Festival NoAr 2005: Cobertura | Pop up!

Muita gente achava que ia encontrar o teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lotado quando chegasse na primeira noite do festival No Ar: Coquetel Molotov. Em parte pelo encontro de estudantes que acontecia a alguns metros, e também por ser um dos eventos mais comentados das últimas semanas. E, de certo modo, estava. Na salinha ao lado, cerca de 200 pessoas curiosas e interessadas disputavam espaço para assistir aos pocket shows que começavam ainda de tarde.

Dos que passaram por lá, chamava mesmo atenção a Profiterolis. Irreconhecível do show que fez na edição do ano passado, a banda cresceu em tamanho e qualidade, está mais bem definida, merecendo um palco principal. Diferente da Rádio de Outono, que estava dispersa e tímida no teatro. Engessada no repertório de um disco que promete sair há vários meses, ela desanimou o público, que já começava a gritar “toca Raul”, de deboche.

O público do primeiro dia foi de cerca de 520 pessoas. Grupo que já pode ser considerado privilegiado. Primeiro pelo show do Mombojó, que estava totalmente diferente do que a banda costuma fazer, num sentido positivo. Segundo pelo do Hurtmold, uma apresentação fascinante, que deixou gente literalmente boquiaberta nas cadeiras. Eram seis pessoas que pareciam estar construído o som final naquele momento, sem ensaios.

Mas se Recife agora tem show de qualidade no calendário, esses ainda não tem o público que merecem. Foi desanimador ver a pouca receptividade dada a banda Dungen. Os suecos tiveram que fazer seu show ainda sob os gritos de deboche e risos quase provincianos ao ouvir um idioma diferente. Foram 40 minutos para arrancar o respeito das pessoas, que aplaudiram de pé no final.

Na segunda noite, a banda Embuás tentou disfarçar a pouca unidade de sua música usando um porco. Coube então a M. Takara, do Hurtmold, fazer uma apresentação decente para abrir a noite. Assim como na banda, sua música é uma reunião de sons que parecem ser construídos naquele exato momento. Impressionou tanto que não deu espaço para o Re:Combo mostrar um trabalho parecido.

No palco principal, a Mellotrons encontrava sua casa num palco realmente grande e com equipamento de qualidade. A banda parecia ter saído do armário, aproveitava todos os espaços, estava bem à vontade. Não funcionou apenas a tentativa de cantar em português, que não casou bem com o som do grupo. Aliás, o que não funcionou mesmo foi a apresentação seguinte, de Lulina, de acordo geral o pior momento do festival.

Na tradição dos nomes estranhos, a dupla Berg San Niples fez o melhor show de todo o evento. Os franceses passam uma honestidade contagiante no palco. Parecem tão envolvidos quando tocam, que criava uma cumplicidade com as outras pessoas. Como se aquilo fosse algo exclusivo, um segredo entre artista e público.

Relação que não aconteceu com o The Kills. Curiosamente, o show mais esperado das duas noites, e que reuniu 928 pessoas no teatro, passou apenas pelo curioso. A começar pela sinceridade, era uma dupla uma banda invisível fazia os outros instrumentos. E encerrando na pose, que talvez caiba mais quando o casal merecer sua fama. Talvez daqui há mais uns seis anos. 

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