Recbeat | Pop up!

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04/02/2011 momojo-5990821 Mombojó

Duas grandes (e outras duas boas) notícias no começo de escalação do Recbeat. O festival, que influênciou o formato inteiro do Carnaval do Recife, divulgou os quatro primeiros nomes que se apresentam esse ano. De cara, já é a melhor alternativa para quem não quiser encarar a necrofilia que vai ser o show do Raimundos no mesmo período. Mombojó e Baiana System são certezas de melhores momentos mesmo antes do evento acontecer (se bem que, sei lá, tudo é possível :P). A cidade estava devendo ao Mombojó o retorno aos festivais e “Amigo do Tempo”, nas listas de melhores do ano só colabora para isso.

O Baiana System é tipo show perfeito para o Carnaval. Guitarra baiana + Dancehall, que é dona da melhor noite em Salvador. A passagem de Gaby Amarantos ano passado rendeu tanto que o Pará está de volta com o tecnobrega na programação. Felipe Cordeiro é de uma vertente mais pop-classe-média do gênero e promete repetir a euforia de Gaby ano passado. Quem vem do Pará, mesmo não sendo de lá, também é o DJ Patrick Tor4, figura sempre presente onde a música importa, vai discotecar em uma das noites do festival.

Written by Bruno Nogueira 16 Comments Posted in Blog Tagged with Felipe Cordeiro, festival, Mombojó, Patrick tor4, programacao, Recbeat 29/03/2010 recbeat-3515009 Gutie, produtor do Rec-Beat; e Gabi Amaranto, do Pará. Foto de Caroline Bittencourt

Fazer festival no olho do furacão de um dos maiores carnavais do país parece jogo ganho. E, em termos práticos, é o que acontece quando se trata do Rec-Beat. Em sua 15a edição, o evento aconteceu mais uma vez no “polo mangue” do Carnaval do Recife, durante quatro dias onde atraiu um público médio de 8 a 10 mil pessoas por noite. Talvez em um contexto diferente onde fosse pago, as atrações da programação não chamariam mais do que mil pessoas. E esse é o principal mérito do evento, promovido pelo paulista Antonio Gutierrez: promover um econtro de ótimas bandas com pessoas que, naturalmente, não iriam ao encontro delas.

O Rec-Beat já passou por diversas mudanças de conceito. Da última vez que entrou de acordo, decidiu não trazer mais nomes de grande porte e diminuir um pouco de espaço onde acontece, a favor de ter uma folga maior de público. Opção acertada e celebrada por quem ainda lembra das noites sufocantes na tentantiva de se assistir a Nação Zumbi tocar no bairro histórico do Recife Antigo. Mesmo assim, esse ano fechou a programação com uma trinca dos melhores discos de 2009. Passaram por lá Lucas Santanna, Céu (SP) e Cidadão Instigado (CE).

Os grandes – pelo menos no contexto do festival – não tem muito a acrescentar. Fizeram respectivamente os melhores shows de cada um de suas noites. Com o destaque principal para a resposta de público do Cidadão Instigado. Esse foi o show que oficialmente lavou a alma de Fernando Catatau, que colecionava uma série de apresentações no Recife que eram atrapalhadas por fatores externos.

Mas é a novidade que sempre chama mais atenção. Na segunda noite do festival, Gabi Amarantos, do Pará, trouxe o que ela chama de “tecno-melody”, uma evolução do tecnobrega. Com direito a versão de “All the Single Ladies”, de Beyoncé, cantada em português – é aquela mesma que foi gravada por Preta Gil, que no refrão diz “hoje eu tô solteira” – e um show que, por uma hora, só fez repetir as mesmas cinco músicas, arrancou verdadeiro delírio do público.

Ainda na fileira das novidades, a Caldo de Piaba, que vem do Acre, fez uma das apresentações mais impressionantes. Misturando Carimbó com o Imunização Racional de Tim Maia, fizerma show instrumental que prendeu a atenção do público até o final. Quem também não tinha vocalista é a Diversitrônica, com uma parede sonora altíssima, fazendo uma das cinco apresentações mais legais de todo o festival. É música eletrônica, mas totalmente tocada por uma banda, quase sem programação.

O festival conseguiu a boa façanha que foi apresentar um novo artista pernambucano a sua própria terra. Zé Manoel é a promessa lançada pelo Rec-Beat que deve circular ainda mais este ano, impulsionado pelo ótimo show que fez na primeira noite. Ainda nas pratas da casa, o festival consagrou o ótimo momento da banda Volver que, mesmo no horário cedo, teve a melhor resposta de público entre todas as atrações. A comissão de frente do palco cantou todas as músicas sem errar e fez até fila para conseguir autografo do grupo que, hoje, está morando em São Paulo.

