Abril pro Rock 2005: Primeiro dia | Pop up!

Fazia tempo que tanta gente não ia para o pavilhão do Centro de Convenções assistir ao Abril pro Rock com tão boa vontade. Mesmo com um público de imagem excêntrica, predominantemente para ver o Placebo, a estréia da 13ª edição do festival mostrou como a carência do Recife por shows de grandes nome é capaz até de mudar velhos hábitos na cidade, como o de comprar ingressos antecipados. Até ontem, o número de vendas já superava, em muito, o dos anos passados. Afinal, ninguém queria ficar de fora para o evento do ano.

Um fato interessante este ano foi que os shows começaram pelo não oficial palco três. A banda The Playboys alugou um espaço para stand e, no lugar de roupas, ofereceu uma pequena apresentação, reunindo considerável público. Para quem não cogitava ser possível pagar pela presença no Abril, a banda dá a receita: meros R$ 250 para estar entre o maior público de Rock’n’Roll do Norte-Nordeste. E não ficou apenas no início, uma canja com a lenda de minas, Wander Wildner, atraiu muito mais gente já depois de começado os shows.

No momento do Claro que é Rock,a banda de Natal, Bugs, conseguiu, em 20 minutos, cativar todo mundo que lotava o espaço do palco dois – muito bem arquitetado com telão de fundo, mostrando o nome do grupo – arrancando gritos de euforia entre cada canção. Durante as apresentações, as polêmicas não paravam de circular sobre a presença no júri dos produtores de dois concorrentes, criando tensão sobre o resultado final, que decidiria qual representante do Nordes-te estaria na etapa final de São Paulo.

As preocupações deram espaço e força para a anunciação dos cariocas Los Hermanos. O palco um, até então com sua frente ocupada por fãs do Placebo que queriam garantir espaço, foi invadido por uma multidão. Curioso perceber que a banda consegue reciclar seu público e, ainda assim, manter unidade de comportamento. Quem gritou nos últimos shows, agora assistia de longe, reconhecendo os novos donos de uma idolatria que parece, cada vez mais, sem fim.

Encerrado o empurra-empurra de uma hora, o festival da Claro retoma para dar tempo da atração principal preparar sua entrada. Sobem no palco as duas promessas da noite e, perguntada sobre a expectativa e o júri de produtores de concorrentes, a Star-61 já se declara não vencedora. Miranda, responsável pela gravadora Trama, produtor da Zeferina Bomba (PB) e jurado, se defende, “Quem me conhece sabe que meu julgamento é imparcial. Além do que, tenho muito contato com todas as bandas participantes”.

Entra, então, o grande momento da noite. O Placebo, banda da Inglaterra que toca uma evolução do rock de David Bowie e The Smiths, faz um show longo com mais de uma hora e meia. Os fãs mais ligados devem ter percebido que a ordem das músicas foram exatamente as mesmas das tocadas recentemente na Argentina e México, incluindo o supostamente inesperado retorno do palco. Numa turnê só de sucessos, a banda agrada, de mão cheia, os presentes, que tem apenas aplausos.

Logo em seguida, Roger, que também fez parte do júri, anuncia o resultado do concurso. A própria Star 61, que momentos antes estava desacreditada com o evento. Eles receberam R$ 15 mil em instrumentos e a oportunidade de se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Publicada originalmente no dia 17 de abril de 2005

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