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13/10/2009

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Uma das bandas mais legais de Natal voltou a dar boas notícias. O Bugs, quarteto apadrinhado pelo selo Mudernage, descolou ninguém menos que o mestre Gustavo Vasquez, do MQN e Studio Rocklab, para a mixagem e masterização final. Lama Sabachtani – nomezinho complicado, né? Vem daquela famosa frase “Pai,  porque me abandonasse?” da Bíblia – é muito mais pesado e enérgico que todos os outros trabalhos deles. Tomara que aponte para uma direção que eles passem a seguir sempre a partir de agora. O melhor da notícia é que o EP está totalmente disponível para download e, quem quiser baixar, é só clicar no link abaixo:

Bugs – Eli, Lama Sabachtani – 51.97 MB
Downloads: 656

Written by Bruno Nogueira 10 Comments Posted in Blog Tagged with Bugs, Download, Natal, Rock 04/06/2009

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A primeira década deste novo milênio termina com uma crise de identidade na música de Pernambuco. Existe uma ansiedade em proporção nacional para que o novo saia mais uma vez desse estado, mesmo que não exista mais continuidade daquilo que começou na década de 90. Associar imagens e sons a região se transformou em uma tarefa ingrata, na medida em que referências vão se distanciando desse “caráter multicultural” que, forçosamente, está determinado a carimbar todos os passaportes do estado.

Talvez, nessa ansiedade, tenhamos esquecidos que um dos aspectos do novo é de ser, antes de inédito, desafiador. E a Amp, formada por Capivara (guitarra e voz), Djalma (guitarra e voz), Dudu (baixo) e Crika (bateria) é a configuração musical mais desafiadora da estética local que surgiu nesse primeira década dos anos 2000. Sua música é a metáfora perfeita para aqueles filmes de ficção científica onde um monstro gigante devasta completamente uma cidade indefesa.

Seus passos largos representam a velocidade em que o quarteto avança na maturidade da música que fazem. O disco de estréia, Pharmako Dinâmica, não é rock para guetos, mas sim para multidões. Sem cara de produto reprocessado, mas assim como esses, milimetricamente planejado para conquistar espaços maiores. Trabalho do produtor musical Iuri Freiberger, ferreiro do rock nacional que imprimiu sua marca em discos como o da banda goiana MQN.

O grito grave do monstro é o baixo de Dudu, que faz pressão contra os ouvidos em cada nota, quase como um prenúncio apocalíptico. A parede sonora da Amp está toda em seu instrumento, que deixa inegável a referência que a banda tem ao rock do Helmet e Queens of the Stone Age. A metáfora encerra nos versos da própria banda que, quase ironicamente, descobre que ouvir suas músicas tem o mesmo efeito de presenciar essa invasão: “uma dose de adrenalina”.

Lançado pela Monstro Discos, Pharmako Dinâmica é apenas uma cereja no bolo do talento da Amp. As poucas músicas que lançaram no MySpace já garantiam a eles o prestígio de uma das melhores bandas de rock da cidade. Antes mesmo do disco sair, apenas com a promessa de reunião de alguns do melhores músicos de rock da cidade, rendeu a eles convites para tocar em festivais como o Abril Pro Rock (PE), Bananada (GO), Porão do Rock (DF), Goiânia Noise (GO), DoSol (RN), Calango (MT) e outros do circuito independente.

Sem a pressão de re-inventar a roda que tanto encerra carreiras em Pernambuco, Amp se destaca com o básico. Sexo, drogas e rock, muito rock, em riffs e refrões divertidíssimos. Sabe aquelas noites mais loucas, onde o sol nasce ainda ao som de guitarras, com amizades reforçadas, novos amores surgidos e ocasionais desventuras no banheiro? Essa é a trilha sonora perfeita dessas noites. A música que toca quando, por um breve instante, fechamos os olhos e sentimos o mundo girar e a vida acontecer ao nosso redor. Uma overdose de alegria.

