Abril pro Rock 2004: Segundo dia | Pop up!

Justiça seja feita: dizer que o sábado do Abril pro Rock é o dia de “peso” é uma generalização sem pé nem cabeça. À medida que as camisas pretas começavam a se misturar com os tênis All Star no hall de entrada do Centro de Convenções, ficava claro que ali seria palco dos mais variados estilos, não apenas o hardcore e heavy metal. Quando a primeira banda subia ao palco, isso ficou bem evidente.

Para uma cidade que não se acostumou com festivais à luz do dia, ainda era muito cedo quando a banda pernambucana Vamoz! começou a tocar. Pontualmente às 17h30, músicas indies, que lembram um pouco os amerianos do The Strokes, fizeram parte de uma performance tranqüila, para uma platéia curiosa. Quando o vocalista Gomão anunciou que fariam uma surpresa, teve até deboche. Mas o respeito e admiração vieram logo em seguida, com o cover de Highway from Hell, do AC/DC. Foi o impulso inicial para a empolgação da noite.

A segunda banda foi, também, uma das mais esperadas. Os rapazes do Forgotten Boys quiseram agradar a todos e aproveitaram a apresentação de uma hora para tocar um cover de Ace of Spades, do Motorhead. A presença de palco dos paulistas era tanta, que boa parte do público mais inerte, que aguardava a banda Eminence subir ao palco, chegou pertinho e se arriscou dançar junto com o público mais jovem – entre 15 a 20 anos.

O clima calmo continuou até o fim do show da banda Switch Stance (que brincou com o púbico ao fazer um pequeno protesto contra o presidente americano George Bush). Para quem achava o barulho pouco, os mineiros do Eminence entraram no palco já com um alto-falante. Mesmo com presenças tão ilustres do Metal, a banda roubou fácil o favoritismo do pessoal, com um profissionalismo técnico de deixar com inveja muita banda com anos de estrada.

Apesar da boa intenção de misturar grupos tão diferentes entre os horários, os paulistas do Lava acabaram um pouco perdidos, com a responsabilidade de segurar a principal atração da noite e apartar uma briga na platéia. Na segunda apresentação no Recife, o Destruction foi quem conseguiu juntar todos os presentes em uma única massa em frente ao palco. O destaque ficou com o baterista, que conseguiu mostrar uma grande variação de batidas em um estilo onde é fácil cair no repetitivo.

Para esperar pelo Ratos de Porão, muita gente resolveu deixar a frente do palco e descansar um pouco, para azar dos cariocas do Maldita, que precisaram fazer um show menos movimentado, onde nem o visual no estilo Marilyn Manson conseguiu chamar atenção. Quando João Gordo, Jão e companhia subiram ao palco, não deram um show, mas sim uma aula de como manter uma roda de pogo girando sem parar por uma hora inteira. Não faltaram membros de outras bandas no palco, todos querendo um pouco daquela energia.

A noite encerrou em clima de metal pesado. A banda local Insurrection Down assumiu a responsabilidade de preparar o terreno para a grande atração da noite, e não deixou por menos. Dois anos depois de subir no palco do Abril, os gaúchos do Krisiun encerraram a noite com chave de ouro. Para quem procurava por Rock’n’Roll, o sábado não ficou devendo a ninguém.

Publicado originalmente no dia 18.04.2004 no JC OnLine

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