falar em encerramento, uma das melhores coisas do Transborda foram os horários. Tudo terminou antes de meia noite, cedo para voltar para casa e descansar. O festival, seus idealizadores e as bandas estão de parabéns, mas não mais que o público que, nessas três noites, escreveu história.

Written by Bruno Nogueira 44 Comments Posted in Reportagens Tagged with Belo Horizonte, Cobertura, festival, Transborda 19/09/2010 santanna-9691608 Lucas Santanna ao vivo no Transborda, em Belo Horizonte. Foto de Tiago de Caux

Uma coisa é preciso ser dita a favor dos coletivos. Somente em um ambiente amigável de troca de informações, tecnologia e know how que um festival como o Transborda poderia nascer já tão grande. Quando vislumbrado pela primeira vez pela turma do Coletivo Pegada, certamente essa noite do sábado deve ter surgido como imagem de inspiração para o que queria ser alcançado. Cerca de três mil pessoas na praça, para uma programação de bandas ainda um tanto desconhecidas, comprometidas unicamente com a diversão e boa música. Foi-se o tempo em que dar os primeiros passos era um fardo.

Devo dizer que todo festival que acontece em praças públicas deveria se preocupa sempre em ter boa parte de sua programação durante a tarde. Parte do clima legal do Transborda era ver o pôr-do-sol sentado na praça, acompanhando os shows, encontrando amigos, sem a tradicional claustrofobia dos galpões e lugares fechados. Clima de família e, de fato, ocupado por algumas delas. Aliás, é incrível essa relação do povo de BH com as praças e espaços públicos. Além do movimento (falei no post abaixo) que transforma a praça em praia, existe um outro que é contra as grades colocadas em eventos. Ontem, no começo da noite, um representante ainda manifestou seu protesto tentando derrubar as grades que cercavam o transborda.

Durante essa ocupação (e re-significação, como bem lembrou Ney Hugo, do Macaco Bong, no palco), o público estava mais frio e era possível visualizar algumas “muralhas de observadores”. O começo das apresentações foi marcado principalmente pela empolgação dos populares bebados da cidade, que dançavam, corriam e tentavam descolar uma cerveja em troca de palavras balbuciadas sem sentido. Resultado também da escolha em ter quatro bandas instrumentais, que demandam mais atenção, durante a programação. Era também possível ver aquele “efeito Carnaval” no Transborda, com pessoas que jamais estariam frente a uma programação daquelas se não fosse de graça em área central. Fora de seu gueto, o independente se deu bem com o público.

O primeiro nome mineiro a chamar atenção foi a Mekanos, de Poços de Caldas. Com a mesma pegada de bandas como Vampire Weekend, o rock animado e cantado em português deles está pronto para circular. É o tipo de banda que, após entrar em um bom circuito de shows, tem potencial para ir além. Deram vez a pedrada do Macaco Bong, que apareceram para substituir o rapper Linha Dura, que não se apresentou na noite anterior. Show mais alto do dia, os Bongs atingiram um nível de profissionalização que mantêm qualquer apresentação deles sempre no patamar elevado. Difícil ver uma apresentação deles que não seja, no mínimo, excelente.

Tanto barulho acabou deslocando um pouco a qUEbRApEdRA, banda de MPB e voz feminina que se apresentou em seguida. Podia ter sido agrupada com outros nomes mais tranquilos do dia, mas acabou afogada entre o Macaco Bong e Vendo 147. A banda baiana já é reincidente e foi quem começou a quebrar um pouco do gelo do público. Quando o repertório atingiu o já famoso medley com músicas de Black Sabbath e AC/DC era possível ver gente dançando e feliz até em pontos bem distantes do palco. Foram eles quem abriram a porta para o bom clima da noite que começaria em seguida.

Entre os nomes locais a boa surpresa foi ver a ótima relação que o Dead Lovers Twisted Heart tem com o público mineiro. Show mais agitado e dançante da programação, eles aproveitaram a bola levantada pela Vendo para dar o saque da diversão. Mas uma vez oscilou pesado de clima com a Constantina que, ao convidar membros do Macaco Bong para a presentação, perdeu um monte da identidade que seria apresentada ali. Soava como algo especial ter aquele encontro, mas a informação demandava uma explicação e contextualização maior para o público. Teve até quem, sem entender, se questionou porque algumas músicas do Macaco Bong se repetiam.

Se o público espontâneo dava impressão de Carnaval, a música de Lucas Santanna trouxe o clima completo. A noite foi do baiano, que já é reincidente na noite mineira. Foi quando o gelo do público finalmente derreteu e grandes blocos de pessoas dançavam até onde a vista alcançava do palco. A vista, por sinal, era digna de cartão postal. A fonte d’água ligada ao fundo, iluminação forte na praça e uma multidão dançando em frente ao grande palco. Nessa hora, a turma contra as grades e tapumes realmente teve razão. Dosar um pouco a paranóia da prefeitura local ajudaria a fazer o cenário ainda mais bonito.