O Rec-Beat trouxe conceito e frescor ao Carnaval de Pernambuco, que em seus outros polos apostavam de extremos como o samba carioca de Diogo Nogueira e ao emocore do NxZero. O encerramento, com uma big band reunindo integrantes das bandas Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda, tocou até perto do sol nascer. Tudo em clima bem familiar, sem violência, mostrando que boa música foi suficiente para criar o ambiente de um festival de graça, no meio da maior festa do país.

Written by Bruno Nogueira 3 Comments Posted in Blog Tagged with Cobertura, festival, Recbeat, Recife 26/01/2010

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O festival Recbeat divulgou a programação que vai compor um dos palcos mais legais do Carnaval do Recife. Durante a coletiva, o produtor Gutie não colocou nesses termos, mas parece que esse ano eles seguiram a risca a lista de melhores discos que foi divulgada em revistas, blogs e etc. Vai ter Cidadão Instigado e Lucas Santanna e por pouco não teve também Otto. Outra característica legal dessa edição é a descentralização. Tem muito mais bandas de lugares distintos, fora as internacionais. Incluindo a Caldo de Piaba (foto), que é uma das apostas do Pop up para 2010.

Uma parte das atrações também se apresenta no Sesc Pompéia, em uma edição paralela que será chamada “Pompéia-Beat”. Apesar de ser contra do que chamou de “coisa fast food”, sobre ter edições em outras cidades, Gutie disse que até metade do ano deve anunciar um “drops” do Recbeat na Europa, com parte dessa programação. Sem mais enrolação, confere ai a programação do festival!

Radistae | PE
Zé Manoel | PE
Renegado | MG
Lucas Santtana | BA
Puerto Candelária | Colombia

A Banda de Joseph Tourton | PE
Volver | PE
Magic Slim | EUA
Atração a ser anunciada
Gabi Amarantos | PA

Diversitrônica | PE
Stela Campos |  SP
Madensuyu | Bélgica
Atração a ser anunciada
Ojos de Brujo | Espanha

Mestre Galo Preto | PE
Caldo de Piaba | AC
Cidadão Instigado | CE
Cabezas de Cera | México
Original Olinda Style (Eddie + Orquestra Contemporânea de Olinda) | PE

Written by Bruno Nogueira 13 Comments Posted in Blog Tagged with Carnaval, festival, programacao, Recbeat, Recife 25/02/2009

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Nos últimos dois anos, o festival Recbeat se viu obrigado a diminuir a proporção das atrações em sua programação, assustados com a reação agressiva do público. Era, na verdade, parte de um processo em que o evento começava a perder sua identidade e se transformava em apenas mais uma das tantas esquinas do Carnaval do Recife. No último dia da edição 2009, entrentanto, parece que toda a produção do evento já pode respirar mais aliviada.

Quando um público acima da média se concentrava já cedo para ver o Burro Morto, ficou oficialmente provado que o festival voltou a crescer, mas agora dono de sua própria marca. Aquelas pessoas não estavam ali apenas em busca da folia, mas sim porque sabiam que encontrariam uma programação diferenciada. E, na melhor apresentação que a banda paraibana já fez até hoje aqui em Pernambuco, é provável que absolutamente ninguém tenha se decepcionado.

A banda instrumental tem uma pegada de música do mundo e com um jeitão hippie, mas sem deixar essas referências atrapalharem a boa diversão. São uma cria bem resolvida da geração dos anos 90, com uma consciência de soar sempre mais pop que experimental, chamando até a atenção dos ouvidos desavisados. São um dos nomes da música independente para se olhar de perto em 2009.

Depois deles, foi a vez de Junio Barreto fazer um justo retorno ao Recife. Apesar do disco novo, ele cantou principalmente músicas do primeiro trabalho. Acompanhado por um time escolhido a dedo, com a baterista Simone Soul (que já tocou com Cássia Eller) e Dimas Turbo (Jumbo Elektro / Cérebro Eletrônico), ele parecia bem mais animado que o de costume no palco. Pulava, abraçava os músicos e até tirava uma onda nos instrumentos.

Não bastasse a surpresa que o Desorden Público trouxe na noite anterior, outra banda da América Latina cravou o nome nas melhores apresentações do Recbeat este ano. Foi a Bomba Estéreo, com um típico pop colombiano. Show bem pra cima, que conseguiu deixar o povo grudado no palco mesmo debaixo de chuva. Muito em parte pela presença de palco da vocalista Liliana Saumet.

Mas essa era a noite do Cordel do Fogo Encantado. Há 10 anos, a banda fazia uma estréia ainda mambembe no mesmo Recbeat, na época acontecendo na rua da Moeda do Recife Antigo. De lá para cá, eles se tornaram em um dos casos mais esquisitos da música independente nacional. De certa forma, continuaram sem ter grandes álbuns, nem tocar em rádios ou aparecer na MTV. Foram os únicos contemporâneos da geração Manguebeat que nunca chegaram a assinar com gravadora. E, mesmo assim, é a banda que mais cresce em público.

