Moptop | Pop up!

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Questionário rápido: diga cinco artistas nacionais que fizeram sucesso cantando em inglês? Segunda pergunta: quantos representantes o Brasil teve deste novo rock iniciado pelos Strokes no começo dos anos 2000? E, para encerrar a trívia: que resultados concretos o cenário independente brasileiro de música conseguiu neste mesmo período de tempo? Pode pensar com calma, porque essas questões são fundamentais para se falar de “Moptop”, o “disco de estréia” – assim mesmo, entre aspas, – da homônima e excelente banda carioca.

Então vamos responder parte a parte. Não dá para falar do Moptop tomando esse disco como marco inicial. Porque eles fizeram uma brincadeira em estúdio caseiro e lançaram as MP3s num site para lá de bacana conquistando fãs no país inteiro. E mesmo sendo um ótimo cenário, eles cantavam em inglês. E se uma banda precisa dar um passo a frente, essa primeira questão é fundamental. Depois vem a sonoridade. Naquela época, escutar “In Through the Night” era pensar “essa é a nova do Strokes?”. A canção, agora chamada “Sempre igual”, segue o efeito.

O importante é ter em mente que isso é muito, mas muito bom. Strokes, Franz Fedinand, Interpol, Arctic Monkeys, Libertines, Yeah Yeah Yeahs; essas são as novas bandas que estão dizendo que, no rock, nada poderia ser mais divertido ou “franztastico” neste novo milênio. Poder encaixar uma banda nacional neste filão é motivo para abrir o champanhe (ou a cachaça, em nosso caso). Os mais atentos vão saber responder essas duas primeiras perguntas rápido e fácil se pegarem exemplos do meio independente. Aquele mesmo, que mesmo sendo tão legal, nunca chegou às rádios e shows para mais de mil pessoas.

“Moptop” está sendo lançado pela gigante Universal. Das três questões, essa é a que causa mais rebuliço na história. Uma gravadora de grande porte quis contratar uma banda que fez sucesso disponibilizando tudo na Internet. Algo de novo está acontecendo. O Moptop conseguiu a vitória de poder, ao menos, comercializar as músicas digitalmente (R$ 2,50 a faixa), antes de o trabalho final chegar às lojas. Foi a primeira vez que a gravadora fez algo assim. E tem mais por vir. Vídeos no YouTube, mp3s novas no site. A Universal até contratou uma assessoria específica só para divulgação na Internet.

Ouvindo o disco, que tem um encarte bem simpático inspirado na pintura a óleo “Apollo 11 Space Team” de Norman Rockwell, percebe-se fácil que o Moptop é a banda certa para estar no centro dessas mudanças. São 12 músicas que dão vontade de gritar alto o lema da banda, impresso de maneira tímida no verso do encarte, dizendo “Yeah Rock!!!”. Canções que tem uma pegada de “guitar band”, tecladinho, programação eletrônica discreta, voz mais que afinada. Nas letras, os versos “Eu menti sim / ser alguém cansa demais”, completam o pacote.

Essa avalanche de mudanças tem ressalvas. O Moptop parece ter um desejo ainda reprimido de fazer uma explosão rock. As músicas sempre recuam para acordes lentos, quando poderiam ser bem mais aceleradas. Num ponto de vista mais positivo, fica a expectativa de que isso esteja guardado para acontecer no palco. Se a pegada rock ficar ensandecida nas apresentações, talvez estejamos à frente da banda mais legal lançada pelo mercado fonográfico nos últimos cinco anos.

Escute aqui: O Rock Acabou
[audio:moptop01.mp3]

Veja também:

Entrevista com Gabriel Marques (voz e guitarra da banda)
O Rock Acabou (clipe)

Links:

Site oficial
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