A noite terminaria bem já ai. Mas Jupiter Maçã decidiu dar sua benção ao festival. Quem acompanha com frequência a passagem de Flávio Basso em festival sabe que é realmente difícil pegar ele em boa forma, sem tropeçar o alcool por cima das músicas e fazer uma apresentação por vezes lamentável. Não foi assim no Transborda. Em sua melhor forma, com muito pique, deu o fechamento rock’n’roll a festa na praça. De lá, o festival migrou para a “Utópica Mercenária”, onde as bandas Pequena Morte e Do Amor arrastaram a festa até às 4h da manhã.

Written by Bruno Nogueira 10 Comments Posted in Reportagens Tagged with Belo Horizonte, Cobertura, festival, Transborda 18/09/2010 leptos-4629012 Leptospirose (SP) no palco do Transborda

Vou começar com um breve momento de deslumbre: Belo Horizonte é uma das cidades mais bonitas que já vi. E tudo que falam sobre as praças daqui serem as mais bonitas do país é certamente verdade.

A primeira noite do festival Transborda, em Belo Horizonte, começou um tanto complicada. Apesar de existir uma vontade da população jovem em ocupar espaços públicos para eventos, a insegurança de órgãos como a Prefeitura ainda torna o processo bem lento. O festival acontece na Praça da Estação (apelido local da Praça Rui Barbosa, por ser lá a antiga estação central da estrada de ferro que cortava o Brasil, hoje abrigando o Museu de Artes e Ofícios). A vista do lugar, em dias comuns, é cortado por longos chafarizes de água, o que já rendeu um movimento local, chamado de “Praia da Estação”, onde as pessoas apareciam de sunga e biquini para tomar banho de sol.

Durante o Transborda, uma das fontes estava desligada para dar lugar a dois grandes palcos – lado a lado – onde acontecem os shows. A insegurança em ceder o local era visível nos diversos tapumes que fechavam o acesso ao museu, evitando contato do público com o prédio histórico, e também na demora da entrega do alvará de funcionamento do festival, o que resultou no atraso de quase duas horas para começarem as apresentações. Com hora marcada para encerrar, vigiada atentamente por vários funcionários da prefeitura devidamente identificados no local – e desnecessáriamente acompanhados da guarda municipal – o público foi o mais prejudicado ao perder dois shows. Um da banda Julgamento (remanejada para o domingo) e o do rapper Linha Dura (que mudou para o sábado).

Desatentos a esses detalhes de bastidores, o público foi o que mais chamou atenção nessa primeira noite de festival. Calculei uma média de 800 pessoas circulando pela praça com um visível interesse em ver coisas novas acontecendo na cidade. Se misturavam em duas categorias principais: os que se deixavam seduzir pela música e dançavam, pulavam e cantavam em frente ao palco e os que confraternizavam constantemente na noite (confesso que nunca vi tantos abraços distribuidos em uma noite de festival). O clima de boas vibrações total. Nunca se encontrava aquele típico chato do show, que fica em pé, em frente ao palco, observando sem reação tudo que acontece. A cumplicidade entre as pessoas e o palco já é ponto alto da noite mineira.

Os três shows que restaram para a noite foram salvos pela banda paulista Leptospirose. Antes deles, Cidadão Comum e Cães do Cerrado mostravam que o rock local é bem acima da média do que se assiste nos shows de abertura em festivais de outros estados. Confesso que cheguei em Minas pensando que essa era a terra de algumas das bandas mais legais que já ouvi na vida, como Sepultura e Pato Fu, e isso deve ter elevado mais a expectativa e a pressão nos nomes locais. Ambas as bandas estão no ponto para circular, com boa consciência do palco, mas ainda faltam aquele fator magia que faz você querer estar ali em cima, fazendo parte de tudo.

Era o caso da Leptospirose, banda de Bragança (interior paulista). A figura esquisita do vocalista Quique Brown, com jeitão de Frank Zappa From Hell, já inspirava insanidade nas pessoas antes mesmo da primeira música começar. Incrivelmente alta, rápida, suja e agressiva, as músicas hipnotizavam qualquer um que chegasse perto. Até os funcionários da prefeitura baixaram a pose, abriram sorriso e se deixaram contagiar pela festa. O dedilhado pesado e rápido do baixo se juntava a dança maluca da bateria com gritos de grind e hardcore no palco. A mistura não deu em outra: estourou uma das caixas de retorno, que começou a fumaçar trazendo um divertido elemento cênico para o show.

Tudo encerrou pontualmente às 23h30. Mas a festa continuou no “Nelson Bordello”, inferninho local que parecia concentrar até mais pessoas que na praça. Isso porque, paralelo aos shows do Transborda, o duelo de MC’s que já é tradicional da cidade fez o encontro de públicos da noite. Era a festa “Yes We Can”, comandada pelo coletivo Pegada, com bandas e DJ’s dispostos a ver o sol nascer. Por conta da longa viagem cheia de escalas – levei quatro vezes o tempo normal para chegar em BH – encerrei a noite sem encarar a longa a fila para ver o que rolava por lá. Mas hoje tem mais.

Preciso comentar: senti falta de ver as pessoas que criticaram o festival antes dele acontecer. Reclamar e falar mal sempre é feito com mais respeito quando se dá as caras para ver o resultado atingido pelo pessoal.

Written by Bruno Nogueira 31 Comments Posted in Reportagens Tagged with Belo Horizonte, Cobertura, festival, Transborda eu-5270716 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

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