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Esse, na verdade, é o release que eu fiz para o disco da banda, que começa a ser divulgado agora pela Monstro. Mas fiz de graça e portanto o sentimento é 100% honesto. Por isso estou publicando aqui entre outras resenhas. Seria o que eu realmente escreveria sobre eles em qualquer outra ocasião. Aproveitando, agradeço o convite para fazer o texto, fiquei felizão com a lembrança!

Written by Bruno Nogueira 6 Comments Posted in Discos Tagged with Amp, Monstro Discos, Recife, Rock 23/04/2009

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Como já virou tradição, o Pop up deu uma pausa durante o festival Abril Pro Rock, que encerrou no último sábado no Recife. Se ano passado eu me ocupei com a curadoria e assessoria de imprensa, nesse a segunda função conseguiu ficar com uma empresa a parte e acabei acompanhando mais processos na própria produção do evento. Mudar de lado foi, mais uma vez, uma experiência incrível. Ainda mais em ano de crise econômica, com eventos gigantes como o Tim Festival sendo cancelado, pude ver os dribles que a cena independente dá para seguir firme apesar das complicações.

Esse ano a curadoria foi mais complicada. As bandas estão ficando mais exigentes, como se enxergassem o festival como um plano de sustento, quando deveria ser de formação de público e continuidade de carreiras. Por isso muitos nomes que queriamos acabaram não entrando, mesmo não sendo atrações tão grandes assim. É uma contradição interessante, considerando que esse é um ano que todos os festivais vão ter orçamento menor. Mas talvez aconteça com o Abril por ter essa imagem de algo maior.

A grande decepção fica, infelizmente e mais uma vez, por conta da cobertura jornalística do evento. Dos textos que diziam que nenhuma banda do festival tinha cinco anos (quando a mais nova tinha sete e a mais velha 30), a outros que falavam que o cabelo do público era mal cuidado (wtf?), não sobraram pérolas. Nunca acompanhei tantas coberturas de um mesmo evento assim, só para encontrar jornalistas falando de instrumentos que nem eram tocados pelas bandas a momentos que não aconteceram. Teve quem viu strip tease no palco de Jon Spencer e que o Matanza é um tipo de Devotos do Ódio. Não por acaso, quase toda a mídia convidada esse ano foi televisiva.

Resta agradecer ao público que compareceu. Aos que elogiaram a escalação e aos que criticaram. Mas só aos que criticaram com razão, claro. Obrigado aos voluntários de última hora, as bandas que tocaram, ao povo que entregou material e compareceu nas palestras. Para o ano, se tudo der certo, tem mais. 🙂

A foto que abre o post é de Beto Figuerôa e vai em homenagem ao cara que escreveu que no show do Motorhead só se via o vazio do público.

E agora de volta a programação normal…

Written by Bruno Nogueira 9 Comments Posted in Blog Tagged with Abril pro Rock, produção, Recife, Rock 11/02/2009

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Talvez essa seja uma associação baseada demais em experiências pessoais, mas não consigo ouvir as músicas de Damned Rock n’Roll, o segundo disco da Vamoz, e não pensar que são canções solitárias. A ausência do baixo nunca é compensa por guitarras graves, o que sempre reforça temas melancólicos como o de “You are Right”, que abre o repertório. “Este é o rock, ele nos fez livre” é uma exaltação a própria condição da banda, o que me dá um pouco de conforto em pensar que minha suspeita sobre um disco solitário não seja apenas reflexo meu como interlocutor.

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Porque naquele ofurô da década de 90 tiveram algumas bandas que navegaram sentido contrário. Decidiram trocar as alfaias por ainda mais guitarras e seguir cantando em inglês. Mas apenas a Vamoz levou isso realmente a sério. Talvez a solidão se encontre ai, enquanto eles cavavam sozinhos um pequeno espaço na parede sonora de Pernambuco, abrindo espaço para surgir algumas das bandas mais legais nessa primeira década. A sensação de que o trio não estava confortável na condição de heróis da resistência aparece escondida em trechos como “looks like everybody’s talking about you” e “hype music is a bogus show”.