A apresentação foi de quase duas horas de pura catarse. Com direito a participação de Canibal, do Devotos e uma formação praticamente inédita do Cordel no Recife. A banda ganhou um formato que parecia ser improvável, mas vendo ao vivo chega a ser inevitável pensar porque demorou tanto para eles passarem a se apresentar assim. Explicando: é que antes eles formavam um grupo apenas com percussão. Apenas depois de muito tempo incluiram um violão, mas agora viraram uma verdadeira Orquestra. Ao redor do maestro Lirinha, metais e vários instrumentos dão uma nova cara, garantindo fácil outros 10 anos para a banda.

Written by Bruno Nogueira 3 Comments Posted in Reportagens Tagged with Bomba Estereo, Burro Morto, Cobertura, Cordel do Fogo Encantando, Junio-Barreto, Recbeat 25/02/2009

“João do Morro… no Recbeat… TOMA!”. Quando João do Morro gritou isso para uma verdadeira multidão em sua frente, ninguém ali desconfiava que alguns minutos antes ele estava sentado no camarim, ainda roco do show que fez no Galo da Madrugada, dizendo a todos que entravam o quanto estava nervoso e assustado para se apresentar. Passado a confirmação da aprovação de grande parte do público – que fez questão de aparecer cedo como nunca tinha acontecido antes, nos últimos 14 anos de evento – essa já pode ser definida como a escalação mais simbólica de todo o festival Recbeat.

Gutie, produtor do festival e empresário de João do Morro, fez questão de não esconder a felicidade que a apresentação trouxe. Dias antes, ele recebia ligação da Prefeitura do Recife, perguntando se ele iria mesmo escalar o cantor de pagode / swingueira no Recbeat. Penso que essa é uma primeira ruptura do conceito tão preso a estética que os artistas independentes sempre tiveram. São dois resultados para celebrar: do lado de lá, parece que um artista chegou um nível aceitável suficiente para conviver entre outras bandas de rock, tango e tec. Do nosso lado, cai um pouco da frescura em se misturar.

E, ainda de sobra, tem um outro grande trunfo. O público do Morro da Conceição, que compôs toda a comissão em frente ao palco, mostrou humildade em não ir embora logo após o show de João. Continuaram lá e fizeram questão de acompanhar todo o restante do Recbeat. Isso é algo que o público de festivais independente ainda precisam aprender com essa turma. Ainda mais considerando que a transição para o show da Nuages (Equador) não foi fácil. Era uma banda visualmente atrativa, mas instrumental e recheada de muito mais informação.

Só não aproveitaram melhor o clima da noite que a Ska Maria Pastora. Verdadeira revelação do Recbeat, o grupo (que não toca exatamente Ska, apesar do nome), foi a surpresa mais agradável de todo o festival. Banda redondinha, que estava escondida dos holofotes da imprensa, mas faziam pequenos shows pela cidade. Só precisam agora aproveitar a super-exposição para ganhar mais espaço. Se fizerem, esse deve ser um grande nome da música local para este ano.

A chuva torrencial que voltou logo depois do show deles me fez perder boa parte da apresentação de Sílvia Machete. O pouco que vi (as últimas duas músicas), lembrou bastante a passagem que vi dela em Salvador meses atrás. Tem toda um lado quase teatral, mas é um repertório 100% de covers. E isso sempre me soa negativo. O comentário da noite, que concordei, era que ela misturava Danny Carlos com Catarina Dee Jah. E essa não é uma boa mistura.

Vendo o show do Desorden Público, da Venezuela, lembrando da apresentação que o Móveis Coloniais de Acaju fez ano passado, me fez pensar que o Recbeat deveria ter uma noite inteira dedicada ao Ska. Os vizinhos não fizeram apenas o melhor show da noite, mas de toda a programação do festival. Foi incrível a maneira como a música dele pulsava pelos braços e pernas de todos que a ouviam, quase que obrigando todo mundo a dançar enlouquecidamente. Nessa brincadeira de abrir as portas para a América Latina, esse já é pelo menos o terceiro grande nome que o Recbeat traz e que fica óbvia que deveria se apresentar aqui no Brasil sempre.

As fotos são de Caroline Bittencourt

Written by Bruno Nogueira 3 Comments Posted in Reportagens Tagged with Carnaval, Cobertura, Desorden Público, festival, João do Morro, Nuages, Recbeat, Sílvia Machete, Ska, Ska Maria Pastora eu-1517349 Jornalista, professor, pesquisador e pai. Música, mídia, redes sociais… e boa gastronomia! 🙂

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