MADA 2006 | Pop up!

NATAL – Encerrou no último sábado a oitava edição do festival Música Alimento da Alma, Tim Mada para facilitar, em Natal. Três dias de rap, eletrônico e muito rock nas terras potiguares que alimentou não so a alma, mas também o estigma do evento. Pelo menos nos últimos cinco anos, esta foi a melhor de todas as edições, em programação, público e qualidade dos shows.

Quinta
O trocadilho é infame, mas num festival que tem o alimento no mote, cabe dizer que o principal prato da culinária potiguar é o Rap. A primeira noite do Mada veio para dar voz a um movimento que, até então, não ecoava pelo restante do Nordeste. Público que fez questão de ficar na frente do palco enquanto o céu inteiro caia na forma de chuva. Cabia bem ter sido uma noite totalmente dedicada ao hip hop.

Do Recife, a banda Volver passou no filtro dos shows mais agitados do festival. Sorte, para uma noite que parecia ser segmentada. O público de Natal não tem preconceitos, estão sempre na frente do palco, dançando e, na devida oportunidade, até cantando novas músicas. No mesmo clica deslocado, se deram bem as bandas Macaco Bong e Montgomery.

Mas o que vale destacar são as apresentações do Neguedmundo e Agregados Família do Rap. Qualidade afiada, trabalho bem feito, e relação com o público de fazer inveja. O hip hop do Rio Grande do Norte merece mais atenção depois dessa noite. Cerca de seis mil pessoas fizeram parte do momento.

Sexta
Noite equilibrada, com bandas de rock mais acessível. O público da segunda noite (cerca de sete mil) era excessivamente jovem, numa engraçada caricatura de camisas de rock, mas postura inocente. A banda Zeferina Bomba (PB), desapareceu e a programação encurtou em meia hora. Quem também sumiu foi a chuva, garantindo um clima ideal para a celebração as guitarras.

Quem se destacou foram as bandas Revolver (de Natal), com um rock que lembra a fase agitada dos Beatles. Som maduro, gritado e instigante, que já virou um CD que chega às lojas próxima semana. Os donos da noite foram os meninos da Reação em Cadeia (RS). A melhor resposta de público do todo festival, com gente pulando, gritando e entrando no clima.

A melhor surpresa da noite foi o glam rock da Cabaret. Banda do Rio de Janeiro, com letras em português e muita, mas muita afetação no palco. Travestidos de personagens que se apresentam como Peter Glitter, Sid Licious, Marvel e Myself Deluxe, eles venceram uma barreira forte que tinha com um público duvidoso e somaram mais carisma na noite.

Sábado
A chuva voltou, para espantar a produção, o público e atrasar exatos 30 minutos do evento. A última noite do Mada prometia pouco, com shows que dividiam bastante a opinão da crítica. Essa foi a melhor parte de todo o festival, aquela onde os ditos especialistas precisam admitir que erraram frente ao público. Às 10h, o Cansei de Ser Sexy fez o show mais louco da noite, com uma galera enorme cantando na frente, estérico e obsessivo, pedindo mais, mais e mais. Nem que fosse uma simples atenção da banda, um olhar ou sorriso.

Vale a pena também guardar o nome do Moptop. Os cariocas foram responsáveis por um dos melhores shows do Tim Mada. Energia no último volume, vocais gritados e comparações com o Strokes só viam para somar. No fim da noite eram cerca de sete mil pessoas provando que podiam somar o melhor da música farofa, com o independente, numa única experiência. Ponto para o festival, ponto para a cidade de Natal. Ambos de parabéns.

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