Mas Damned Rock n’Roll não é sobre mensagens secretas ou entrelinhas. É uma constante auto-afirmação ao amor pelo rock. O gênero é um tópico tão recorrente nas canções quanto a própria frustração pelo amor não correspondido ou desencontrado. Eles aparecem como antagonistas aqui, com uma canção que diz “found me crying deeply” e “I got snow reminding me how I miss you dear” em oposição a “the Sonic Youth is here today” e claro, a grande máxima da banda, “rock n’roll saved my soul again”.

Esse misto de fúria e desolação chega a um ponto em comum na música que dá nome ao disco. Nela, quem escuta é deixado a sua própria interpretação, enquanto a batalha entre as guitarras segue as coordenadas da bateria sem nenhuma letra ou voz de acompanhamento. É quando todas as referências sonoras que passaram pelas canções são reunidas, mostrando como a Vamoz consegue processar tanto o folk rock e o hard rock sem se transformar em um frankstein desorientado.

Nesse embate entre a desilusão do amor e a paixão ardente pelo rock, talvez a última vença. Já que passadas as sensações em jogo, percebe-se que Damned Rock n’Roll não é um projeto solitário. Do quarto membro escondido, Felipe Vieira, que assina quase todas as letras, ao encarte recheado de logomarcas de diferentes estúdios, diferentes selos e até instituições de ensino, percebe-se o coro que se juntou para dar voz a este segundo disco da Vamoz. Esse ensaio de indústria, a sintonia dessa cooperação toda, é coisa rara de ser vista em uma cidade como Recife.

Talvez seja essa sintonia que defina a Vamoz com a banda de rock mais importante em atividade na cidade. Que coloque o trio Marcelo Gomão, Henrique Müller e Pedro Henrique como – com o perdão da repetição – heróis da resistência da cena local. Esse disco carrega o DNA de bandas como Sweet Fanny Adams, Amp e The Keith, que começam a dar nova vida a um Recife que passou muito tempo sob o regime do regionalismo.

Lançado em 2007, Damned Rock and Roll acaba de ser liberado totalmente para download pela banda. Tem um faixa a faixa no site oficial, mas eu reuni todas aqui em um único arquivo para quem quiser baixar o pacote completo. Lembrando que essa é apenas metade da experiência do “rock danado” (como Gomão sempre enfatiza). O disco original vem ainda com um DVD, com uma apresentação ao vivo da banda em show acústico, batizada de “Vamoz na Montanha”, um documentário sobre a gravação do disco, além de clipes e extras.

Written by Bruno Nogueira No comments Posted in Discos Tagged with Discos, Recife, Rock, Vamoz 07/10/2008

Conheci essa ouvindo as bandas que participaram do Microfonia, durante a curadoria. Não sei se conseguir destacar uma, de 80, é muito motivador, mas se tiver que fazer uma aposta, fico com essa. Gostei de cara, já nos primeiro segundos de Only Tease, e essa nem é a melhor do EP de três faixas que eles lançaram no MySpace. A Love Toys ainda não tem um ano, mas já ajuda a crescer o gráfico de boas bandas de rock da cidade. O deles é ainda calculadamente mais sujo do que se tem feito por ai, com refrão gritado e agudo, lutando para não se sufocar nas distorções de guitarra.

Não é nada inovador, graças a deus, porque essa é a última coisa que precisamos agora. O rock simples da banda, que canta em inglês, as vezes faz lembrar o Forgotten Boys e Relespublica. Mas quando fica mais sujo, puxa para o lado da escola do MC5 e Bad Company, com ecos de AC/DC depois da quinta ou sexta escutada. Claro que essas são as referências quando se vislumbra o som da banda mais amadurecido, daqui a um pouco mais de shows e, quem sabe, do primeiro disco. Referência que faz falta – aliás, como quase toda no rock daqui. Se eles souberem investir, não vai demorar para começarem a ser percebidos pelas vizinhanças e acabarem com um show num DoSol da vida.

Peguei Too Cool For Me do MySpace deles, que tem mais duas músicas. Achei essa a mais legal.

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Written by Bruno Nogueira 2 Comments Posted in Blog Tagged with Love Toys, Novas bandas do Recife, Rock eu-8381458 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

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